“Quem tem medo de Virginia Woolf?”, clássico dos anos 60 do norte-americano Edward Albee, tem agora uma versão protagonizada por Alexandra Lencastre e Diogo Infante. O ESCPORTUGAL esteve na estreia no Porto. 

Alexandra Lencastre e Diogo Infante são Martha e George nesta versão de um dos maiores clássicos contemporâneos da dramaturgia norte-americana, assinado por Edward Albee (falecido há precisamente um ano). Trata-se de um dos thrillers psicológicos mais famosos de sempre, alvo de múltiplas versões e adaptações, a mais célebre protagonizada nos anos 60 por Elizabeth Taylor e Richard Burton, também no cinema onde foi vencedor de cinco Óscares, entre os quais o de melhor atriz. A peça mantém-se, contudo, intemporal até aos dias de hoje. 


O ESCPORTUGAL esteve na estreia da peça no Teatro Nacional de São João, no Porto. E pudemos comprovar que esta é uma das raras ocasiões onde a interpretação, o desempenho e a produção combinam em palco perfeitamente. Alexandra Lencastre, uma das atrizes mais conceituadas e com créditos firmados no nosso país, não deixa por mãos alheias mais este papel, ao incorporar de forma brilhante Martha. Diogo Infante, como George, encaixa com Alexandra cada centímetro de um casamento aparentemente ineficaz e amargurado. 



George e Martha, o casal gladiador, regressam a casa, de madrugada, vindos de uma festa na universidade onde George dá aulas. O pai de Martha, diretor da universidade, apresenta o novo corpo docente, do qual faz parte um novo professor Nick (aqui desempenhado pelo ator José Pimentão), que está acompanhado pela sua mulher (Lia Carvalho). Quando os convidados chegam, George e Martha discutem. No início o jovem casal manifesta algum desconforto, mas à medida que a noite avança e o álcool começa a surtir efeito, deixam-se envolver no mundo tumultuoso e perturbador dos anfitriões. O que começa como uma noite de jogos e brincadeiras transforma-se, rapidamente, num monstruoso duelo psicológico entre George e Martha, com inevitáveis repercussões nos convidados. 



Tendo, então, como ponto de partida essa festa com muito álcool “Quem tem medo de Virginia Woolf?” é o jogo mais perverso, mais viciosamente desagradável, mais incrivelmente angustiante no cânon americano. “Você não tem limites nenhuns?”, pergunta, às tantas, Nick. De facto, Martha e George não têm limites, vivendo um drama tumultuoso e selvagem que exalta as suas misérias como casal, exibindo perante estranhos uma brutal sessão de discussão que atinge níveis tão duros e perversos que consegue com que o público se sinta intrinsecamente ligado à história ficcionada mas que aqui, graças aos excelentes desempenhos deste quarteto, consegue transformar-se em algo tão real. 



Esta obra teatral caracteriza-se por uma linguagem forte num retrato posto a nu de duas personagens que se amam, odiando-se. Insultos que dão lugar a violência. Uma violência que quase não tem a ver com contacto físico, mas verbal. Todas as personagens são vítimas e culpadas ao mesmo tempo. Martha, George e o jovem casal de convidados. Todos guardam segredos. E a sua frustração e miséria os fazem atacar sem dó nem piedade quem está mais perto, fazendo-os responsáveis pelo pior das suas vidas. 



Mas o guião de “Quem tem medo de Virginia Woolf?” tem muito mais que miséria e violência verbal. Entre os valores que pretende transmitir, está também a amizade e o amor pelo próximo. O cenário é simples, mas o espectador não consegue tirar os olhos dos protagonistas, com interpretações de outro mundo. Estes entregam-se aos respetivos papéis de modo a alcançar a excelência, transmitindo um sem número de emoções que muito poucas vezes é conseguido no teatro com tanta precisão: raiva, dor, confusão, amargura, fragilidade, ódio, desespero… um cocktail que chega a alcançar temperaturas quase insuportáveis levando o espectador a sentir-se incomodado. 



Mais de duas horas depois, o público pôde respirar de alívio… o final não contamos: a peça irá continuar em cena no Teatro Nacional de São João, no Porto, até 24 de setembro. A digressão já inclui datas em Estarreja, Loulé, Figueira da Foz, Setúbal, Águeda, Bragança e Oliveira do Bairro. 

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Fonte: ESCPORTUGAL / Imagem: FORÇA DE PRODUÇÃO

1 comentário(s):

  1. Anónimo16:35

    Adoro ambos. Quero ver em Loulé

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