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PORTUGAL FALHA APURAMENTO PARA A GRANDE FINAL DO FESTIVAL EUROVISÃO 2026

 Portugal, representado por Bandidos do Cante e "Rosa", falhou o apuramento para a Grande Final do Festival Eurovisão 2026. 



Os Bandidos do Cante falharam, esta noite, o apuramento para a final da Eurovisão 2026. "Rosa" não foi um dos dez temas mais votados da noite e Portugal fica assim pelo caminho. Depois de cinco qualificações seguidas, esta é a primeira vez que Portugal falha a final desde a edição de 2019 da Eurovisão.


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Fonte:ESCPORTUGAL/ Imagem: Eurovision / Vídeo: Eurovision

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  1. Anónimo22:28

    Nunca acreditei que passassem porque era demasiado tradicional e simplória. Israel como sempre vai a final roubando assim a oportunidade de outro país ir porque isto é sempre o mesmo nem vale a pena achar que será diferente. Um abraço do tamanho do mundo para aqueles que aqui comentam para o ano que vem temos mais e um bem haja a todos

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    1. Anónimo23:48

      Israel faz musicalmente mais falta na Eurovisão do que Portugal. E quem se ausentou este ano náo faz lá falta nenhuma. Ninguém tira a vez de ninguém: você próprio diz que a canção tuga era simplória... e isto é precisamente um concurso de canções. Tirar Israel para deixar passar músicas simplórias... ME POUPE!

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    2. Anónimo10:58

      Concordo com o comentário do anónimo das 23:48.

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  2. Anónimo22:29

    😢 com muita pena minha...

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  3. já eu gosto de música e gostei muito dos rapazes. foram muito capazes e adaptaram-se maravilhosamente ao contexto.

    parabéns

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  4. Anónimo22:38

    Para surpresa de absolutamente ninguém, as últimas eliminatórias foram mascaradas pelo desempenho acima da média dos países com grande diáspora portuguesa que votaram na semifinal de Portugal. Sei que a RTP pensava ter resolvido os problemas com a sua prestação na Eurovisão, mas os votos da França,
    Suiça, Espanha e Luxemburgo mascararam muitas deficiências do Festival da Canção. E hoje sem eles—Portugal ficou de fora.

    Acho que os rapazes fizeram um bom trabalho mas como representates do canto Alentejano moderno e que se houve na radio em Portugal hoje em dia—havia melhores grupos para serem convidados ao Festival.

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    1. Anónimo23:18

      Por aí também não seria, porque estavam a votar Alemanha e Bélgica. Eu diria que toda a gente estava com muitas expectativas com o juri, e eu até acho que pode ter prejudicado. A maior parte dos países não escolhe cantores, compositores ou instrumentistas, mas produtores musicais que vão pelo lado mais comercial.

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    2. Anónimo10:59

      É bem verdade, anónimo das 23:18.

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  5. Anónimo22:43

    Eu acreditei que passávamos, desde o primeiro momento. Mal ganhou no festival da canção, que achei que "Rosa" era uma canção para levar Portugal á final da Eurovisão. Não entendo a razão pela qual só lá vão canções, ruidosas, altamente sonoras, sim porque a mim só me soa a poluição sonora. Não sabem apreciar boa música, como o nosso Cante Alentejano. Eu estou orgulhosa da nossa derrota, porque não deixa de ser uma vitória para os Bandidos do Cante. Parabéns, foi lindo em todos os sentidos. Viva a nossa música. Viva o Alentejo. Viva Portugal!

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    1. Anónimo03:16

      Desculpa. Mas tu também foste muito otimista

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  6. Anónimo22:49

    Já ninguem suporta o mesmo registo simplorio e preguiçoso que a rtp teima em considera ser o que mais representa Portugal. Que isto sirva para abrirem os olhos e trabalhar um pouco mais na criatividade. Isto é a Eurovisão, não é uma convenção de cantares populares.

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    1. Anónimo23:54

      Por acaso (se o acaso existe) não acredito nada que a equipa da RTP que faz as escolhas prévias abra os olhos e se ponha a trabalhar com qualquer criatividade. Este ano estava destinado ao cante. Portanto tudo o mais era inferior. Há terrenos minados.

