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[ESPECIAL] A história da Ucrânia no Festival Eurovisão

Estreante em 2003 e com três vitórias no curriculum, a Ucrânia é um dos países mais marcantes da história recente do Festival Eurovisão, sendo o único que nunca falhou o apuramento para uma Grande Final do certame. Recorde connosco este percurso no Dia da Independência da Ucrânia.

A 24 de agosto de 1991, o parlamento ucraniano aprovou o Ato de Declaração da Independência da Ucrânia, ato que estabeleceu a Ucrânia como um Estado independente, depois de décadas incorporada na União Soviética, tendo o mesmo sido aprovado em dezembro do mesmo ano através de um referendo. Anualmente, o Dia da Independência é comemorado em todo o país e, este ano, as comemorações terão um sabor agridoce com os atuais conflitos armados resultantes da invasão russa, que iniciou há precisamente 6 meses, a impedirem as comemorações nas maiores cidades da Ucrânia.

Neste dia especial para a Ucrânia, recorde connosco alguns dos melhores (e piores) momentos da história do país no Festival Eurovisão onde tem sido um dos principais protagonistas da história recente da competição.

Oleksandr Ponomaryov foi o primeiro representante da Ucrânia no concurso
Escolhido internamente pela emissora ucraniana, Oleksandr Ponomaryov e "Hasta La Vista" foram os responsáveis pela estreia da Ucrânia no Festival Eurovisão de 2003. Totalmente interpretada em inglês, a canção ficou-se pelo 14.º lugar com 30 pontos, não tendo sido pontuada por Portugal, falhando também o acesso direto à Grande Final da edição de 2004.


Perdeu a semifinal... mas triunfou na Grande Final
Satisfeita com o resultado na estreia, a emissora NTU voltou a apostar numa seleção interna para o Festival Eurovisão 2004, tendo Ruslana e "Wild Dances", tema interpretado em inglês e ucraniano, sido as escolhas para Istambul. Com a pontuação máxima de Portugal, a candidatura da Ucrânia apurou-se para a Grande Final em 2.º lugar, com menos 7 pontos do que a candidatura da Sérvia e Montenegro. Contudo, na Grande Final, "Wild Dances" levou a melhor e arrecadou a vitória com 280 pontos, mais 17 do que "Lane Moje", tendo sido a segunda mais votada por Portugal.


Com a Eurovisão em Kiev, a canção da Ucrânia esteve em risco de ser banida pela EBU/UER
Ao contrário das edições anteriores, a Ucrânia escolheu os seus representantes para a Eurovisão de 2005 através de uma final nacional. A banda Greenjolly e "Razom nas bahato" levaram a melhor do que Ani Lorak, a favorita ao triunfo, mas a canção teve de sofrer alterações: devido a alegadas associações da letra à Revolução Laranja, o grupo foi obrigado a alterar a letra da mesma para evitar o veto da EBU/UER. Em maio, no Palácio dos Desportos, em Kiev, a canção da Ucrânia não foi além do 19.º lugar com 30 pontos (7 oriundos de Portugal), falhando o apuramento direto para a Final de 2006.



Os três twelve points consecutivos de Portugal para a Ucrânia
Em 2006, representada por Tina Karol e "Show Me Your Love", a Ucrânia recebeu os 12 pontos de Portugal na Final do Festival Eurovisão, subindo até ao 7.º lugar da geral. No ano seguinte, a escolha recaiu sobre Verka Serduchka, decisão que levantou várias críticas do parlamento ucraniano e controvérsia na Rússia: as parecenças entre "Lasha Tumbai" e "Russia Goodbye" causaram polémica, mas a EBU/UER aprovou a canção. Contudo, obstante à polémica, a Ucrânia alcançou o 2.º lugar, ficando a 33 pontos da vencedora Sérvia. Para Belgrado, a emissora ucraniana escolheu internamente Ani Lorak, que levou "Shady Lady" à competição europeia: com os doze pontos de Portugal, o país voltou a ficar em 2.º lugar, desta vez a 42 pontos do triunfo alcançado pela Rússia.




"Banida" da Ucrânia, Anastasiya Prykhodko triunfa... na Rússia
Em 2009, a final nacional da Ucrânia ficou marcada por uma polémica em torno de Anastasiya Prykhodko. A cantora, eliminada na semifinal, alegou que a emissora ucraniana e o júri não tinham "usado métodos corretos" para apurar os finalistas, recorrendo da eliminação afirmando que tinha o direito de defender uma canção diferente na semifinal... algo que nunca esteve contemplado nas regras. A competição foi suspensa, devido ao recurso, tendo sido realizada a 8 de março, com Svetlana Loboda a triunfar com "Be My Valentine". Em Moscovo, a canção da Ucrânia chegou ao 12.º lugar da geral, com 6 pontos de Portugal, enquanto a Rússia, representada por... Anastasiya Prykhodko e "Mamo" ficou em 11.º lugar.


