[Rumo a Roterdão] Ivo Linna: "É uma sensação muito especial subir ao palco com o próprio filho"

 Quinto classificado no Festival Eurovisão de 1996, Ivo Linna está de regresso à corrida para representar a Estónia no concurso internacional, desta vez ao lado do próprio filho. O artista esteve à conversa com o ESCPORTUGAL na rubrica Rumo a Roterdão.

A Estónia é um dos países que optou pela realização da sua final nacional para o Festival Eurovisão de 2021, com 24 artistas a concurso no Eesti Laul 2021. Contudo, de entre os nomes revelados, há vários antigos representantes do país no concurso internacional, com destaque para Ivo Linna, quinto classificado no concurso de 1996. O cantor aceitou o nosso convite e esteve à conversa com o ESCPORTUGAL na rubrica Rumo a Roterdão.

Condecorado com a Ordem da Estrela Branca, uma das maiores ordens honoríficas do país, Ivo Linna recordou-nos um pouco da sua carreira musical: "Comecei com a minha primeira banda escolar no ano de 1966, tendo feito a estreia na televisão nacional em 1968. Nos anos seguintes integrei em duas bandas, a Apelsin ("Laranja" em português) e RockHotel" frisou, recordando um dos melhores momentos da sua carreira, "Tive a grande honra de apresentar as canções do chamado «despertar nacional», compostas por Alo Mattiisen, num grande evento que celebra a reconquista da independência da Estónia". Mais recentemente, Ivo Linna tem estado em colaboração com a banda Supernova, com quem participará no Eesti Laul 2021.

Questionado sobre as primeiras memórias eurovisivas, Ivo Linna garante que as mesmas são anteriores à sua carreira musical: "As minhas primeiras memórias da Eurovisão remontam a 1960, altura em que a Finlândia fez a sua estreia. A União Soviética não transmitia o evento, mas acompanhava o evento através da televisão finlandesa." recordou, frisando que a sua canção favorita de sempre é "Power to All Our Friends", tema que Cliff Richard defendeu no Festival Eurovisão de 1973.

Contudo, a estreia no concurso apenas aconteceu em 1994: "A minha primeira participação na final nacional foi em 1994, com "Elavad pildid" a ficar em terceiro lugar". O país ficou de fora em 1995, com Ivo Linna a regressar ao Eurolaul em 1996 com duas canções, vencendo com "Kaelakee Hääl", interpretada com Maarja-Liis Ilus: "Foi uma alegria enorme quando vencemos a competição. Participar na Eurovisão foi uma sensação poderosa. Lembro-me que a competição em Oslo foi incrível e havia um sentimento mútuo de harmonia entre todos." recordou, destacando o quinto lugar alcançado, uma das melhores marcadas de sempre da Estónia. 

Depois do quinto lugar em 2017 com "Suur loterii", uma das "participações que mais me marcaram", Ivo Linna regressa, em 2021, à corrida eurovisiva, ao lado da banda Supernova e do seu filho, Robert Linna: "É uma sensação muito especial que se tem quando se sobe ao palco juntamente com o próprio filho. Estou muito orgulhoso de cantar com ele: é uma grande alegria, mas ao mesmo tempo uma grande responsabilidade".

Sobre a participação no concurso, o cantor confessou que "estávamos a gravar um novo álbum com os Supernova e o primeiro single radiofónico que terminámos parecia adequado para o evento", garantindo que "Ma olen siin", o tema que defenderão no certame, "tem tudo o que considerado importante na música: uma boa melodia, uma harmonia interessante e uma grande mensagem. É esta a essência de uma boa canção". Questionado sobre a atuação em palco, Ivo Linna revela que os planos seguirão o conceito do videoclip: "Vamos tentar recriar o que mostrámos no videoclip. Achamos que funcionará bem em palco".

Confrontado com a possibilidade de vencer o certame e de representar a Estónia em Roterdão, o cantor admite que não fará grandes alterações na canção: "Não há necessidade de consertar um motor em funcionamento. Eu acredito na nossa canção e na nossa apresentação e, enquanto funcionar, não vamos alterá-las. Esperemos que assim seja". Com o assunto em cima da mesa, questionámos Ivo Linna sobre os últimos resultados da Estónia no Festival Eurovisão: "Uma das minhas canções favoritas é "Rändajad", da Sandra Nurmsalu, em 2009. Mas infelizmente, nem sempre o resultado tem a ver com o potencial da canção. Existem muitos factores que podem, num determinado momento, tornar-se mais importante".

Ivo Linna vai mais longe e garante que o mais importante é a longevidade da canção fora do concurso, "Talvez o aspeto mais importante não é onde a canção acaba no concurso, mas a permanência da vida das pessoas durante meses... ou anos", recordando a vitória de Salvador Sobral em 2017, "É impossível não gostar do trabalho do Salvador Sobral. Veio sem qualquer show e ganhou a Eurovisão. Foi um grande desempenho e uma grande canção".

Questionado sobre os efeitos da pandemia de Covid-19 no concurso, que deverá ser realizado sem público presente, Ivo Linna lamenta a situação, mas admite ser a única solução possível: "Eu gosto de cantar para o público. No entanto, temos de entender que, para vencer este vírus, temos de limitar os nossos contactos e confio que faremos um bom trabalho mesmo que não haja público".

No final da conversa com o ESCPORTUGAL, onde deixou uma mensagem de Boas Festas ao lado do seu filho, Robert Linna, para todos os eurofãs portugueses e que foi previamente disponibilizada nas nossas redes sociais, Ivo Linna não quis deixar de recordar as suas passagens pelo nosso país: "Já estive em Portugal em três ocasiões. A primeira foi em 1982, onde atuámos em vários locais. É um país lindo. Uma natureza incrível, uma gastronomia divinal e pessoais muito gentis. É um lugar onde quero, realmente regressar".

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Fonte: ESCPORTUGAL /Imagem: Google / Vídeo: Youtube

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