O Festival da Canção e Festival Eurovisão voltaram a estar em destaque no programa "Voz do Cidadão", o programa do Provedor da RTP. Na edição transmitida há pouco na RTP1, o provedor Jaime Fernandes foi categórico: "Mantemos o pressuposto de que este conteúdo, devidamente enquadrado e produzido a partir de ideias fortes, pode ser um bom espectáculo e uma referência, dando um contributo positivo a todos os profissionais da música".

Já por diversas vezes o programa Voz do Cidadão abordou os temas relacionados com o Festival da Canção e Eurovisão, a última das quais em maio passado quando a RTP anunciara que, para além de não participar no concurso deste ano, também não o iria transmitir. Recorde artigo AQUI.

Desta vez, o programa ouviu o autor do estudo "Que imagem do país a televisão do Estado tem exportado através do Festival da Canção?", Jorge Mangorrinha, professor de Turismo na Universidade Lusófona. Esse estudo já tinha sido referido pelo ESCPORTUGAL em 2013, como pode recordar AQUI. Dois anos depois, e tendo como base algumas das conclusões do estudo, Mangorrinha participou no Festival da Canção como letrista da canção "Um fado em Viena" interpretada por Teresa Radamanto, em 2015, mas não conseguiu um lugar ao sol: a vitória sorriu a  Leonor Andrade com "Há um mar que nos separa".

O autor, que falou no programa, referiu "o papel da RTP não se deve confinar a levar uma canção à Eurovisão, mas deve ter um papel de relacionamento permanente com os autores mas também uma pedagogia à volta da música portuguesa que deve ser feita nos programas da manhã, da tarde e da noite". Outro ponto referido por Mangorrinha tem a ver com as "parcerias fundamentais que a RTP deve ter para chegar à Eurovisão para que a RTP possa chegar à Eurovisão e dizer 'nós temos as condições e queremos ganhar'". Passa também, segundo o mesmo autor, "por ter uma relação estreita com o governo, com os serviços diplomáticos, com o Ministério dos Negócios Estrangeiros, com o Turismo, com a Câmara Municipal de Lisboa... a RTP não pode ser responsabilizada, por si só, por nunca ter vencido na Eurovisão, mas sobretudo deveria ter havido um projeto do país com parceiros estratégicos".

Intercalado com vídeos de participações de Portugal nos anos 60 e 70 e outros da Eurovisão de 2016, Nuno Nazareth Fernandes foi outro dos intervenientes no programa. Fernandes que foi compositor vitorioso do festival por três ocasiões, em 1967 com "O vento mudou", 1969 com "Desfolhada portuguesa" e 1971 com "Menina do alto da serra". "Já no tempo do antigo regime, eu referi que era importante para Portugal ganhar a Eurovisão", afirmou, "para aproveitar o que essa organização traria". Recordou o caso espanhol: "A TVE usou todos os truques para ganhar e ganhou mesmo com o 'La La La'". E ganharam contra o Cliff Richard! No ano seguinte Espanha teve 10 milhões de turistas".

Para o compositor e músico, o ano em que estivemos mais perto de ganhar foi em 1971: teve-se a noção que a Eurovisão era um negócio. Jogou-se tudo... ate tenho versões da 'Menina' em finlandês!" Como eu escrevi na altura, estávamos a contar com um dos três primeiros lugares [alcançou-se o 9.º, o melhor até então] , mas provavelmente com o grande horror para a RTP, que se via já a ter de organizar uma coisa daquelas no ano seguinte". Nazareth Fernandes não poupa a RTP: "Nuca houve uma vontade explicita da RTP em se meter a fundo no assunto".

Jaime Fernandes terminou o programa, referindo o aumento exponencial de telespectadores na edição de 2016, que contou com a presença de Justin Timberlake como convidado especial. Sinal de que a organizarão pretende "dinamizar a participação dos seus membros e estimular a criatividade dos autores e das canções a concurso. Do nosso ponto de vista, a RTP não pode, nem deve, ficar de fora deste circuito. Antes, deve empenhar-se em acompanhar as novas tendências, apresentando-se com ideias renovadas e dignas de competir com os melhores". 


Pegando nesta última intervenção do provedor, seria útil ouvir, num próximo programa, autores, interpretes e músicos que fazem da Música a sua carreira e profissão, que vendem música e enchem concertos, as editoras e empresas de espetáculos. No fundo, aqueles que devem ser os principais protagonistas de um qualquer Festival da Canção. E que fazem música todo o ano e não só, pontualmente, no Festival RTP da Canção.


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Fonte: VOZ DO CIDADAO / Imagem: GOOGLE


23 comentário(s):

  1. Anónimo14:45

    Eu há uns 2 min ia comentar a pedir-vos precisamente que colocassem esta notícia... :-)

    Seja como for fiquei contente por ter visto novamente o FC a ser abordado. Espero que valha alguma coisa a nossa presença em 2017.

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  2. Ricardo Alves14:53

    Sempre pessoas ligadas ao passado e que não percebem nada da Eurovisão dos dias de hoje. Até cansa

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    1. Anónimo14:58

      Pois, nao percebem que a EUrovisão mudou e muitas ideias eurovisivas também mudaram... as necessidades de antigamente já não são as mesmas de agora! Temos de fazer algo completamente diferente, só que o problema é que nem por acaso, (parece-me) que a legião de fãs eurovisivos portugueses está a diminuir e isto pode cair naquela de não haver mais ponta por onde se lhe pegue!

