“O programa segue dentro de momentos” é o título da autobiografia de Júlio Isidro lançada agora e que revisita alguns dos muitos momentos vividos por este que é apelidado como o “Senhor Televisão”. O ESCPORTUGAL esteve no lançamento da obra na Fnac do Norteshopping, em Matosinhos. 

A 16 de janeiro de 1960 começava a trabalhar na Televisão Portuguesa, sendo por isso uma das figuras com maior longevidade de sempre do espaço televisivo português. Falamos de Júlio Isidro, para muitos o Senhor Televisão. No passado sábado decorreu o lançamento da autobiografia “O programa segue dentro de momentos” na presença do autor, da editora Cláudia Rebelo, com comentários de Cristina Alves.

Comunicador nato, Júlio Isidro é uma referência incontornável na história da Rádio e da Televisão em Portugal. Com apenas 15 anos de idade, estreou-se na televisão, tornando-se durante décadas presença regular no pequeno ecrã. A paixão pela rádio, a vocação para a televisão, a visão e pioneirismo nos muitos programas que criou, produziu e apresentou, as entrevistas históricas, a formação nos EUA, são marcas que deixaram marca na história da televisão e na história de muitos apresentadores que se seguiram. Ao longo da sua carreira, apresentou cerca de 30 programas na RTP e 7 programas na TVI, para onde se mudou de 1993 a 1996. Também trabalhou na rádio desde 1968 e escreveu 7 livros.

“É uma honra enorme estar aqui. Tenho admiração, respeito e carinho por este que é o maior vulto da comunicação em Portugal”.
Foi, desta forma, que Cristina Alves iniciou a apresentação desta obra. Recorde-se que Cristina Alves trabalhou com Júlio Isidro quando ambos apresentavam, a partir dos estúdios do Monte da Virgem em Vila Nova de Gaia, o programa “Portugal no Coração”. “Dar alegria aos outros” foi a missão de Júlio ao longo de quase 60 anos de carreira. “O Júlio ligou-se a nós e nós retribuímos ligando-nos a ele”, afirmou Cristina, recordando que este “nunca esqueceu de lançar artistas” . Os programas que apresentou foram tantos que não couberam nas 384 páginas do livro. “Engraçado como dedica quase duas páginas do livro para falar dos programas de que não fala na biografia”, sorri Cristina Alves, que terminou dizendo: “O Júlio tem esta generosidade e este coração enorme”.

Diversos artistas e profissionais da comunicação estiveram presentes neste lançamento, nomeadamente os cantores Cristina Roque e Sérgio Castro, dos Trabalhadores do Comércio ambos participantes no Festival da Canção. Também os cantores João Grande, dos Táxi, e Maria Amélia Canossa, os apresentadores Jorge Gabriel, Ana Viriato e a jornalista Madalena Balça estiveram na Fnac.

Júlio Isidro presenteou todos aqueles que enchiam o espaço com uma projeção de imagens e vídeos de diversos programas que apresentou, nomeadamente os diretos para programas de rádio e televisão com estádios lotados com milhares de pessoas. O "Passeio dos Alegres" ou o "Clube Amigos Disney" não poderiam faltar. Um dos momentos recordados pelo apresentador foi a entrevista que conduziu com a cantora francesa Françoise Hardy, representante do Mónaco na Eurovisão 1963. "Lembro-me que era altíssima e que não foi uma conversa de sorriso aberto, se calhar por culpa da minha timidez", escreveu.

Baptista-Bastos assina o prefácio. Para o escritor, a presença assídua de Júlio Isidro nos ecrãs televisivos é “o sinal de um afeto e a lembrança que resiste, mesmo na sombra e no aparente silêncio”. “Consciência, liberdade e atenção pelos outros fazem deste homem [Júlio Isidro] uma espécie de vigilante do nosso tempo, que o próprio tempo se encarrega de fragilizar”. Segundo Baptista-Bastos, “o que Júlio Isidro tem feito e praticado na televisão é um exercício de presença, ensinando que, quando odiamos alguém, só nos ferimos a nós próprios”.

Como profissional de televisão, diz-se que lançou inúmeros artistas portugueses nos diversos programas que criou e apresentou. Um dos casos mais bem-sucedidos é o de Dulce Pontes, que se estreou na televisão nos programas de Júlio Isidro e mais tarde participou no Festival da Canção (por si apresentado) e acabou por vencer. As Doce também são alvo desta obra. Lançadas por Júlio Isidro no programa "Febre de Sábado de Manhã", mereciam ganhar o Festival da Canção de 1981 segundo o autor. "Só não ganharam o Festival RTP da Canção de 1981 porque, vestidas ou despidas de odaliscas, ofenderam a moral hipócrita das senhoras e senhores do júri". Neste caso, "pode-se dizer que o Ali-Babá foi roubado por muito mais que 40 ladrões", escreveu.

O Festival da Canção faz também parte da história de Júlio Isidro. O primeiro festival que apresentou foi o de 1991, ao lado de Ana Paula Reis e que teve lugar na Feira Internacional de Lisboa. Nos dois anos seguintes, Júlio Isidro apresentou as 5 semifinais nos estúdios da RTP. Em 2015 apresentou a final do Festival ao lado de Catarina Furtado.


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Fonte: ESCPORTUGAL / Imagem: ESCPORTUGAL 

2 comentário(s):

  1. Ricardo Alves23:54

    Eu também acho que as Doce deveriam ter ganho em 1981

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  2. Anónimo06:57

    É mesmo um Senhor. Deveria voltar com um grande programa de variedades e música que tanta falta faz à televisao.

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