Luís Marinho despediu-se da RTP com palavras duras: “A RTP é hoje uma empresa dos anos 80 do século passado”.
Luís Marinho, que foi administrador da RTP e diretor de informação da televisão pública, despediu-se ontem da empresa com uma carta aos colegas de trabalho cheia de críticas contra a administração, direcção de informação e conselho consultivo.
Na carta que escreveu aos trabalhadores da RTP, Luís Marinho diz que “do ponto de vista organizativo, a RTP é hoje uma empresa dos anos 80 do século passado, com direções para todos os gostos, a que se juntam ainda mais directores disfarçados de consultores. Voltámos ao tempo das ‘capelinhas’, num evidente objectivo de dividir para reinar".
Sobre a televisão, Marinho faz o seu balanço: “No caso concreto do canal 1, se excluirmos a ‘pesada herança’ de anteriores direcções – o ‘famigerado’ futebol e o grande entretenimento com formatos estrangeiros – o que prende a atenção dos públicos? Sim, falo de audiências”.
A conclusão do ex-administrador e ex-diretor é que “a RTP caminha a passos largos para a total irrelevância, em nome de uma suposta qualidade que talvez alguns amigos consigam vislumbrar”. Marinho lembra um artigo de Martin Wolf no Financial Times em que, sobre a BBC, o jornalista afirmava: “o operador de serviço público é propriedade do povo e não de uma elite”. O ex-diretor diz que o recado de Wolf “aplica-se perfeitamente” aos “atuais governantes da RTP”. 'Incapazes de desenvolver a fórmula de outro dirigente da BBC – ‘fazer com que o bom seja popular e o popular seja bom’ – os responsáveis da programação de televisão oscilam entre a produção de séries para minorias, em prime-time, e a de indigentes programas de day-time, de que o exemplo mais recente é o denominado “Praias Olímpicas”, escreve Marinho, que diz perceber bem “a razão do afastamento de profissionais experientes e competentes, pela sua incapacidade de cometer semelhantes atentados ao bom gosto e à inteligência dos espectadores”.
Fonte: Sol / Imagem: Portal dos Programas