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  7. Anónimo22:51

    RTP passem a organização do festival para outro canal....

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  8. Anónimo22:57

    Não há culpas, nem da Banda e muito menos de Israel . A música era bonita, bem cantada . O stagging melhorou muito mas planos poderiam ser melhores . A qualidade musical do concurso está cada vez mais fraca . O FC tem de repensar o modelo.

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  9. Anónimo22:57

    Penso que eles estiveram muito bem e a musica é muito bonita - apenas acho difícil para ouvidos fora do contexto nacional. Outra questão, não tínhamos grandes amigos no que toca ao tele voto aqui.

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    1. Anónimo23:59

      Pois eu já estava à espera. Nos últimos anos os amigos têm safado mediocridades. Foi o momento da verdade. A música não vale grande coisa mas a da Geórgia ainda conseguiu ser pior. As meias-finais servem para pôr o lixo fora. Agradecemos.

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  10. Anónimo23:07

    A eurovisão nos dias de hoje parece um circo. Se para passar a final e obter um bom resultado é preciso tanta palhaçada, então RTP façam um favor ao país e retirem-se. Nada a apontar aos moços que estiveram sublimes! A atuação foi linda, emotiva, e elegante. Parabéns bandidos do cante

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  11. Anónimo23:07

    Quando vi a Bélgica a qualificar-se fiquei sem esperança...acho que devem ter ficado em 11º . É pena porque podiamos ter conseguido o 6º apuramento seguido. Achei que faltava alguma coisa, ou então era so impressão, por comparação com tanto aparato em palco por parte das outras propostas.

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  12. Anónimo23:10

    Também não entendo quem são os júris supostamente profissionais que votam em canções como da Grécia, Moldávia, etc… Passarem estas enquanto outras ficam para trás é no mínimo revoltante

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    1. Anónimo10:29

      A Grecia tem uma grande diáspora e acredito que a proposta tenha chamado a atenção dos mais jovens, o Akyllas também se move bem em uma encenação complexa e cheia de detalhes. Moldavia também é um país com grande diáspora e apresenta uma proposta fresca e moderna e foram facilmente uns dos melhores da noite

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  13. Anónimo23:10

    Os “rapazes” estiveram bem, a RTP é que não! Não aprendemos nada com participação anterior ou de outros países! O ESC é um espectáculo áudio-visual.. e a nossa participação tem sempre pouco a esse nível! Ponham músicos a tocar no palco, deem algum brilho aos artistas em palco (sem exagero, mas aquele vestuário estava bom para um Ensaio..).. o problema é que o investimento vai sempre para os mesmos “que gravitam” no canal público que custeamos com taxa audiovisual e orçamento do estado ! Ainda esta semana novos talentos da moda portuguesa brilharam com uma série da HBO (espero não estar a trocar o nome).. e é isso que RTP deveria fazer.. promover o que é nosso.. e promover os artistas que põe no palco valorizando-os! Disse!

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  14. Anónimo23:13

    E também acho que a RTP não pode arrastar mais esta postura do "simples mas artistico" A verdade é que o orçamento é mt baixo. 250 mil euros para pagar a taxa de inscrição, transporte, alojamento e alimentação da delegação portuguesa, mais o figurino o que sobra para o staging são migalhas. Apostar sempre na mesma postura sensível honesta, simples está a revelar-se insuficiente.

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  15. Anónimo23:31

    Não adiantou muito quererem agradar a certas pessoas e países. O karma é lixado e agora voltam para casa com o rabinho entre as pernas.Aproveitando a lingua de uma certa canção de um certo país deste ano: cest la vie

