O Governo checo tenciona alterar o modelo de financiamento da CT, o que culminará com um corte de 12% do financiamento total, situação que poderá colocar em risco a participação no Festival Eurovisão.
A televisão pública checa ČT (Česká televize) atravessa um dos momentos mais delicados da sua história recente. Uma proposta legislativa apresentada pelo Governo da Chéquia pretende alterar profundamente o modelo de financiamento dos meios de comunicação públicos, substituindo gradualmente a atual taxa audiovisual por verbas atribuídas diretamente através do Orçamento do Estado.
A proposta continua em discussão parlamentar e tem gerado forte contestação por parte da própria emissora, dos sindicatos, de organizações internacionais de defesa da liberdade de imprensa e de vários setores da sociedade civil.
Segudno os números avançados pela própria emissora, a reforma poderá representar uma perda de cerca de mil milhões de coroas checas (aproximadamente 40 milhões de euros) por ano, o que corresponderá a uma redução de 12% do financiamento total que, este ano, conta com um orçamento anual de 8,5 mil milhões de coroas checas (340 milhões de euros).
Perante este cenário, o vice-diretor-geral da ČT, Milan Fridrich, alertou que a emissora poderá ser obrigada a despedir entre 300 e 500 funcionários caso as alterações avancem nos moldes atualmente previstos. A televisão pública emprega atualmente quase 3.000 trabalhadores, sendo uma das maiores organizações mediáticas do país.
Além das possíveis reduções de pessoal, a ČT admite que diversos projetos de produção própria poderão ser cancelados ou adiados, sendo que séries, programas de entretenimento e outras produções de grande dimensão encontram-se entre os conteúdos potencialmente afetados, na qual se incluiu também a participação no Festival Eurovisão, visto que, em anos anteriores, a participação checa esteve em risco devido a motivos financeiros.
A reforma prevê ainda a eliminação gradual do atual sistema de taxas pagas pelos cidadãos, com o financiamento da ČT e da Rádio Checa (ČRo) a passar a depender diretamente do orçamento estatal a partir de 2027. Os responsáveis das duas entidades argumentam que esta mudança poderá enfraquecer a independência editorial dos meios públicos e torná-los mais vulneráveis a pressões políticas futuras.
A situação motivou protestos internos e levou os sindicatos da ČT e da ČRo a emitir avisos de greve durante a primavera. Diversas organizações internacionais, incluindo entidades ligadas à liberdade de imprensa e à União Europeia de Radiodifusão (EBU/UER), manifestaram igualmente preocupação com o impacto que a reforma poderá ter na estabilidade e independência dos meios públicos checos.
Apesar da incerteza financeira, a ČT continua vinculada ao memorando estratégico atualmente em vigor, que prevê a manutenção da sua atual oferta televisiva. A estação opera seis canais distribuídos por cinco sinais: ČT1, ČT2, ČT24, ČT Sport, ČT :D e ČT art.
No que diz respeito ao Festival Eurovisão, a emissora ainda não anunciou qualquer plano para a participação no próximo ano, sendo esperado que, a acontecer, a CT opte por uma seleção interna. O debate parlamentar deverá prosseguir ao longo dos próximos meses, sendo esperada uma versão revista da proposta legislativa antes do final do verão.
Estreante em 2007, a Chéquia conta com 14 participações no Festival Eurovisão, registando 6 presenças na Grande Final e o melhor resultado a ser o 6.º lugar em Lisboa. Em Viena, Daniel Zizka representou o país com "Crossroads": depois do 9.º lugar na semifinal, a candidatura ficou em 16.º lugar na Grande Final com 113 pontos, fruto do 10.º lugar no júri (104) e o 20.º lugar no televoto (9), não recebendo qualquer pontuação de Portugal.

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