Todas as semanas no ESCPORTUGAL, a crítica aos álbuns editados por artistas que participaram no concurso Eurovisão da canção e/ou seleções nacionais ao longo dos anos. Esta semana o destaque vai o mais recente disco de Sara Tavares.
 O responsável da rubrica é Carlos Carvalho.
Data de lançamento: 27 de outubro de 2017

Nota: 8/10

O dia 27 de outubro de 2017 foi rico em novos lançamentos de veteranos eurovisivos. Na semana passada, demos conta do último disco de Michael Ball (Reino Unido, 1992) que acabou por ocupar o #1 do top britânico. Em Portugal, o dia 27 foi também importante e com semelhante sucesso na tabela de vendas. “Fitxadu”, o último disco de Sara Tavares, entrou diretamente para o #2 do top nacional, conseguindo, para já, manter-se no top 10 por três semanas (#2; #8; #6).

“Fitxadu” é um termo crioulo cabo-verdiano que significa “Fechado”. E o que se fecha com este novo disco? Fecha-se, segundo a própria Sara (ver vídeo abaixo), um ciclo, talvez o ciclo de levar muito tempo sem fazer um disco (recorde-se que o último álbum foi “Xinti”, que saiu em 2009). Mas se se fecha um ciclo nas longas pausas editoriais, abre-se um outro a nível sónico. Em “Fitxadu”, mais do que nunca, Sara Tavares abraça a eletrónica como ornamento às suas composições, adicionando, assim, ao seu conhecido afro-pop-soul, o prefixo eletro. Para além disso, e à semelhança do que se passa no atual mundo da música, nos mais variados quadrantes, o disco está repleto de colaborações no terreno da composição e produção, como, por exemplo, Princezito, Kalaf Epalanga, Toty Sa'Med, Manecas Costa e Bilan.

Mas as tendências da moda terminam aqui, na eletrónica e no vasto leque de colaboradores. Aliás, de novo segundo Sara Tavares, este foi um disco feito com “cheiro a mofo”, mofo no sentido em que a música foi gravada tal como se fazia outrora, com muita alma. Bem, outra postura não seria de esperar da miúda que, aos 16 anos de idade, não cedeu à tentação de construir uma carreira a reboque do sucesso pop alcançado no “Chuva de Estrelas” (1994) e com “Chamar a Música” (1994), e se o impacto de “Mi Ma Bô” (1999) e “Balancê” (2005) foram megalómanos, não foi por Sara chamar o sucesso comercial, mas sim pelo facto do sucesso comercial chamar pela Sara. Chamou-a porque a crítica foi unânime em reconhecer a particularidade e o valor de uma artista que constitui um dos motivos de orgulho da música portuguesa a nível internacional no século XXI. É a continuidade desta genuinidade e verdade artísticas que testemunhamos em “Fitxadu”, desde a moderna e mística introdução em “Onda de som”, passando pelos singles “Coisas bunitas” e “Brincar de casamento” (com a participação de Toty Sa'Med). O alinhamento leva-nos ainda para influências africanas mais assumidas, como em “So sabi” e “Ginga”, devolvendo algum protagonismo à electrónica em “Txom Bom”, fazendo um convite às palmas e à dança em “Fitxadu”, até chegarmos a “Flutuar”, o momento mais orgânico do disco.

“Fitxado” é um álbum para ser degustado com calma, uma calma que não nos impede de termos uma intuição imediata de estarmos perante um dos melhores discos nacionais de 2017 e que muito provavelmente irá figurar em algumas listas dos melhores discos portugueses do ano.

Tracklist
1. Intro - Onda De Som
2. So Sabi
3. Ginga
4. Coisas Bunitas
5. Filingadu
6. Brincar De Casamento
7. Ter Peito E Espaço
8. Txom Bom
9. Fitxadu
10. Para Sempre Amor
11. Flutuar
12. Coisas Bunitas (iZem & Karlos Rotsen Remix)



“Coisas Bunitas” (o primeiro single): 


 “Brincar de Casamento” ft. Toty Sa'Med (o segundo single):



 Tema destacado por Carlos Carvalho: “A onda”:



 A ver: “Sara Tavares lança novo disco "Fitxadu"...”  

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Fonte: OPINIAO CARLOS CARVALHO / Imagem: GOOGLE / Vídeo: YOUTUBE

1 comentário(s):

  1. Anónimo21:54

    Hmm... Não sou fã das facadas que a Sara e companhia dão na Língua Portuguesa... pobres sílabas tónicas (por exemplo)... Mas até gosto do som de algumas das suas canções. Ao ouvir "Brincar de casamento", lembrei-me de "Fala-me de amor" dos Santos e Pecadores...

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