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  3. Anónimo14:58

    credo mas porque convidam as pessoas que arruinam o festival da cançao todos os anos?? voces acham que por exemplo a SUECIA, faz estas coisas todas para ter bons resultados? não não faz, eles apenas tem qualidade nas suas musicas! o truque está aí, e não é preciso contactar o ministro da cultura, ou sei la do que... isso é muita complicação.

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  4. Pedro Carvalho15:05

    Gosto de ver o FC e ESC ser falado na televisão, Mas porquê mais um programa todo virado para o passado e com quem percebe pouco ou nada do ESC dos dias de hoje???

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    1. Anónimo15:12

      Exatamente... acho que a nivel de ESC nos dias de hoje só mostrou praticamente em pequenino enquanto o sr falava, algumas das atuações deste ano, estou-me a lembrar da Barei e da Jamala por ex. , mas eu também não vi o programa todo.

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  5. Rui Ramos15:44

    Acabei de ver o programa. Em resumo: o autor da letra "Um fado em Viena" tem nenhuma credibilidade quando se fala no ESC do século XXI. E depois disse a perola que Lisboa não tem condições para receber o ESC e propunha a criação de uma avenida eurovisão, entre o terreiro do paço e o parque das nações. Como se isso fosse fundamental e ate prioritario!! Que continue a dar aulas na Lusofona, possivelmente é um excelente professsor.
    O Nuno Nazareth Fernandes tem o seu nome na Historia do ESC, e muito bem, mas isso foi nos anos 60 e 71. Ja passaram quase 50 anos, RTP!!!

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    1. Anónimo22:12

      Eu até concordo com a "avenida da eurovisão", e é bom que vão tendo estas "ideias" para q nao ganhemos e depois chegarem à conclusão a ultima da hora "ah e agora, como vamos organizar tudo?". Mas claro que acima da avenida da eurovisão há a prioridade de levar um bom produto já no proximo ano, capaz de lutar pelo top 10 no minimo (se bem q as minhas vontades sao outras, mas vá, estou a dar o minimo...)

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  6. Anónimo16:40

    ai tanto bla bla bla... cadê as axões?

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  7. Anónimo18:29

    O link ??

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    1. Anónimo19:34

      Ainda não está disponível na RTP Play. O ESC Portugal é que colocou logo a notícia passado um pouco da transmissão, que foi às 12:45. Se calhar só a partir de amanhã é que devem meter no site da RTP.

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  8. Em vez de tanta conversa fiada ligada ao passado,teria sido melhor que a RTP tivesse ja deitado ca para fora qual a forma de seleçao em 2017,e no caso de ser FC,dar a conhecer o regulamento do FC 2017,bem como o prazo para entrega de cançoes.Tudo a tempo e horas.Assim nao chegamos a lado nenhum.

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    1. Anónimo20:16

      Concordi plenamente. Tanta coisa e ainda nao se sabe de nada... deviamos mandar todos mails á RTP pois se a RTP nao se apercebe que esta na hora de fazer as coisas, nos como telespetadores temos todod o direito de o fazer.. que todos o facam

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    2. Anónimo20:41

      Ora nem mais... concordo totalmente RG!

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    3. Miguel Matias20:44

      Investigadores destes que chegam a conclusão que lusboa nao tem alojamento suficiente séria de chorar a rir se isso nao fosse grave demais. O meo arena ja recebeu milhares de concertos e o estádio da luz com o dobro dos lugares tambem. Para alem de nao saber o que é o esc dos dias de hoje, este professor tambem não sabe investigar coisa nenhuma.

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    4. Anónimo20:54

      Concordo, e relembro que Portugal já recebeu o Euro 2004, no ano seguinte ocorreu o MTV Europe Music Awards sediado no actual Meo Arena...

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    5. Anónimo22:23

      A RTP só vai pensar no ESC depois dos Jogos Olímpicos, em setembro.E parece-me que vai ser o FC. Se for escolha interna, escolhia a Áurea.

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    6. Anónimo15:01

      Também eu escolhia, aliás, depois da nossa ausência e blablabla pensava que iam mudar e optar pela seleção interna, mas acho que tudo indica que o método de seleção será o mesmo: através do FC.
      Só um pequeno aparte... já que falas na Aurea, ainda há dias sonhei que ela ia ao ESC com uma música chamada "Amor" (nem sei de onde é que associei este nome para a canção xD). O sonho parecia real e tudo. Escusado será dizer que eu estava mais do que radiant

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  9. Anónimo21:55

    Ah Lisboa não tem condições?? Minha nossa, internem aquele homem, vê-se que não sabe do que fala

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    1. Concordo,mas nao e preciso internar o sr. :-) ,basta nao o convidarem para dar opinioes.Se cidades como Tallinn,Riga,Kyiv,Belgrado,Baku ou mesmo Helsinki tiveram capacidade para o ESC,Lisboa com a sua enorme capacidade hoteleira e a MEO arena bate qualquer uma dessas cidades.

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    2. Anónimo22:10

      Talvez ele se referisse à zona mais perto do Meo Arena mas mesmo assim, penso q nao seja uma desculpa...acho que cabia toda a gente, Lisboa n é propriamente pequena e desde o Meo Arena até a baixa, que n é muito longe, podiam ficar la hospedados perfeitamente e era da maneira que conheciam o resto da cidade.

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  10. Anónimo12:51

    Concordo com o RG e até diria mais: tanta conversa fiada do baralho!

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  11. Anónimo21:55

    Para quem queria ver, já está disponivel na rtp play. Tou a ver agora!!

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