O diretor do Festival Eurovisão, Martin Green, esclareceu que a Austrália não necessita de receber um convite anual para participar no concurso, sublinhando o caráter único da presença australiana na competição.
Durante uma visita à Austrália, Martin Green, diretor do Festival Eurovisão, concedeu uma entrevista exclusiva ao Aussievision, na qual abordou vários assuntos relacionados com o futuro do país na competição, a relação com a União Europeia de Radiodifusão (EBU/UER) e a expansão da marca Eurovisão para o continente asiático.
Uma das principais revelações diz respeito ao estatuto de participação da Austrália. Apesar de o país integrar o Festival Eurovisão através de um convite especial, Martin Green esclareceu que a emissora pública SBS não necessita de receber uma nova autorização todos os anos, sendo a continuidade da participação considerada o cenário habitual. "Na verdade, cabe à SBS dizer-nos um dia: 'Este ano vamos ficar de fora'", explicou o responsável.
Martin Green destacou ainda o caráter excecional do acordo estabelecido com a Austrália, considerando pouco provável que venha a existir uma situação semelhante no futuro. "A SBS é absolutamente única e, pessoalmente, não acredito que voltemos a ver um caso semelhante", afirmou, recordando a longa ligação do país ao Festival Eurovisão, que começou várias décadas antes da sua estreia enquanto concorrente, em 2015.
As declarações surgem numa altura em que o Canadá se prepara para estrear-se no Festival Eurovisão 2027, após a CBC/Radio-Canada ter adquirido o estatuto de membro de pleno direito da EBU, ao contrário da situação particular da emissora australiana.
A possibilidade de uma vitória australiana também foi abordada na entrevista, nomeadamente no contexto da participação de Delta Goodrem no Festival Eurovisão 2026, em que alcançou o quarto lugar com "Eclipse". Martin Green revelou que não existiram conversações antecipadas entre a EBU/UER e a SBS sobre uma eventual organização do concurso, explicando que a emissora australiana não quis antecipar um resultado favorável.
Ainda assim, o responsável elogiou a capacidade de produção televisiva e de organização de grandes eventos da Austrália, considerando que o país teria condições para realizar uma excelente edição do Festival Eurovisão. Sublinhou também que a EBU dispõe de procedimentos estabelecidos para iniciar os preparativos da edição seguinte imediatamente após a divulgação do vencedor.
Outro dos temas em destaque foi a possibilidade de a Austrália participar na Eurovision Song Contest Asia, cuja primeira edição está agendada para 14 de novembro, em Bangkok, na Tailândia. Martin Green não excluiu essa hipótese, esclarecendo que uma eventual participação dependeria essencialmente da decisão da SBS.
Contudo, o diretor do concurso defendeu que o Festival Eurovisão europeu continua a ser o espaço mais natural para a Austrália, considerando que a identidade musical australiana está particularmente associada ao modelo da música pop ocidental. Segundo explicou, os diferentes concursos da marca Eurovisão são cada vez mais definidos pelas respetivas culturas musicais, e não apenas por critérios geográficos.
Por fim, Martin Green abordou os preparativos para o Festival Eurovisão 2027, que terá lugar em Burgas, na Bulgária, entre 11 e 15 de maio. O responsável revelou que estão a ser estudadas soluções para facilitar as deslocações dos fãs australianos, incluindo o reforço das ligações aéreas e terrestres através de Sófia e Istambul, bem como a disponibilização de mais opções de alojamento.
A Austrália estreou-se no Festival Eurovisão em 2015, tendo como melhor resultado o 2.º lugar em 2016, ano em que foi representada por Dami Im e "Sound of the Silence". Em Viena, Delta Goodrem representou o país com "Eclipse": depois do 3.º lugar na semifinal, a canção ficou em 4.º lugar na Grande Final com 287 pontos, fruto do 2.º lugar no júri (165) e o 9.º no televoto (122), tendo recebido 4 pontos do público português.

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