Escolha Interna, Final Nacional, Nova Final Nacional e Mudança de Canção
Se 2009 ficou marcado por uma polémica... o que se poderá dizer de 2010? Em dezembro de 2009, a emissora ucraniana anunciou a seleção interna de Vasyl Lazarovych para a competição eurovisiva, tendo a final nacional para apurar a canção sido realizada em março: "I Love You" foi a escolhida... mas não agradou ao público. Dias depois da escolha, a emissora anunciou, numa conferência de imprensa de emergência, a realização de uma nova final nacional com diversos cantores. Vasyl Lazarovych ficou em 7.º lugar com a canção anteriormente selecionada, sendo que Alyosha foi a vencedora com "To Be Free". No entanto, dias depois, a canção foi acusada de plágio e de não cumprir as regras da Eurovisão: a EBU/UER autorizou a mudança de canção que acabou por acontecer fora dos prazos legais. Em Oslo, a Ucrânia acabou por ser representada por "Sweet People", cujo videoclip foi gravado na cidade fantasma de Pripyat, terminando em 10.º lugar com 107 pontos, nenhum deles oriundo de Portugal.


Nova Polémica em torno da escolha para o Festival Eurovisão 2011
Com a intenção de evitar a polémica do ano anterior, a emissora ucraniana realizou uma final nacional composta por várias eliminatórias, culminando com uma Grande Final em que Zlata Ognevich e Jamala eram as grandes favoritas. Contudo, Mika Newton e "Angel" sagraram-se vencedoras da competição... até que Hanna Herman, jurada da competição, pediu a recontagem dos votos, depois de rumores sobre manipulação das chamadas. Tal queixa fez com que a emissora anulasse a votação e marcasse uma nova gala para os dias seguintes com as três primeiras classificadas... o que nunca chegou a acontecer. Jamala retirou-se da competição, alegando que a votação seria novamente manipulada, e Zlata Ognevich alegou indisponibilidade de marcar presença na gala. Deste modo, Mika Newton levou "Angel" a Dusseldörf terminando em 4.º lugar na competição, com 7 pontos de Portugal, tendo sido acompanhada pela artista Kseniya Simonova em palco.



Gaitana levou a festa do EURO2012 a Baku e Zlata lutou pelo título em Malmö
Depois de dois anos de polémicas, a emissora ucraniana realizou uma final nacional... que decorreu sem problemas. Gaitana e "Be My Guest", tema que foi utilizado como hino oficial do Campeonato da Europa de Futebol de 2012, ficaram-se pelo 15.º lugar na Grande Final, com 1 ponto de Portugal, depois de terem conquistado o pior resultado de sempre da Ucrânia numa semifinal (8.º). Em Malmö, a Ucrânia foi representada por Zlata Ognevich e "Gravity" que, apesar de estarem fora dos favoritos ao triunfo, conquistaram o 3.º lugar na competição, chegando a estar na liderança da votação.



Mariya Yaremchuk representou a Ucrânia em 2014 com as atenções viradas para a Crimeia...
Com a final nacional agendada para dezembro de 2013, Mariya Yaremchuk foi escolhida como representante da Ucrânia em Copenhaga com "Tick-Tock". Contudo, em março de 2014, a península da Crimeia é invadida e anexada pela Rússia, o que faz com que as atenções em Copenhaga estivessem viradas para as comitivas dos dois países. Os rumores sobre uma eventual retirada da Ucrânia não se concretizaram, com o país a alcançar o 6.º lugar na Final com 7 pontos oriundos da (muito apupada) Rússia.



Ucrânia regressa ao Festival Eurovisão com uma vitória e muita polémica
Depois de falhar a edição de 2015 devido a problemas financeiros provenientes dos conflitos armados no leste do país, a Ucrânia regressou ao Festival Eurovisão em 2016 representada por Jamala e "1944". O tema foi inspirado na história da família da cantora aquando da deportação dos tártaros da Crimeia aquando da Segunda Guerra Mundial... o que levantou grande polémica. Contudo, a EBU/UER aprovou a participação da canção, o que levantou críticas dos principais jornais russos. Em Estocolmo, a candidatura apurou-se para a Grande Final em segundo lugar, atrás da Austrália, onde conquistou a segunda vitória para o país, resultante do segundo lugar do televoto e do júri.



