O regresso dos Países Baixos ao Festival Eurovisão 2027 através da Omroep MAX poderá ser inviabilizado com os cortes anunciados pelo Governo neerlandês.
Jan Slagter, diretor da Omroep MAX, revelou, recentemente, estar disponível para discutir com a NPO (Nederlandse Publieke Omroep) uma eventual participação neerlandesa no certame, colocando um fim ao boicote neerlandês ao concurso internacional. No entanto, o diretor da estação frisou que a mesma não tem capacidade para suportar os custos da Eurovisão com recursos próprios, defendendo que a NPO deverá assumir uma parte significativa das despesas.
Ao contrário da AVROTROS, uma das maiores associações de radiodifusão dos Países Baixos, com um orçamento anual estimado em cerca de 118,4 milhões de euros, a Omroep MAX dispõe de um orçamento bastante mais reduzido, na ordem dos 47 milhões de euros. Segundo Jan Slagter, seria inaceitável cortar em produções próprias para financiar a participação no concurso, pelo que defende a utilização de um fundo centralizado da NPO para cobrir os custos relacionados com o artista e a produção da atuação.
A questão surge numa altura particularmente delicada para a radiodifusão pública neerlandesa. A NPO enfrenta um plano de cortes que prevê uma redução anual de 156 milhões de euros a partir de 2027, estando já a implementar medidas de contenção que incluem o encerramento de canais, redução de programação e cortes de pessoal. Paralelamente, o Governo neerlandês prepara uma profunda reforma do sistema público de radiodifusão, que prevê a fusão das atuais associações de radiodifusão em apenas quatro grandes entidades.
Numa nota oficial, a NPO alertou que os cortes poderão entrar em vigor antes dos benefícios financeiros da reforma serem sentidos, criando pressão adicional sobre as suas contas nos próximos anos.
De realçar que, até 2025, a participação neerlandesa no Festivala Eurovisão era financiada em conjunto pela AVROTROS e pela NPO: a AVROTROS suportava os custos da seleção do artista, da delegação e de parte da participação, a NPO assumia centralmente a restante parcela da taxa exigida pela União Europeia de Radiodifusão (EBU/UER). Contudo, em 2026, a AVROTROS anunciou o boicote ao certame devido à presença de Israel, com o evento a ser transmitido no país com a NOS e a NTR a assegurarem os direitos de transmissão.
Estreante em 1956, os Países Baixos contam com 65 participações no Festival Eurovisão e com 5 vitórias no curriculum: 1957, 1959, 1969, 1975 e 2019. Depois da polémica desclassificação de JOOST e "Europapa" em Malmö, o país foi representado por Claude e "C'est la vie" no Festival Eurovisão 2025: após o 3.º lugar na semifinal, a candidatura ficou em 12.º na Grande Final com 175 pontos, fruto do 5.º lugar no júri (133) e o 15.º no público (42), recebendo 8 pontos de Portugal (3 do público e 5 do júri). Em 2026, os Países Baixos não estiveram a concurso no Festival Eurovisão em protesto para com a participação de Israel.

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