[OPINIÃO] "Nunca é tarde para recordar o que é bom e os The Black Mamba merecem isso e muito mais"


A Grande Final do Festival Eurovisão 2021 aconteceu há precisamente um mês. Se é tarde para recordar? Quando as coisas são boas, especialmente no que a Portugal diz respeito, nunca é tarde para recordar. Ânimos calmos e desgostos curados, convido-vos a recordar comigo todas as atuações da Grande Final do concurso internacional deste ano.


É quase uma tradição de há vários anos recordar, dado o tempo suficiente para afogar as mágoas e curar os desgostos, o que foi visto na Final do Festival Eurovisão. Este ano, ao contrário de tudo o que poderia esperar, a temporada eurovisiva tornou-se numa das mais intensas que já vivi (só mesmo comparada com 2018) e isto levou a que prolongasse a escrita deste artigo. Agora poderão questionar-se: valerá a pena? Pensei o mesmo e a resposta foi imediata: vale. Quando as coisas são boas, vale sempre a pena recordar e, esta participação portuguesa no concurso em Roterdão, merece e terá de ser recordada durante vários anos.

Agora, antes de arrancarmos para a maratona de canções, que irei recordar segundo a ordem em que se apresentaram em palco (com excepção para "Love Is On My Side" que deixarei para o fim), quero fazer algumas menções a vários pontos extra-competição. Nota positiva para o quarteto de apresentadores, mas nota (quase) máxima para Nikkie que foi, sem dúvida alguma, a que mais se destacou. Destaque também para os vários interval acts que a produção neerlandesa nos presenteou, com apenas algumas críticas para a duração (e o baixo interesse... lamento) que teve o momento que juntou vários vencedores de anos anteriores. Mas deixemos estes pormenores e comecemos por recordar as canções que conseguiram chegar à Grande Final do Festival Eurovisão 2021!

E a fava de abrir o alinhamento calhou a Chipre, posição que me fez prever que, afinal, a classificação de "El Diablo" não havia sido tão elevada quanto esperava. A prestação de Elena Tsagrinou é poderosa do início ao fim, mas as comparações a vários sucessos de Lady Gaga ou à participação cipriota em Lisboa foram os principais adversários do país em palco... sem contar com este presente envenenado de abrir as atuações da noite. Para mim, merecia melhor que o 16.º lugar na classificação, mas fica o recado para Chipre: Por favor, mudem o chip!


Pela segunda edição consecutiva, a Albânia teve o karma de atuar no lugar que ninguém quer atuar: o 2.º lugar no alinhamento que, em mais de 60 anos de competição, nunca correspondeu à posição do vencedor da gala. Nunca escondi que "Karma" era uma das minhas canções favoritas e as mudanças para a atuação eurovisiva surpreenderam-me positivamente, com Anxhela Peristeri bastante segura durante toda a prestação. Contudo, tinha noção das limitações da canção a nível da classificação, e não me surpreendeu o 21.º lugar alcançado. Se merecia mais? Talvez não... Se gostaria que tivesse melhor resultado? Claro. 

De entre o lote dos 20 apurados apurados para a Grande Final, Israel foi o único país que não percebi a presença no lote de finalistas... e que continuo sem perceber. "Set Me Free" é uma canção que vai do agradável ao sofrido num piscar de olhos, mas admito que o título faz jus ao que sinto quando a ouço... Exageros à parte, não acho que tenha sido uma merecida finalista e, para mim, teria sido uma das últimas classificadas. Sobre a nota histórica? Set Me Free!

No quarto lugar do alinhamento, eis uma das maiores surpresas deste ano: Bélgica. "The Wrong Place" passou-me completamente ao lado até ao início dos ensaios em palco na Rotterdam Ahoy. E passou dos meus últimos... para os meus primeiros! E continua a subir. A presença de Geike Arnaert em palco é qualquer coisa de surreal e demonstra (mais uma vez) que o Festival Eurovisão merece (e merece muito) ter grandes nomes a subirem ao palco. No entanto, o público (e também o júri...) não concordaram e o grupo acabou por ficar no 19.º lugar da classificação geral. Um dos lugares mais injustos da noite... mas admito que fiquei feliz pela presença da Bélgica na Grande Final!