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  16. Anónimo00:41

    Estou um bocado desapontado, mas nadinha surpreendido. No ano passado não gostei nada da nossa canção - e não é por eles terem ido ao Brasil, Praia e Bissau que a minha opinião mudou -, mas assim que vi os Napa a atual, soube logo que iriam surpreender muita gente e apurar-se, apesar de estarrem nos últimos lugares nas apostas. Este ano, gostei sinceramente de 'Rosa' e achei sempre muito fofinhos os Bandidos, por isso queria o melhor para eles. O meu gosto musical é geralmente minoritário e a revés das modas eurovisivas. Por essa razão, desde que os Bandidos ganharam o FdC que eu sempre tive muitas dúvidas que Portugal este ano se qualificasse. Depois, as canções tradicionais são o mais das vezes espezinhadas na Eurovisão. Depois, 'Rosa', porque muito que fosse apreciada pelos portugueses, não conseguiu ganhar apoios a nível internacional. Vi muitos vídeos de gente que dizia, é linda, gosto, mas... Mas depois na hora de votar iam votar noutra canção qualquer. Por fim, este não era nada o staging que a canção pedia. Por muitos defeitos que tivesse o staging da final do FdC sempre era bem melhor que isto. É certo que em Viena ficou claro para quem ouvia a canção pela primeira vez que o tema era sobre rosas. Mas o background preto não transmitia nada do sentimento da canção. Aquele telão de pintura abstrata no FdC ao menos lembrava o Alentejo. Por último, mas não em último, em Lisboa estavam mais bem vestidos. De fatinho, estavam elegantes. Cinco tons diferentes de azeitona. O que se adaptava perfeitamente à canção e ao Alentejo. Imagine-se que houve quem achasse melhor vesti-los com uma indumentária de reforma agrária!!! Se isto não é de partir o coco a rir...!!! E já me estava a esquecer: uma das regras não escritas da Eurovisão é esta: quando o favorito absoluto à vitória tem um violino na sua encenação, não se pode levar outro violino para o palco. Para evitar comparações desvalorizantes, para começar.

    Estou um bocado triste. Porque gostava de voltar a ver os Bandidos em palco. Mas já estava à espera deste resultado.

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    1. Anónimo10:43

      Ainda andamos nessas de desprezar os Napa? Acaso não e bom que os gajos tenham sucesso em grandes mercados fora do país? Porque desprezas os outros países lusofonos que estão a apreciar a nossa proposta? Acaso te parece mau que tenham chegado tão longe e estão a fazer sucesso em um mercado tão grande como o brasileiro?

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    2. Anónimo17:41

      Não desprezo nada os outros países lusófonos. Ouço muita músic brasileira e cabo-verdiana. Angolana e moçambicana, menos, porque conheço menos artistas.

      Não há nada a fazer. Não gostei da canção dos Napa. É tudo. Achei muito bem que tenham sucesso. Mas o sucesso deles não me faz gostar da música deles.

      Por fim, será que hoje já sabemos que o júri regional da Madeira dará a pontuação máxima ao artista madeirense que participar no FdC do próximo ano? É que o júri da Madeira acha sempre que os cantores madeirenses é que são bons.

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  17. Anónimo00:45

    Concordo da 100% com: "Já ninguem suporta o mesmo registo simplorio e preguiçoso que a rtp teima em considera ser o que mais representa Portugal. " O FdC deste ano foi duma mediocridade incrível. 3 canções minimamente escutáveis, num conjunto de 10. É pouco! É muito muito pouco. Palpita-me que começa aqui uma nova travessia do deserto.

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  18. Bélgica (que até gosto da vibe) e Montenegro estão tão mal em vários sentidos comparados com os nossos bandidos!!

    Repito - gosto imenso da canção e tinha esperança, mas como disseram acima, talvez para muitos ouvidos europeus não soasse muito confortável, como aconteceu comigo em relação à Croácia, por exemplo.

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    1. Anónimo10:39

      Mas Montenegro não foi classificado para a final

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  19. Anónimo01:16

    É uma boa perspectiva para a RTP ter em conta que, nos últimos 4 anos, Portugal não passou do 8º lugar nas meias-finais. Nos 2 anos anteriores, com canções em parte ou totalmente em inglês, o país ficou em 4º lugar. Isto não significa que Portugal precise de enviar canções em inglês, mas indica que as canções precisam de ser mais universais e não apenas elaboradas para agradar à diáspora portuguesa. O Festival da Canção e os seus júris parecem limitar-se a gostos locais muito específicos. Ouvimos esta noite canções que se classificaram, mas que eram muito inferiores à actuação de Henka no ano passado, que lhe valeu o voto do público português e foi completamente ignorada pelo júri português. Há um problema inerente ao Festival da Canção, como ilustra este caso.

    Um festival num estudio da RTP com canções e prestações simples não é a mesma coisa que um festival numa arena enorme.

