[ZONA DE DISCOS #126] Lordi - "Killection (A Fictional Compilation Album)"

Todas as semanas no ESCPORTUGAL, a crítica aos álbuns editados por artistas que participaram no concurso Eurovisão da Canção e/ou seleções nacionais ao longo dos anos. 
Esta semana, a análise recai no novo disco dos Lordi.
O responsável da rubrica é Carlos Carvalho.


Lançamento: 31 de janeiro de 2020
Nota: 8,5/10
Já por diversas vezes elogiámos a peculiar criatividade de Mr. Lordi - ‘Zona de Discos #50, por exemplo -. Se essa característica tem sido muita negligenciada nas análises dos críticos, descuidado tem também sido o devido reconhecimento no que diz respeito à destreza técnica e do titânico espírito de sacrifício e “amor à camisola” que manter um projeto assente num imaginário à escala dos monstros finlandeses implica.
Por outro lado, a comunidade eurovisiva também não estará porventura ao corrente do sucesso contínuo e gigantesco que os vencedores em Atenas têm tido. Basta uma rápida pesquisa pelas fotos dos concertos de 2019 para ficarmos abismados com as vastíssimas audiências em inúmeros concertos por toda a Europa. Concertos que nada têm que ver com a Eurovisão, um público que – pelo menos teoricamente – até é bastante hostil ao fenómeno eurovisivo (partindo do princípio que sabem do que se trata), mas que em nada tem inibido Mr. Lordi de demonstrar o seu entusiasmo e agradecimento pela Eurovisão. Para além de um monstro criativo, temos um monstro com carácter.
A discografia da banda finlandesa tem sido regular e antes de “Sexorcism” completar dois anos, temos “Killection”. Este não é propriamente um novo álbum, pois trata-se de uma compilação. Um “best of” que recupera temas do extremamente bem- sucedido álbum “People of the day” (1982), ou do criticamente aclamado “Nice Device” (1991), não esquecendo o campeão de vendas “Hugger”, de 1987. Álbuns monstruosos que jamais alguém ouviu falar, nem os próprios Lordi. Confusos? Bem,  “Killection” é uma compilação ficcional, cujos temas assentam nas roqueiras sonoridades que estavam em voga nos anos 70, 80 e início dos anos 90. Se isto por si só eleva o conceito de criatividade a um outro patamar, a sua ideia prende-se com uma insatisfação artística que pode ser vista e ouvida na entrevista que colocamos no final desta análise. “Killection” nasce de uma frustração comum a muitas bandas, quando as editoras rejeitam determinados temas porque essas faixas iriam destoar do “som daquele álbum”. Se não podes derrubar um problema, contorna-o. Assim, temos um álbum com temas originais e que soam imensamente diferentes uns dos outros sem comprometer o tal som, até porque estamos perante uma compilação.
A nível melódico, os Lordi estão mais fortes do que nunca - oiçam o single  “I Dug A Hole In The Yard For You” – não esquecendo o peso provocado pelas guitarras – “Shake the Baby Silent” ou “Apollyon”.
Um dos grandes marcos do álbum é indubitavelmente “Like A Bee To The Honey”, escrito pelo vocalista dos Kiss Paul Stanley, com Jean Beauvoir. Para quem anseia há anos por novo material dos Kiss, tem aqui uma oportunidade. Esta parte é mesmo verdade, não é ficção.
“Killection (A Fictional Compilation Album)” atingiu, para já, o número 8 na Finlândia, #13 na Alemanha, #24 na Suiça e #28 na Hungria.

Vídeos promocionais
I Dug A Hole In The Yard For You

Like A Bee To The Honey


Shake The Baby Silent


Alinhamento
Radio SCG 10
Horror for Hire
Shake the Baby Silent
Like a Bee to the Honey (feat. Michael Monroe)
Apollyon
Scg10 the Last Hour
Blow My Fuse
I Dug a Hole in the Yard for You
Zombimbo
Up To No Good
SCG10 Demonic Semitones
Cutterfly
Evil
Scream Demon
Carnivore (Vinyl Bonus)
SCG10 I Am Here

Tema destacado por Carlos Carvalho: “I Dug a Hole in the Yard for You” e “Zombimbo”



A ver

Lordi Interview Mr. Lordi About "Killection" @ Icehall Helsinki, Finland 13.12.2019


Pode ouvir o disco AQUI.
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Fonte: OPINIÃO CARLOS CARVALHO / Imagem: GOOGLE / Vídeo: YOUTUBE

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