Volvido o Festival Eurovisão 2021, se há intérprete que merece ser destacada é Manizha, a representante da Rússia. Acusada de tudo e mais alguma coisa depois da vitória na final nacional (Ui que crime horrendo é vencer um concurso na Rússia) com uma canção de enaltecimento à mulher (Ui está a bater num ninho de vespas...), a cantora russa não se intimidou e levou tudo o que "Russian Woman" precisava para palco. E os olhares mais atentos verão que há muito mais "Russian Woman" em palco do que aquilo que parece, com claras mensagens socio-políticas para Moscovo... e para o Mundo. E quem é que diz que a política não tem lugar na Eurovisão? Acima de tudo, o palco do Festival Eurovisão é (e sempre foi e será) um palco de liberdade! Merecia muito melhor... Muito muito melhor! (Ok, registem isto: estou a defender um melhor resultado para a Rússia).

Vencedora do Festival Eurovisão Júnior, Destiny era a carta de trunfo de Malta para a tão esperada vitória no Festival Eurovisão. As expectativas estavam altíssimas (e exageradas) e logo após os primeiros ensaios, torci o nariz a uma vitória do país. "Je Me Casse" é uma canção divertida e descontraída, o que encaixava na perfeição à jovem cantor, mas a atuação deixou muito a desejar, especialmente comparando com o que haviamos visto no videoclip da canção. O sétimo lugar surpreendeu-me (muito em conta ao favoritismo com que chegou a Roterdão) mas, olhando agora para a classificação, não acho que tenha sido uma classificação injusta. Conselho para os amigos de Malta: o dinheiro que investiram (ou supostamente investiram) em apostas, podiam ter investido na atuação. Fica a dica.

Depois de Malta, eis chegado o momento de Portugal subir ao palco do Festival Eurovisão 2021 com "Love Is On My Side"... mas deixo os meus comentários sobre a participação dos The Black Mamba no final do artigo.

Fazendo jus ao nome do grupo, a Sérvia trouxe um verdadeiro furacão para o palco da Rotterdam Ahoy. E a Eurovisão precisa de canções como "Loco Loco" (e já agora, o Festival da Canção também): longe (mas longe mesmo) de ser uma das melhores canções da noite, a canção da Sérvia cumpriu o seu propósito que era animar todo o público presente. A energia das cantores foi um dos pontos fortes da prestação que talvez tenha pecado pela falta de cor em palco... Era das minhas canções favoritas e, na minha opinião, teria ficado acima na classificação. Mas percebo completamente...

Eis chegada a vez do Reino Unido... E por mais que eu queria falar bem da candidatura britânica, o país apenas colheu aquilo que semeou com sucessivas propostas muito aquém daquilo que a sua indústria apresenta quase diariamente. A atuação de James Newman não teve qualquer ponto de interesse (ainda me questiono para que raio serviam os trompetes gigantes!) e o cantor também esteve longe de estar confortável com a canção. Talvez os zeros pontos tenham sido exageros, mas esperemos que sirva de emenda para as próximas edições do concurso.

Verdade seja dita: "Last Dance", a canção da Grécia, é uma das mais datadas da edição e era óptima para um Festival Eurovisão do início do século. Mas é um dos meus maiores guilty pleasure da edição. A jovem Stefania esteve muito bem em palco e a prestação foi uma das mais interessantes do ano, o que se traduziu num resultado muito acima daquilo que alguma vez foi esperado para a canção... Mas a atuação esteve longe do seu potencial máximo, com o chroma a mostrar alguns problemas que não deveriam marcar presença num evento como o Festival eurovisão. No entanto, um óptima proposta da Grécia que relembrou os bons velhos tempos do país no concurso.

Apesar de ser consciente da qualidade de "Tout L'Univers", a canção da Suíça no Festival Eurovisão 2021, admito que é daquelas canções que não consigo ouvir todos os dias... e hoje é um dia não. Mas, tirando a qualidade e o gosto da canção da equação, ainda continuo confuso com a atuação que Gjon's Tears fez em Roterdão, não conseguindo perceber qual o objetivo de todas aquelas estruturas em palco. A única parte positiva que retiro é que calou as Mayas eurovisivas com as suas teorias da atuação ao piano. As Mayas continuaram por aí e a Suíça escalou merecidamente ao pódio da edição... mas no meu gosto pessoal ficou muito aquém.

