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[AO VIVO] “God” desceu à terra para revelar os 10 novos mandamentos



Deus desceu à terra para revelar os novos dez mandamentos e apontar o dedo ao que considera que está a correr mal na Terra que criou. O ESCPORTUGAL foi conhecer Deus no Teatro Municipal de Aveiro. 


Se Deus fosse realmente tão engraçado como a personagem encarnada por Joaquim Monchique na peça “God”, possivelmente a vida na Terra teria menos guerras, mais paz, mais amizade e amor pelo próximo. Por agora, resta-nos a consolação de podermos ver Joaquim Monchique encarnar o Todo-poderoso e eterno personagem e sonhar, durante 90 minutos, que a vida é bem mais fácil e simples do que ela realmente é. A peça esteve em cena no Casino de Lisboa, local onde estará de regresso no próximo fim-de-semana. Na passada quinta-feira, “God” estreou a sua itinerância em Aveiro e o público não se fez rogado, esgotando o Teatro Municipal. 




Na peça, escrita por David Javerbaum vencedor de 13 Emmys e dois Grammys e um êxito de bilheteira na Broadway, são revelados os 10 novos mandamentos. Se os dez mandamentos originais foram escritos por Deus em tábuas de pedra, desta vez chegam-nos de Ipad! Tudo com a habitual dose de irreverência, ousadia e um texto politicamente incorrecto e satírico, não fosse Monchique um dos atores de comédia mais reconhecidos no nosso país. Vestindo um fato branco, e sentado numa poltrona também branca, Deus presidiu à cerimónia, como se de um talk show celestial se tratasse. Mas Ele não chega sozinho: acompanham-no na jornada dois arcanjos - Miguel e Gabriel - personagens interpretadas pelos atores Diogo Mesquita e Rui Andrade. Miguel, “líder de um exército de anjos fiéis” e Gabriel “um anjo que serve como mensageiro de Deus e muito admirado desde a antiguidade”. 



O público, esse, não está ali para interrogar ou questionar Deus, mas sim para receber as suas novas leis e para ouvi-lo pregar contra as barbaridades cometidas pelo Homem durante milénios, mais especificamente contra a forma como as suas palavras e ações foram (mal) interpretadas, não tendo levado ao fim à dor e à guerra. Na peça, God anuncia como vão as coisas pela terra. Ao constatar que não estão assim tão bem, vê-se obrigado a intervir no rumo da humanidade, de forma a tornar a vida mais aprazível. 

E o tempo passou a correr, com a desconstrução de passagens bíblicas, e uma sátira a temas políticos, sociais e artísticos. No final, o público aplaudiu de pé, com vontade de ver tudo começar de novo…

“Uma experiência gratificante”

Rui Andrade encarna uma personagem bem diferente daquelas que está habituado, tanto na área das canções, como nos musicais que tem protagonizado. Embora, em “God”, Andrade tem também oportunidade para mostrar os seus dotes vocais. Falando ao ESCPORTUGAL, o ator e cantor revelou-nos que “esta experiência tem sido realmente muito gratificante, engrandecedora e divertida! Uma verdadeira aventura!”.

Depois da primeira temporada em Lisboa e da presença em Aveiro, Rui confessa-se “extremamente feliz por ter recebido este espetáculo na minha vida neste momento”, esperando “poder seguir com ele durante uns largos meses”! A digressão já tem datas agendadas para Lisboa, Estarreja e Setúbal, sendo que outras serão anunciadas em breve. “Estou ansioso por correr o nosso país!”, diz a sorrir. “Há locais que sei que vamos, locais esses que nunca visitei... É outra experiência que creio ser ótima para mim já que mais público me irá conhecer, irá ver o meu/nosso trabalho nesta peça tão cómica!!! Estou feliz!!! E que GOD continue comigo!”



O Auditório dos Oceanos do Casino Lisboa acolhe, então, de novo a peça de 28 de abril a 29 de maio. Os espetáculos “abençoados” decorrem às quintas, sextas e sábados, a partir das 21:30, enquanto aos domingos estão agendados para as 17:00 horas. Em junho, a itinerância continua; esteja atento à nossa Agenda, em permanente atualização na coluna à direita do ecrã.