Confusão na escolha da cidade, Julia Samoylova e pior resultado da história
A escolha da cidade sede do Festival Eurovisão 2017 foi um dos processos mais complicados dos últimos anos, com diversas ameaças, desistências e cancelamentos, culminando com a escolha (tardia) do Centro de Congressos em Kiev. Contudo, a edição ficou marcada pela polémica em torno da Rússia: apesar do conflito armado entre os dois países, a Rússia escolheu Julia Samoylova para representar o país na Ucrânia. No entanto, o governo ucraniano proibiu a entrada da cantora em solo nacional visto ter atuado sem autorização da Ucrânia na Crimeia. Depois de semanas de incógnita, a Rússia anunciou a retirada da competição, onde, meses mais tarde, a Ucrânia conseguiu o pior resultado de sempre: O.Torvald e "Time" ficaram-se pelo 24.º lugar (entre 26) com 36 pontos, 3 deles oriundos de Portugal.


Longe das polémicas do passado, a Ucrânia manteve a invencibilidade em Lisboa
Representada por Mélovin e "Under the Ladder", a Ucrânia manteve o seu estatuto de invencível no Festival Eurovisão 2018 ao continuar sem falhar o apuramento para a Grande Final, numa edição em que o Azerbaijão e a Roménia caíram pela primeira vez. Contudo, o país ficou longe dos grandes resultados do passado: a candidatura ucraniana foi a menos votada do júri, sendo que o sétimo lugar no televoto, colocou a Ucrânia no 17.º lugar da Grande Final, com 4 pontos do televoto português.


Maruv foi a escolhida mas não assinou o acordo de participação... e a Ucrânia ficou de fora
A emissora ucraniana apostou, em 2019, no Vidbir como final nacional, com Maruv e "Siren Song" a conquistarem o passaporte eurovisivo, numa gala que ficou marcada pela polémica em torno da uncomfortable question de Jamala a Maruv. Dias depois, a emissora pediu que Maruv assinasse o acordo de participação onde era exigido o atraso de concertos na Rússia, bem como controlo total da sua presença em Telavive. A cantora recusou, com a UA:PBC a contactar Freedom Jazz e Kazka, segundos e terceiros classificados, respetivamente, que também declinaram o convite, o que levou a emissora ucraniana a desistir da participação no Festival Eurovisão.


Go_A representaram o país no Festival Eurovisão em 2020 e 2021
Depois da polémica em 2019, que culminou na sua retirada, a emissora ucraniana adaptou as regras do Vidbir 2020 para evitar novas polémicas em torno da sua participação no Festival Eurovisão com questões relacionadas com a Rússia. E pela primeira vez desde 2014, o vencedor reuniu consenso entre o júri e o público, com os Go_A e "Solovey" a adquirirem o passaporte para Roterdão. Contudo, a pandemia de Covid-19 levou ao cancelamento da edição e a banda foi reconduzida para 2021, com "Shum", a primeira canção inteiramente em ucraniano, a ser escolhida internamente. Em Roterdão, a canção ficou em 5.º lugar na Grande Final com 364 pontos, tendo sido a segunda mais votada pelo público, onde recebeu 12 pontos de Portugal.



Kalush Orchestra vencem o Festival Eurovisão... sem vencerem a final nacional
A final nacional da Ucrânia para o Festival Eurovisão 2022 voltou a ficar marcada pela polémica. Alina Pash venceu a competição com "Tini Zabutykh Predkvi" com a votação máxima do júri, mas acabou por retirar a sua participação no concurso internacional depois de ter sido descoberta a sua viagem à Crimeia após 2014 e a falsificação da documentação da entrada no território ocupado. A 22 de fevereiro, a UA:PBC anunciou que os Kalush Orchestra e "Stefania" representariam o país em Turim, com a canção a subir para os primeiros lugares das apostas dois dias depois aquando do início da invansão russa. No concurso, a banda conquistou o 1.º lugar com 631 pontos, com a histórica marca de 439 pontos no televoto (onde ficaram no top4 de todos os países), sendo a primeira vitória de uma canção inteiramente em ucraniano e de hip-hop no concurso.


A invasão russa na Ucrânia "empurrou" o Festival Eurovisão 2023 para o Reino Unido
Ainda que tenha apresentado a proposta de receber o Festival Eurovisão 2023 em Lviv, Zakarpattia ou Kiev, a Ucrânia foi descartada como país anfitrião pela União Europeia de Radiodifusão (EBU/UER) devido à instabilidade resultante do conflito armado, com a organização a ser entregue ao Reino Unido, algo que não acontecia desde 1980. Contudo, a Ucrânia, enquanto país vencedor de 2022, terá acesso direto à Grande Final e selecionará os seus representantes ainda durante o ano de 2022, numa final nacional a ser realizada em Kiev.

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Fonte:ESCPortugal/ Imagem/Vídeo: Eurovisiontv
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