Depois de ter sido um dos países mais prejudicados com o cancelamento do Festival Eurovisão do ano passado, onde claramente seria um dos primeiros classificados (e talvez o vencedor), a Islândia voltou a ter azar em 2021, com a delegação a ficar em isolamento devido a um caso positivo à Covid-19. Felizmente tal aconteceu depois do segundo ensaio individual e pudemos contar com a atuação em palco (ainda que pré-gravada) de Dadi Freyr e Gagnamagnid. E a atuação da Islândia não precisa de explicações, tendo tudo aquilo que "10 Years" pedia: diversão, descontração e três minutos de espetáculo. Era uma das minhas canções favoritas e o quarto lugar na classificação final encheu-me as medidas!

Diz a gíria e a tradição popular que de Espanha nem bom vento nem bom casamento: ultimamente no que diz respeito à Eurovisão, é caso para dizer que nem boa canção nem boa pontuação. E acho que nem é preciso adiantar muito no que diz respeito a Espanha... "Voy A Quedarme" não é das piores canções da Final, mas o que vimos em palco foi determinante para afundar (ainda mais) os resultados do país no Festival Eurovisão. O Blas Cantò (que não é assim um cantor de topo...) esteve longe do seu melhor, o excerto escolhido (gritaria pura) não foi o melhor e peço a vossa ajuda: alguém me explica a razão daquela lua gigante em palco? Infelizmente Espanha continua a falhar... e veremos até onde vão tantos falhanços ano após ano. Tive pena do resultado, mas infelizmente foi merecido...

Após ter provocado uma hiperglicemia a todos os eurofãs aquando da revelação do videoclip de "Sugar", a Moldávia surpreendeu ao apostar numa atuação bastante diferente do que era esperado... Acompanhada por quatro bailarinos, Natalia Gordienko fez apenas recurso a uma plataforma giratória, à sua sensualidade... e à voz de cantora de apoio que ficou escondida algures (UPS!). Brincadeiras (que não é brincadeira) à parte, a proposta da Moldávia fez jus ao que se propunha (e não era apenas acordar a Europa com aquele YROPE!) e conseguiu ser rainha e senhora dos memes eurovisivos. Momentos destes fazem falta... mas podem ficar um bocadinho abaixo na tabela classificativa, se faz favor.

"I Don't Feel Hate" prometia ser responsável por um dos momentos mais divertidos da edição: tentou mas não foi. A proposta da Alemanha, cuja mensagem facilmente seria adequadas para muitos eurofanáticos que se escondem atrás de anónimos e perfis falsos, acabou por falhar na atuação, tornando-se numa espécie de interval act ou num país que não está a concurso. E este último ponto parece ser norma entre (alguns) membros dos Big5: participar sem estar a concurso. Mas este desfecho era esperado, tanto a nível da atuação, pela dificuldade em transpôr o tema do videoclip para o palco, bem como a nível da atuação. Agora é esperar que a Alemanha acorde e volte a apostar em grande no próximo ano. Sobre a classificação? Pouco ou nada mudaria...

Outra das surpresas deste ano veio da Finlândia. Longe de ser das minhas favoritas, talvez por ser um dos géneros musicais que menos gosto, "Dark Side" subiu dos meus últimos lugares para um lugar intermédio com uma atuação que teve tudo (e era muito mesmo) o que a canção pedia. Teve força, teve fogo, teve entrega... e teve pontos. Muito mais do que os que esperava, admito. Pessoalmente não colocaria a Finlândia no top10 da edição, mas congratulo-me pelo júri e pelo público conseguirem reunir canções tão diferentes nos primeiros lugares da tabela. E outra nota positiva para a Finlândia que voltou a apostar na sua essência natural... e voltou a "ganhar".... Curioso para ver o lote de canções do UMK do próximo ano.

