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Gert Kark afasta regresso da Rússia ao Festival Eurovisão: “Definitivamente não”

 

Gert Kark, produtor executivo do Festival Eurovisão da Canção, garantiu que não vê qualquer possibilidade de a Rússia regressar ao concurso num futuro próximo. 


Em entrevista à rádio pública estónia ERR, o responsável da União Europeia de Radiodifusão (EBU/UER), Gerl Kark, foi perentório ao abordar um dos temas mais debatidos dos últimos anos no universo eurovisivo. "A emissora russa não é membro da EBU/UER ou foi afastada pela organização. Portanto, a resposta é definitivamente não. Obviamente que não vão regressar”, afirmou.

As declarações surgem numa altura em que várias questões políticas continuam a marcar a atualidade da Eurovisão. Entre elas está a participação de Israel, um tema que voltou a gerar controvérsia na edição de 2026, e cuja participação levou Espanha, Irlanda, Países Baixos, Islândia e Eslovénia a optaram por não participar no concurso realizado em Viena. Questionado sobre o assunto, Kark preferiu manter-se distante do debate político.

"Felizmente, não tenho de lidar com política. Trabalho com os participantes que me são apresentados", referiu, acrescentando que prefere concentrar-se nos aspetos organizativos do evento.

A edição de 2026 foi a primeira sob a liderança de Gert Kark enquanto produtor executivo da Eurovisão. O estónio, que integra a equipa da EBU/UER há uma década, fez um balanço positivo da experiência e destacou a colaboração com a ORF, emissora anfitriã da edição austríaca. Apesar do prestígio associado ao cargo, admitiu que a função é muito menos glamorosa do que muitos imaginam. "São onze meses sentado em frente ao computador e apenas um mês de emoção. Às vezes dizemos até que são onze meses de terror e um mês divertido", brincou.

Com a vitória da Bulgária em Viena, os preparativos para a Eurovisão 2027 já estão em marcha. Nas próximas semanas, Kark deslocar-se-á a Sófia para os primeiros encontros técnicos com a emissora anfitriã, iniciando oficialmente o processo de organização da próxima edição. O produtor executivo mostrou-se particularmente satisfeito por ver o Festival regressar ao Leste Europeu. "Estou muito feliz por finalmente voltarmos um pouco mais para a Europa de Leste e por ser uma emissora que nunca organizou o concurso anteriormente”, afirmou.

Segundo Kark, uma das suas principais responsabilidades passa por garantir a igualdade de condições para todas as delegações participantes. "A parte mais importante do meu trabalho é assegurar a justiça da competição, porque se trata de um concurso e todos os 35 a 40 países participantes têm de competir exatamente nas mesmas condições", explicou.

O responsável revelou ainda que já se encontra a trabalhar no regulamento da próxima edição, um documento que conta com cerca de 300 páginas e que é atualizado anualmente. Entre as alterações introduzidas em 2026 esteve a possibilidade de alguns instrumentos serem tocados ao vivo em palco, uma mudança que surpreendeu várias emissoras. "Fui eu quem esteve por detrás dessa polémica. Foi uma nova regra este ano, mas muitas emissoras não tinham lido as regras com atenção suficiente”, revelou.

Numa das declarações mais surpreendentes da entrevista, Kark confessou que, apesar de liderar atualmente a produção do maior espetáculo musical do mundo, nunca se considerou um verdadeiro fã da Eurovisão. "Nunca fui fã da Eurovisão e continuo sem o ser. Para mim, isto é trabalho. O que gosto realmente é da parte televisiva", admitiu.

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Fonte/Imagem: ERR
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