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Como o streaming de música está a moldar a cultura moderna

 Uma imagem com pessoa, Cara humana, vestuário, rapariga

Os conteúdos gerados por IA podem estar incorretos.

Já esperou pelo lançamento de um CD ou então passou horas para gravar uma cassete com as suas músicas favoritas? Com o streaming de música, isso já não é uma necessidade. Na verdade, os mais novos podem nem sequer conhecer estes objetos.

Seja através do Spotify, da Apple Music ou até do YouTube Music, em apenas alguns segundos pode ouvir os seus artistas favoritos, sejam eles o Bad Bunny, a Billie Eilish ou o Slow J. Todos eles estão disponíveis imediatamente no seu bolso.

É verdade. As plataformas de streaming transformaram não só a forma como consumimos música, mas também como este mercado molda por completo tendências e identidades.

Apesar do crescimento das receitas das editoras ter abrandado para 6% em 2024, o número de subscritores de streaming continuou a disparar globalmente. Nesse mesmo ano foram adicionados 85 milhões de utilizadores, elevando o total para cerca de 818 milhões, constituindo um aumento de 12% face a 2023.

Se não prescinde de música no seu dia, então venha perceber como a revolução sonora não só está a redefinir hábitos de consumo, como também enfrenta novos desafios e se afirma como uma peça central na cultura digital.

O nascimento do streaming e o fim da era física

Durante décadas, a música esteve associada a objetos físicos. Discos de vinil, cassetes ou CDs que enchiam prateleiras. Atualmente, a realidade é diferente. Basta entrar num site ou app de streaming e em segundos acede a milhões de músicas.

Isto não se limitou a transformar a forma como ouvimos música. Na verdade, tornou-se um motor da indústria global. Em 2023, as receitas da música gravada aumentaram 10,2%, atingindo 28,6 mil milhões de dólares, consolidando o nono ano consecutivo de crescimento. Só o streaming ultrapassou, pela primeira vez em 2024, os 20 mil milhões de dólares, representando mais de metade das receitas mundiais nesse ano.

E o movimento não parece parar. Projeta-se que o mercado global de streaming cresça mais 53 mil milhões de dólares até 2029, a uma taxa anual de 19%. 

Já em Portugal, ainda que numa escala menor, o streaming também se demonstra dominante. Estes serviços valem 73% do mercado musical, com receitas de 27,1 milhões de euros em 2023, enquanto as vendas totais de música subiram para 36,5 milhões.


Mudança nos hábitos de consumo

O consumo de música nunca foi tão personalizado como hoje. Se era comum ouvir um álbum inteiro do início ao fim, agora playlists, recomendações das próprias plataformas e a possibilidade de saltar entre géneros em segundos mudaram radicalmente a experiência musical. Já não é preciso esperar que a sua música preferida passe na rádio, basta conectar rapidamente o seu telemóvel e escolher minuciosamente a faixa desejada.

Plataformas como TIDAL, Apple Music, YouTube Music e Deezer tornaram-se parte da rotina diária de milhões de pessoas. Acompanham treinos, viagens ou mesmo momentos de trabalho. 

Mas é o Spotify que se destaca. Em 2024, consolidou a sua posição como líder global, alcançando 675 milhões de utilizadores ativos mensais, dos quais 263 milhões são assinantes premium, o que representa um crescimento interessante face ao ano anterior. 

Em Portugal, o cenário confirma esta inclinação. Segundo a Audiogest, em 2023, 61% dos utilizadores de serviços de streaming já recorriam a subscrições pagas. Em muitos casos, isto deve-se à qualidade superior do serviço e à inexistência de anúncios publicitários que surgem entre músicas. Além disso, esta mudança de hábitos evidencia como o streaming se tornou indispensável e molda cada vez mais o quotidiano cultural.


Desafios e controvérsias

O crescimento do streaming não vem sem polémicas. Um dos debates mais intensos prende-se com a forma como os artistas são remunerados. O modelo pró-rata, que distribui receitas de acordo com a fatia global de streams, favorece os mais populares. Enquanto isso, o user-centric propõe que cada assinatura beneficie apenas os músicos que cada utilizador efetivamente ouve. Artistas como Björn Ulvaeus (ABBA) já defenderam mudanças para um sistema mais justo. Em Portugal, o caso mais recente é o de Salvador Sobral: o vencedor da Eurovisão 2017 retirou o seu catálogo da plataforma e, oito meses depois, regressou ao Spotify ao admitir que a ausência estava a limitar o alcance dos seus temas e a venda de bilhetes.

A integridade das plataformas também é posta em causa pelo uso de bots para inflacionar reproduções, como aconteceu em 2023 quando vários serviços tiveram de remover faixas suspeitas de manipulação. 

Soma-se ainda a dependência excessiva de algoritmos, que pode limitar a diversidade musical. E as redes sociais também entram na equação. Quando a Universal Music Group retirou o seu catálogo do TikTok em 2024, algumas músicas ganharam até 3% mais streams em plataformas de áudio, mas outras perderam visibilidade, revelando o impacto da app na descoberta musical.


O streaming como parte da cultura digital

A música já não vive apenas nas rádios e nos CDs, fazendo parte de praticamente tudo o que é digital. Em 2024, o pop surpreendeu ao tornar-se o género de crescimento mais rápido nos Estados Unidos, puxado por artistas como Taylor Swift. 

Além disso, o streaming, aliado às redes sociais, tem o poder para ditar tendências. A verdade é que basta um refrão ganhar força no TikTok para conquistar milhões de ouvintes no Spotify ou no YouTube.

Mas o alcance vai além das playlists. A música está presente em jogos de vídeo e em plataformas como o casino online BacanaPlay, bem como em filmes, séries, aplicações de fitness e experiências de realidade aumentada. A música deixou de ser um consumo isolado para se tornar parte do tecido da cultura digital, também visível em rádios locais que acompanham esta evolução e a integram na sua programação. Um bom exemplo disso é a Rádio Regional, que reflete nas suas notícias e programação o impacto destas mudanças na sociedade portuguesa.

No fundo, o streaming é hoje a trilha sonora da modernidade, acompanhando cada momento. Mais do que ouvir música, trata-se de viver experiências que moldam comportamentos e identidades.


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