Logo após o cancelamento do Festival Eurovisão 2020 e a recondução de vários artistas para o concurso deste ano, um dos meus maiores receios foi a comparação entre os temas de 2020 e de 2021... E se a proposta da Bulgária em 2020 já não era totalmente do meu agrado, "Growing Up Is Getting Odl" está longe (muito longe) de ser das minhas favoritas. Acho que é uma boa canção, mas uma canção que tem um mood específico para ser ouvida: se não estás nele, não dá para apreciar. E é isto que me tem acontecido... Mesmo assim, admito que a atuação tem sido das que mais me cativaram depois da competição, apesar da pouca atenção prestada aquando do direto. Foi uma boa proposta da Bulgária, mas longe da qualidade e do poder que vimos em anos anteriores... 

E outro dos países que mais prejudicado foi com a comparação de 2020 e 2021 foi a Lituânia, ainda que os The Roop tenham sido selecionados através de uma final nacional... onde foram apurados diretamente para a Grande Final e venceram com larga distância. "Discoteque" é uma canção animada, divertida e um tanto irreverente. Contudo, um dos principais trunfos do grupo lituano perdeu-se entre 2020 e 2021: o factor surpresa. A comparação do tema com o seu antecessor, que era claramente superior, também prejudicou o resultado final da candidatura que, ainda assim, deu alguns dos melhores momentos do Festival Eurovisão 2021. Não me chocou o resultado, mas fiquei com pena dos The Roop não terem conseguido alcançar o melhor resultado de sempre do seu país...

Eis outro dos momentos do ano. A poderosa e polémica Ucrânia apostou em "Shum", tema interpretado pelos Go_A, para o Festival Eurovisão 2021, com o tema a tornar-se num dos mais icónicos da edição (e não só). Totalmente interpretada em ucraniano, a canção aliada à atuação bastante bem pensada consegue transportar todos os espectadores para o universo de "Shum", algo que muito muito raramente acontece. A peculiar voz da vocalista do grupo é outro dos pontos fortes da canção que, sem dúvida, merecia uma melhor avaliação do júri do que aquela que teve. Foi um dos melhores momentos do ano e outra das provas que a "verdade" das canções vale mais do que tudo o resto! Para mim, teria ficado no pódio da edição...

França seguiu-se no alinhamento com aquela que foi a minha canção favorita do Festival Eurovisão 2021: "Voilà". Francesa do início ao fim (talvez até demasiado francesa para o concurso em questão), a canção leva-nos aos tempos áureos da música francesa, com claras e notórias inspirações em Piaf. A Barbara Pravi conseguiu aliar a voz e a emoção à canção, fazendo das atuações mais marcantes e bonitas da história recente do concurso. Nunca acreditei que França pudesse ganhar, mas fiquei incrivelmente admirado e feliz com o segundo lugar alcançado na Grande Final. E eis outro exemplo que não é preciso inventar e importar canções e inspirações: basta apostar naquilo que realmente somos e sentimos e que nos faz diferentes uns dos outros. Foi bonito França, muito bonito!

Do Azerbaijão, eis chegado o flop da edição. Já era fã da canção do ano passado e, desde cedo, "Mata Hari" entrou para o meu lote de favoritas, antevendo uma nova presença azeri no top10 do Festival Eurovisão. Isto até ter visto o primeiro ensaio... Nada ali parecia funcionar: o staging era estranho, a coreografia desadequada para a canção, que perdeu a maioria do power em palco, e o carisma da Efendi era de dimensão semelhante à pontuação britânica no final da noite. Infelizmente mereceu a classificação que teve e foi uma das maiores desilusões do ano! 

Ainda que não fosse o meu favorito no Melodi Grand Prix 2021, TIX, o representante da Noruega, tornou-se outro dos fenómenos do Festival Eurovisão 2021, sendo responsável por inúmeros momentos virais nas redes sociais. E é muito mais que um mero cantor, com a mensagem que tentou passar a todos os seguidores do Festival Eurovisão a estar patente em "Fallen Angel", outra das canções que mais foi crescendo em mim durante as semanas eurovisivas. Não era fácil de entender, daí entender também a classificação que teve, mas depois de percebida, tudo fazia sentido na atuação... Foi outra das canções que cumpriu o seu propósito e tornou (ainda mais) especial o concurso deste ano.