    Uma prestação pequena marcada pela diferença pode dar de 60 a 60 anos.

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    1. Anónimo15:06

      Concordo a 100% e juntando a isto, o 10º lugar da Iolanda foi muito influenciado pela parte visual que foi simples mas muito bem trabalhada e eficaz, talvez a melhor de sempre nesse sentido e elevando a canção, algo que faltou com a Mimicat por exemplo.

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  20. Anónimo08:49

    Também há que ter em conta o engagement nas redes sociais. Desde a Iolanda, Mimicat, Maro ou Napa, foram todos representantes que se fartaram de dar entrevistas, falar um bom inglês, explicar o percurso, fazer muitas lives, apelar às comunidades. Os Bandidos do Cante podem ser muito bons rapazes, mas parece que foram em viagem de finalistas. Sem inglês mínimo para entrevistas, nem sequer um tradutor, sem promoção, sem guarda roupa, sem investimento. Voltámos a moda do “importante é participar “. Aliás, quando se começa a ouvir dos cantores “aconteça o que acontecer, já ganhámos”, mostra-se logo onde vai aquela candidatura…

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  21. Anónimo11:01

    Devíamos ter enviado Dinis Mota

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    1. Anónimo17:46

      O Dinis desafiou bué na final do FdC e de qualquer das maneiras ele tinha dito que boicotava, não tinha? Mas sim, o Dinis tem de facto star quality. Dêem-lhe uma boa canção e promovam-no como deve de ser, que ele chega no mínimo à final.

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  22. Anónimo12:00

    "Israel faz mais falta musicalmente ao festival do que Portugal" é uma opinião que a meu entender não faz qualquer sentido. Israel faz tanta falta ao festival quanto Portugal e ponto final! Não há cá países mais importantes..a menos que alguem goste mais das canções de Israel...da mesma forma que haverá quem prefira as canções de Portugal.

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  23. Anónimo14:58

    A par da previsível polémica em torno da participação de Israel, Portugal voltou, discretamente, a falhar o apuramento. Há vários sinais de alarme que a RTP faria bem em não continuar a ignorar. Portugal construiu, nos últimos anos, uma identidade eurovisiva diferenciadora, mais autoral e sofisticada. Mérito lhe seja dado. Mas essa identidade corre agora o risco de se transformar numa fórmula autoindulgente, previsível e crescentemente desligada da natureza real da Eurovisão. Portugal parece definir-se por oposição ao próprio festival da Eurovisão. O Festival da Canção está mais preocupado em agradar a um microclima cultural interno, esteticamente autocongratulatório e intelectualmente defensivo, do que em comunicar eficazmente com o público europeu. Confunde-se frequentemente contenção com profundidade, minimalismo com superioridade estética e subtileza com transcendência artística. A Eurovisão não é um seminário de curadoria alternativa nem uma residência artística televisionada. Para o melhor e para o pior, é impacto imediato, comunicação emocional rápida, memória instantânea. E Portugal continua a enviar canções que exigem contexto e predisposição contemplativa, num concurso que vive de segundos decisivos. A isto soma-se o discurso estético simplista, repetido quase liturgicamente, segundo o qual “a música não é fogo-de-artifício, é sentimento”. A frase, embora sedutora na sua aparente profundidade, assenta numa dicotomia intelectualmente pobre entre emoção e exuberância formal. Como se o virtuosismo, a teatralidade ou a exuberância performativa fossem necessariamente vazios de verdade estética. Bastaria recordar a tradição barroca (de Handel a Vivaldi, de Farinelli à ária de coloratura), para perceber que a história da música está repleta de formas de excesso expressivo onde técnica, ornamento e sentimento coexistem numa síntese estética complexa. O exibicionismo vocal ou instrumental nunca foi incompatível com emoção; muitas vezes foi precisamente o seu veículo mais intenso. Entretanto, proliferam os comentários conformistas, redutores e paternalmente resignados do costume: “não interessa ganhar, interessa participar”. Frase confortável, autocomplacente e até algo provinciana, usada para mascarar sucessivos falhanços estratégicos com uma suposta elevação moral anticompetitiva. O problema não é apostar em autenticidade. O problema é transformar a autenticidade numa pose rígida, quase dogmática, incapaz de reconhecer que comunicar amplamente não é sinónimo de vender a alma artística. A RTP não precisa de abdicar da identidade portuguesa. Mas talvez precise urgentemente de abandonar a ideia elitista e pedante de que tudo o que é imediatamente eficaz, memorável ou popular é artisticamente menor. A progressiva desmobilização em relação ao FC é notória. E não acontece, apenas, por saturação natural do formato, mas também pela acumulação de resultados medianos ou irrelevantes, apresentados recorrentemente como triunfos morais de autenticidade estética. Quando o discurso institucional insiste em glorificar derrotas como provas de integridade artística, acaba inevitavelmente por dissolver o estímulo competitivo e por afastar parte das audiências, que deixam de reconhecer no evento qualquer tensão dramática, ambição estratégica ou verdadeiro sentido de representação internacional.

