[Rumo a Roterdão] Ali: "Sabia que tinha de deixar o Líbano para seguir os meus sonhos"



Ali é uma dos doze aspirantes a representar França no Festival Eurovisão 2021, tendo estado à conversa com o ESCPORTUGAL na rubrica Rumo a Roterdão, onde descreveu Lisboa como "uma das minhas cidades favoritas".


Depois da seleção interna de 2020, França regressa, este ano, às finais nacionais para a seleção dos seus representantes para o Festival Eurovisão 2021 com o Eurovision France, C'Est Vous Qui Décidez. O evento, que terá lugar esta noite, contará com 12 candidatos na corrida para representar o país em Roterdão. Depois do duo Pony X, Juliette Moraine e Philippine, o ESCPORTUGAL esteve à conversa com Ali na rubrica Rumo a Roterdão, onde falou da sua experiência na corrida eurovisiva.

"A minha carreira é muito pouco convencional, pois não fui feito para ser cantor e muito menos artista." começou por dizer-nos, recordando a sua vida no Líbano, "Cresci numa sociedade onde, para se ter sucesso, nos tínhamos de tornar médicos ou advogados. Formei-me em arquitetura de interiores mas sabia que tinha de deixar o Líbano para seguir os meus sonhos. Terminei os meus estudos em Milão e, finalmente, mudei-me para Paris, onde comecei a trabalhar na indústria da moda. De facto, enquanto trabalhava na minha música, acabei por lançar a minha primeira coleção de pronto-a-vestir, com o nome de Zalzali. Quanto à música, sou uma pessoa mais autodidata e esta é a primeira vez que partilho a minha música com o resto do mundo. É tão emocionante!".

E as primeiras memórias eurovisivas de Ali remontam ainda ao tempo em que vivia no Líbano, recordando o ano de 2005, quando o país esteve perto de fazer a sua estreia no Festival Eurovisão: "Quando ouvi falar pela primeira vez do Festival Eurovisão, ainda morava no Líbano. Estávamos em 2005 e uma artista libanesa, Aline Lahoud, deveria, supostamente, ter competido mas, infelizmente, acabou de fora do concurso. Já tive visões minhas a fazer isso mas nunca na vida pensaria que, realmente, estaria tão perto de o fazer!" recordou, garantindo que entrou no concurso para passar uma mensagem, "Demorei muito tempo a ter a confiança e a coragem necessárias para partilhar os meus projetos musicais. Conheci a banda Hyphen Hyphen. Eles ficaram tocados com a minha história e quisemos colaborar uns com os outros para contá-la ao mundo. Agora, estou pronto. Há coisas que preciso de dizer e mensagens que quero enviar. E que melhor maneira de partilhar a tua canção do que no maior palco musical do mundo? ".

No palco do Eurovision France, C'Est Vous Qui Décidez, Ali defenderá "Paris Me Dit (Yalla Ya Helo!)", canção que retrata a sua história: "A minha canção “Paris Me Dit (Yalla Ya Helo!)” é, antes de tudo, a minha história, a história que estou a contar. O seu título significa “Paris diz-me “vem aqui, bonito””. Partilho as dificuldades pelas quais passei, as guerras e as bombas às quais sobrevivi e como a França abriu os seus braços para mim. Nunca desisti, não importa o que encontrei pelo caminho para me impedir. A minha canção é uma canção de esperança e amor. Penso que, hoje, precisamos um pouco mais disso no mundo. Somos pessoas bonitas. Quero que todos dancemos nos tempos difíceis porque, se não fizermos, nunca iremos ultrapassá-los. ".

Questionado sobre a atuação no palco do concurso, o artista garante "que terá algo que reflete o sentido da canção e a história que conta, mas não posso contar muito mais", descartando a possibilidade de pensar no que mudará se ganhar o concurso, "Se ganhar… Não, esperem… Quando eu ganhar… Vamos canalizar os poderes do universo para a seleção nacional francesa. O resto será como se fosse uma surpresa!".

O regresso de França às finais nacionais foi, para o artista, uma agradável surpresa: "Estou muito feliz com a ideia de ser o público a escolher quem quer que os represente. Estou a dar tudo o que tenho e a preparar tantas surpresas maravilhosas para dar o melhor! Escolham-me! Escolham-me!" apelou, garantindo que a falta de grandes resultados de França nos últimos anos deveu-se a um único factor, "Ainda não me tinham...".

A possibilidade do Festival Eurovisão 2021 ser realizado sem público presente e/ou com atuações pré-gravadas nos países de origens terá grande impacto na preparação, mas Ali prefere ver o "copo meio cheio": É óbvio que muda completamente a atmosfera. A energia de um público ao vivo é sempre mais forte. Infelizmente, neste momento, tudo funciona de forma diferente. Mas, para ser sincero, fico feliz que, mesmo sem público, possa partilhar aquilo que tenho de partilhar com o mundo. Mesmo que seja por via digital, pelo menos, ainda o podemos fazer. ".

No final da conversa, desafiamos Ali a falar sobre Portugal e as recordações saltaram imediatamente: "Como é possível esquecer aquela deslumbrante atuação de Salvador Sobral, em 2017? Chorei, de certeza, durante 10 minutos, embora não tenho percebido uma única palavra! " frisou, recordando também as suas viagens a Lisboa, "Lisboa é uma das minhas cidades favoritas na Europa. As pessoas são tão amáveis e acolhedoras. Para além disso, sou um grande foodie, adoro isso em Lisboa! O Mini Bar, de José Avillez, é o meu restaurante favorito de todo o mundo! ".

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Fonte: ESCPORTUGAL /Imagem: Google / Vídeo: Youtube

1 comentário:

  1. Anónimo21:38

    Espero que ele vai estar na Eurovisão este ano. Seria uma injustiça monumental caso ele não for escolhido!

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