Depois da vitória em Telavive e da aposta em "Grow" para 2020, os Países Baixos selecionaram Jeangu Macrooy para o Festival Eurovisão 2021 com "Birth of a New Age", a canção com um dos maiores cunhos étnicos da edição. Contudo, ainda que a canção não fosse das minhas últimas classificadas, a atuação atirou a proposta neerlandesa para os últimos lugares da minha classificação... Foram três minutos confusos e estranhos e, pelos vistos, não fui o único a ficar desiludido com a prestação dos Países Baixos... Tinha potencial para muito melhor e acabou por ser um grande Nada.

Ano após ano, Itália figura no topo das minhas preferências no Festival Eurovisão. Quase parece uma tradição: o meu favorito não vence o Festival di Sanremo, mas quem o vence torna-se num dos meus favoritos na Eurovisão. Este ano, ao contrário de todos os anteriores, nunca simpatizei com "Zitti e Buoni". Não que a ache uma má canção, mas passava-me ao lado, tal como aconteceu com a Bélgica... Contudo, depois da atuação na Grande Final, deu o click e pensei imediatamente: "Isto vai ganhar!". Desde então, "Zitti E Buoni" tem surgido várias vezes na minha playlist e ganhando lugares nas minhas preferências, percebendo cada vez mais a razão da vitória italiana. Se seria a minha vencedora? Não. Mas se foi um má vencedora? Muito pelo contrário. Além de ser uma vitória diferente de todas as anteriores, é a vitória da mudança e da qualidade, mostrando que o palco do Festival Eurovisão tem espaço para tudo. E o sucesso dos Maneskin pelo Mundo, poderá ser ainda melhor para os concursos dos próximos anos.

Se antes dos ensaios me falassem da proposta da Suécia em Roterdão, não hesitaria a dizer que poderia ser uma das surpresas na classificação final do Festival Eurovisão. Contudo, apesar das mil teorias para a tão desejada "sétima vitória sueca", o país tornou-se numa das minhas maiores desilusões do ano. Apesar de ser uma proposta praticamente igual (em fórmula vencedora não se mexe), o cantor não fez jus ao título da canção e "Voices" tornou-se num momento... aflitivo. Admito que não consegui assistir à atuação com a atenção com que assisti as anteriores e fiquei com muita pena de Eric Saade ou as The Mamas não terem sido os representantes suecos. Era uma excelente proposta (a versão estúdio continua na minha playlist)... mas um desastre em palco. Suécia Suécia, assim nem o júri te salva!

A terminar o alinhamento das canções na Grande Final, eis uma das surpresas do ano: São Marino. Digo surpresa porque o pequeno país de apenas 30 mil habitantes tem habituado a comunidade eurovisiva com joke entries e "Adrenalina" está longe das suas antecessoras. E antes de falar do fanatismo desenfriado com "Adrenalina" (ou até mais com o Flo Rida, apesar de nem sequer fazer ideia de quem o rapper era antes de março), admito que a canção era dos meus guilty pleasures do ano. Contudo, se muitos acharam que Flo Rida foi um ponto a favor, eu acho que a presença do rapper norte-americano acabou por ofuscar as atenções de Senhit e prejudicar, em muito, os resultados finais. E nem falo da classificação, apesar de colocar São Marino muito acima do resultado alcançado, mas sim de impacto, visto que a atuação acabou e soube a pouco... Acho que merecia melhor: uma melhor classificação (mas não para ganhar, credo) e uma melhor atuação.

E terminado o desfile das canções, eis chegado o momento de falar da participação de Portugal no Festival Eurovisão 2021.  Nunca escondi que "Love Is On My Side" não era a minha canção favorita para vencer o Festival da Canção 2021, mas, desde o primeiro momento, começou a ser a "minha" canção no concurso internacional. E não serei hipócrita: tinha consciência que as hipóteses dos The Black Mamba seriam reduzidas, tendo em conta o que haviamos visto em anos anteriores. Mas (e este MAS é bastante importante aqui) a participação de Portugal não foi igual às anteriores... A simplicidade da canção e o talento (gigante) da banda teve um trunfo que poucos (muito poucos) esperavam: o palco. Nada de exageros nem de show off: apenas e só o palco. O contar a história de "Love Is On My Side" através do palco do Festival Eurovisão deixou-me atónico desde o primeiro ensaio. Lembro-me de me arrepiar e pensar: "Terei sido só eu? O que aconteceu aqui? Foi impressão minha ou isto foi muito bom?". E foi muito bom... Foi e é muito bom. E sem falar na voz do Tatanka e do talento de toda a banda. Todos já o sabíamos, mas agora todo o Mundo ficou a saber!

