O jornal sueco Aftonbladet avança que o orçamento do Festival Eurovisão Ásia sofreu um corte de 10 milhões de euros e que a equipa de produção do evento foi dispensada a poucas semanas da estreia.
A primeira edição do Eurovision Ásia, agendada para 14 de novembro, em Bangkok, na Tailândia, está a enfrentar uma grave crise financeira. Segundo informações avançadas esta quinta-feira, 22 de outubro, pelo jornal sueco Aftonbladet, a União Europeia de Radiodifusão (EBU/UER) terá aprovado uma redução significativa do orçamento do evento, enquanto praticamente toda a equipa internacional de produção foi dispensada.
De acordo com a publicação sueca, a organização terá sido obrigada a cortar cerca de um milhão de dólares (aproximadamente 10 milhões de coroas suecas) ao orçamento inicialmente previsto de 4,5 milhões de dólares, representando uma redução de quase 25%. A decisão surge a menos de quatro semanas da realização do espetáculo, colocando em causa a dimensão da produção e levantando dúvidas sobre a concretização do concurso na data anunciada.
Os cortes financeiros terão também levado à dispensa de praticamente toda a equipa internacional contratada para a produção do evento. Inicialmente, a Voxovation, empresa responsável pela organização do Eurovision Ásia, tinha assegurado a colaboração de profissionais internacionais especializados em cenografia, iluminação, som, grafismo e produção televisiva. Contudo, segundo o Aftonbladet, a organização deixou de ter capacidade financeira para suportar as viagens, o alojamento e as restantes despesas destes profissionais, optando por substituí-los por equipas locais tailandesas e por uma solução técnica mais simples.
A situação representa um contratempo para um projeto apresentado oficialmente em maio, durante o Festival Eurovisão da Canção 2026, em Viena. Na altura, Peter Settman e Christer Björkman surgiram como duas das principais figuras por detrás da iniciativa, que pretende adaptar o conceito do Eurovision ao mercado asiático. O projeto era também encarado como uma nova oportunidade para ambos, depois do insucesso do American Song Contest, realizado nos Estados Unidos.
Entretanto, a estrutura de liderança da Voxovation sofreu alterações importantes. Peter Settman abandonou o cargo de diretor-executivo da empresa durante o verão, alegando motivos pessoais. Em declarações ao jornal sueco, o produtor sueco esclareceu que deixou a empresa no início de julho e que, desde então, não tem qualquer envolvimento na sua gestão.
Segundo o jornal, Settman também terá deixado de ser um dos principais acionistas da Voxovation, cuja maioria passou a ser controlada pelo empresário tecnológico RJ Phillips, ligado à fundação da plataforma OnlyFans. O empresário é atualmente proprietário da rede social Zoop, principal patrocinadora do Eurovision Ásia e também parceira do Festival Eurovisão da Canção europeu.
Apesar das mudanças, Christer Björkman deverá continuar a desempenhar as funções de produtor do concurso. O Aftonbladet tentou contactar o responsável sueco, mas não conseguiu obter declarações.
Outro dos aspetos que poderá ser afetado pela instabilidade financeira é o desenvolvimento de um novo sistema de votação. Segundo fontes citadas pela publicação, o Eurovision Ásia deveria servir como experiência para um modelo de votação predominantemente online, que a EBU gostaria de implementar futuramente no Festival Eurovisão da Canção europeu.
Confrontado com as informações, Martin Green, diretor do Festival Eurovisão da Canção na EBU, não desmentiu os cortes orçamentais nem a substituição dos profissionais internacionais, mas procurou transmitir confiança na organização do evento.

Sem comentários
Enviar um comentário