Sérgio Godinho e Jorge Palma, dois artistas incontornáveis na história da música portuguesa contemporânea, foram os protagonistas de mais um concerto lotado e, com eles, as canções, os sons e os tons que todas as gerações sabem de cor. O ESCPORTUGAL esteve no parque ribeirinho de Amarante na noite passada.


Em 1975 participaram no Festival da Canção e, desde então, os seus caminhos nunca mais se distanciaram muito. Apesar de terem toda uma vida de carreiras a solo, quando, em 2015, decidem iniciar uma série de concertos em conjunto e gravar um CD, a experiência em duo não foi de todo estranha. Tal como não foram estranhas as canções que cantaram na noite passada em Amarante, perante o recinto da frente ribeirinha da cidade completamente lotado. Esta dupla tem, mesmo, esse mérito de juntar várias gerações num espetáculo só, com muitas vozes a repetirem as canções como se de um grande coro se tratasse. Afinal, são mais de 40 anos de carreira de ambos os músicos e é impossível ficar indiferente a temas como Dá-me lume, Elixir da eterna juventude, Frágil ou Deixa-me rir… precisamente o tema que, em Amarante, foi o mais aplaudido e cantado pelo público. O ESCPORTUGAL transmitiu em direto um dos temas ao vivo, como pode recordar AQUI.

Juntos foi o título mais adequado para este concerto. Juntos porque cantaram em conjunto temas intemporais. Juntos, porque cantaram em dueto canções, ora de um, ora de outro, sem olhar de quem era a voz original do tema. Juntos, porque mostraram uma cumplicidade em palco que trespassa a mera relação profissional. Juntos, porque apesar de terem tido carreiras independentes, há temas de um que poderiam ter sido perfeitamente cantados originalmente pelo outro, e vice versa. Juntos, porque deram uma nova roupagem aos temas, transformando alguns dos mais antigos em atuais.

Passavam dez minutos das 22 horas e eis que os dois senhores entram em palco. Lá em baixo foi o tema de abertura. De forma descontraída e muito bem-disposta cantaram o tema, mostrando desde logo que as duas horas que se seguiriam seriam descomprometidas e leves.

Foram mais de duas dezenas de canções, cantadas ao piano, à guitarra ou simplesmente em pé de frente para o público. E apesar do recinto ter alguns milhares de pessoas, Godinho repetiu “estamos aqui tão bem, isto parece uma sala de estar”. O público correspondeu a cada acorde, ora cantando, ora batendo palmas, ora simplesmente ouvindo as letras que marcaram diferentes épocas da sociedade portuguesa, algumas não deixando de ter um cunho de intervenção. Trouxeram para o palco a história de Portugal através das canções Conquistadores e Portugal, Portugal. Passaram por Mudemos de assunto. Lembraram a primeira canção que gravaram juntos, Na terra dos sonhos, em 1979. E dedicaram a canção Dancemos ao Mundo aos emigrantes e refugiados que estão separados, por culpa de uma sociedade que não aceita as diferentes ideologias. Minha senhora da solidão, , O lado errado da noite, Quem és tu de novo?, A noite passada, O acesso bloqueado, O primeiro dia… foram outros temas ouvidos. A acompanhar a dupla, seis músicos de seus nomes João Cardoso, João Correia, Nuno Lucas, Nuno Rafael, Sérgio Nascimento e Pedro Vidal.

Depois de encore, e perante a insistência do público, eis que todos regressam ao palco, não com um, mas com quatro novos temas: Espalhem a notícia, Canção de Lisboa, Liberdade e A gente vai continuar. E continuaram mesmo: o público exigiu e novo regresso ao palco com Encosta-te a mim e Bairro do amor.


O concerto de Jorge Palma e Sérgio Godinho esteve integrado na iniciativa “Palcos de Verão” organizada pelo Município de Amarante, promovendo diversas noites de boa e diversificada música de acesso gratuito. Artistas como Dengaz, Marco Rodrigues, Leopardskin, Bombs and Bullets estão a passar pelos palcos do centro da cidade, mas também orquestras, grupos de folclore e de música tradicional.


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Fonte: ESCPORTUGAL / e imagem: ESCPORTUGAL / Vídeo: FACEBOOK ESCPORTUGAL

6 comentário(s):

  1. Rui Ramos15:07

    São uns senhores

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  2. Anónimo15:15

    Não sou fan, mas reconheço que fazem parte da história da musica portuguesa

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  3. Anónimo15:25

    Bom texto

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  4. Ricardo Alves17:33

    Não gosto de nenhum dos dois. Acho que fazem um frete a cantar, especialmente o Godinho.

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  5. Em 1975 a RTP nao ousou levar ao ESC "A boca do lobo"por Carlos Cavalheiro e de autoria de Sergio Godinho.Teria sido totalmente diferente do resto,na minha opiniao para melhor,na epoca muito moderna e com sonoridade bastante vanguardista."O pecado capital"por Jorge Palma e Fernando Girao tb era boa.

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  6. Anónimo21:44

    Amarante, minha terra (f)

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