Com o 12.º lugar na Grande Final, um dos melhores dos últimos anos (acho um tanto injusto comparar resultados com outros sistemas de votação) mas que acabou por ficar a saber a poucoos The Black Mamba poderão ter aberto uma porta que há muito estava fechada no Festival da Canção: a porta dos grandes artistas, artistas esses que há muito não vão ao Festival da Canção. É certo que as coisas têm mudado ao longo dos anos, mas nem sempre os artistas de renome se chegam à frente e vão ao concurso mostrar algo seu pela sua própria voz. Acho que tal mudará... e ainda bem!

E em jeito de rescaldo, "Love Is On My Side" entra também para a nossa história como uma das poucas participações que conseguiu unir toda a comunidade de fãs. Uma canção que (injustamente) não foi bem recebida por todos nos primeiros momentos (fanatismos descontrolados...), mas que acabou por unir toda a comunidade no Final. Admito que foi, ao longo destes anos eurovisivos, das poucas canções que me fez chorar em público. Porque mesmo não sendo em português, "já não andamos a rodar na roda antiga, nem a cantar nesta língua que é de mel e de sal" em alusão ao artigo do Festival da Canção, foi e é a nossa canção. E que orgulho foi ver Portugal tão bem representado no maior palco musical do Mundo. E que esta não seja uma participação isolada... Fica o desejo.

E eis, um mês depois da Grande Final, o meu top26 do Festival Eurovisão 2021:

1. França
2. Islândia
3. Ucrânia
4. Bélgica
5. Rússia
6. Portugal
7. Lituânia
8. Itália
9. Malta
10. Sérvia
11. Chipre
12. Suíça
13. São Marino
14. Noruega
15. Grécia
16. Moldávia
17. Bulgária
18. Finlândia
19. Albânia
20. Suécia
21. Espanha
22. Azerbaijão
23. Países Baixos
24. Alemanha
25. Israel
26. Reino Unido

Agora é tempo de fechar o ciclo de 2021, um ciclo muito especial para todos os eurofãs, e de olhar para o Festival Eurovisão 2022 que, ao longe, se aproxima a passos largos. E volto a deixar o apelo de sempre: deixem de lado as mágoas e as intrigas e aproveitem o melhor da Eurovisão. O misto de povos, de religiões, de culturas e de pessoas. A oportunidade de conhecer mais, de dar mais e de receber mais. Porque só assim vale a pena! Até à próxima... em terras italianas!

Nuno Carrilho

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Fonte: Opinião de Nuno Carrilho/Imagem/Vídeo: Eurovision.tv

7 comentários:

  1. Anónimo01:54

    No caso do Azerbaijão engraçado que para mim foi totalmente ao contrário. Quando ouvi achei muito fraca, não chegava nem aos calcanhares de Cleópatra e tinha um feeling que nem ia passar à final. Mas na Eurovisão surpreendeu-me pela positiva e achei logo que iria qualificar-se.

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    1. Anónimo13:45

      Èla foi muito boa ao vivo tenho pena que não tenha tido melhor resultado pois merecia mais que alguns que nem á final deviam ter estado

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  2. Jefferson Lamas11:00

    Esperei por esse post a muito tempo. Amei. Sobre a Holanda concordo. Tinha potencial para muito mais.

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  3. Anónimo13:41

    Não concordo nada com vários comentários aqui presentes não acho o Azerbaijan uma das piores nem acho que tenha sido um flop , tal como a Albânia mereciam top 10 . Nem que o Blás não é cantor de top , ele é um dos melhores no pais até onde já alcançou o primeiro lugar na parada de Álbuns Espanhóis.

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    1. Olá Jéssica

      Obrigado, antes de mais, pelo teu comentário. Que bom que é termos a oportunidade de ter opiniões diferentes sobre o mesmo assunto :)


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    2. Anónimo15:30

      De nada. Obrigado eu 🤗.

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  4. Anónimo17:26

    Excelente analíse como sempre (principalmente aos The Black Mamba)

    Venha 2022.!

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