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Fonte: ESCPORTUGAL /Imagem: ESCPORTUGAL e GOD

[AO VIVO] Dulce Pontes com todo o fulgor na terra de Zeca Afonso


Dulce Pontes sobe ao palco do Teatro Aveirense e, numa chuva de aplausos, logo exclama “obrigada por terem vindo!” A cantora aparece descalça, como sempre, e da voz surge “Nu”. Um tema que faz jus à magnífica voz da cantora, que conseguiu pôr um teatro lotado em silêncio absoluto. O ESCPORTUGAL acompanhou mais este concerto da nossa Dulce.

Dulce Pontes surpreendeu tudo e todos ao fazer a sua entrada pela ala esquerda do palco, sozinha, quase que “pedindo licença” no caminho para o piano. E enquanto cantava e tocava Nu, o silêncio encheu a sala lotada do Teatro Aveirense. Assim que se apoderou do palco, onde a esperavam os seus músicos com instrumentos de percussão e de cordas, a artista viajou com esta magnífica canção que marcou o seu álbum Momentos de 2009. Seguiu-se, também ao piano, Há festa na Mouraria, tema tradicional de Alfredo Marceneiro e Gabriel de Oliveira, imortalizado por Amália Rodrigues, aqui com uma roupagem totalmente nova e erudita de autoria da própria Dulce.



Deixa o piano e dirige-se para o centro do palco, recebendo fervorosos aplausos e retribui com sopros de beijos. Aos primeiros acordes de Senhora do Almortão, o público logo a acompanha com palmas. Soam as guitarras em Nevoeiro, logo de seguida ouve-se Bailados do Minho, Fado das Horas, Meu Amor Sem Aranjuez e Júlia Galdéria. A meio do concerto, a fadista canta Yesterday dos Beatles, aqui intitulado Anteontem, num "cover" muito seu “já que estão tanto na moda”, disse a brincar, arrancando várias gargalhadas do público, contagiado por esta interpretação bem-disposta.

Dulce Pontes não parou de dançar, visivelmente muito animada. Em Martin Codax, jogral e compositor galaico-português, traz as sonoridades das cantigas de amigo tão presentes na Idade Média em Portugal. Do gaélico, canta-se em espanhol Soy un circo, uma mescla de tradicional e popular e, depois, encurta-se a saia para cantar e sobretudo dançar Folclore. Entre canções, o público foi-lhe gritando elogios, elogios esses que serviam de mote às curiosidades que a artista ia lançando no intervalo das músicas. Mas o maior aplauso da noite foi todo para Índios da meia praia, original de Zeca Afonso, aqui cantado com todo o fulgor na terra que o viu nascer. José Afonso nasceu em 1929 em Aveiro, mais precisamente no Largo das Cinco Bicas na freguesia da Glória.

Antes do final, a esperada Canção do Mar, cantada tanto no palco como na plateia; novos e menos novos sabiam de cor uma das canções mais marcantes de toda a música portuguesa de sempre. O concerto chegava ao fim mas o público, durante largos minutos, “obrigaram” a artista a um regresso. E, com todos em pé, cantou-se e dançou-se Laurindinha.

O ESCPORTUGAL gravou um pequeno vídeo desse momento, vídeo este que nas primeiras 24 horas foi visto mais de 25.000 vezes. Veja ou reveja o vídeo:



Depois de um longo interregno dos palcos nacionais, 2015 tem sido um ano excelente para a mais internacional das cantoras portuguesas. O próximo concerto está agendado para 11 de outubro em Havana, Cuba, mas a  17 de outubro regressa a território nacional com um concerto no Multiusos de Guimarães.

Nota de rodapé para a presença, neste concerto em Aveiro, do maestro Armindo Neves, assíduo nos anos 80 e 90 em diversos festivais da canção e que aqui esteve inseparável da sua guitarra. Um grande entre os grandes!


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Fonte: ESCPORTUGAL / Imagem: ESCPORTUGAL/ Video: ESCPORTUGAL

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