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    1. Anónimo17:09

      Muito bom comentário. Gostei de ler e concordo com tudo.

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  24. James22:34

    Este foi o primeiro aviso ...nos próximos anos pode, vir outros, RTP continua a enviar propostas muito fracas à Eurovisão ...o FdC é para dormir completamente e a RTP acha que resolve tudo apostando na simplicidade. Pois toda a gente ja detesta as propostas de Portugal e isso vai ainda reforçar-se nos próximos anos. Não mudem de vida, não...alguma coisa de muito profundo deve ser mudado e é no festival da canção, caramba as musicas parecem sempre segundas e terceiras escolhas...

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  25. Anónimo22:09

    Justiça poética. O Festival da Canção está mais interessado em respeitabilidade cultural do que em ganhar. A participação de Maria João em 2024 continua a ser um exemplo muito elucidativo do posicionamento cultural do FC. Convidar uma artista como Maria João para competir num formato televisivo mainstream transmite ostensivamente a ideia de que o Festival quer ser visto como espaço de legitimidade artística, não apenas entretenimento popular. Aí têm o resultado! O que é que vamos ter, no próximo ano? Caretos de Podence? O público já começou a sentir que o sistema não está orientado para competir. Um falhanço ocasional é normal na Eurovisão. Mas quando se acumulam propostas altamente autorais, culturalmente valorizadas internamente, mas com fraca conversão competitiva, o debate muda de "esta música não funcionou" para "o modelo de seleção está desalinhado do concurso". O FC corre o risco de se transformar de evento mobilizador para nicho cultural autocontido. A vitória de Salvador Sobral criou uma narrativa perigosa: não precisamos de pensar estrategicamente para ganhar. E um concurso que privilegia, repetidamente, respeitabilidade cultural sobre eficácia competitiva, arrisca perder o contrato emocional com o público.

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    1. Anónimo17:28

      Em 57 participações, a RTP só concorreu uma vez para ganhar e nessa vez ganhou. Quando voltar a ter interesse em ganhar, fará novamente as coisas como deve de ser e possivelmente a ganhar. O que provavelmente só virá a acontecer daqui a 40, 50, 60 anos. Já que não tem interesse em ganhar, podia ao menos competir por bons resultados, como faz a Grécia, por exemplo. Também não está interessada. Prefere adoptar a atitude snobe de que as canções que escolhe é que são música de qualidade e que as dos outros países são lixo. Assim sendo, num bom ano temos uma canção que luta para se qualificar e com um bocado de sorte alcançar um fantástico 16° lugar, num ano mau não se apura. O 9° lugar da Maro e o 10° da Iolanda foram resultados em que os ventos sopravam a favor, praticamente acidentes de percurso. Tão depressa não voltará a haver outros resultados iguais, parece-me. Podemos perfeitamente voltar a estar 25 (vinte e cinco) anos fora do TOP10, tal como aconteceu depois do 6° lugar da Lúcia Moniz. Palpita-me que começou este ano uma travessia do deserto e que se seguirão 4, 5, 6 não-qualificações seguidas. No ano passado a RTP apanhou um valente susto. Não havia vencedor designado na Eurovisão. Não havia vencedor evidente. De repente, o molho de canções do FdC, a maioria delas em português, começaram a subir nas apostas e a dada altura até já estavam no TOP5. É sucesso a mais! A RTP não quer tanto sucesso. Nunca quis. Por fim, ganharam os Napa... E fica tudo dito.

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