A EBU/UER alertou o Governo de Israel para as possíveis consequências da interferência política na emissora pública KAN, situação que poderá colocar o país fora do Festival Eurovisão.
A União Europeia de Radiodifusão (EBU/UER) alertou o Governo de Israel para as consequências da interferência política na radiodifusão pública, numa altura em que a proposta legislativa que irá colocar o orçamento da KAN subordinado ao Governo está prestes a ser aplicada.
Segundo avançou a KAN Corporation, o diretor-geral da EBU/UER, Noel Curran, manifestou "profunda preocupação" relativamente à medida, defendendo que "um sistema de notícias que depende do governo para decidir o orçamento não pode reportar de forma independente sobre o próprio governo que determina esse orçamento".
Na carta, Curran sublinha que a proteção da radiodifusão pública contra interferências políticas "reflete normas internacionais vinculativas", assentes no direito fundamental à liberdade de expressão e de informação. O responsável acrescenta ainda que o financiamento não deve ser utilizado "para exercer influência sistémica ou ameaçar a autonomia institucional dos meios de comunicação públicos".
A EBU/UER considera também que um eventual enfraquecimento da autonomia financeira da KAN poderá afetar "a confiança do público local", bem como "a perceção internacional da independência e credibilidade da emissora". Segundo Curran, esta situação poderá ter impacto "na imagem democrática de Israel, no panorama mediático e na perceção internacional do ambiente democrático dos media no país".
A organização europeia destacou ainda o trabalho desenvolvido pela Kan "em circunstâncias excecionalmente desafiadoras" nos últimos anos, defendendo a importância de preservar "as garantias institucionais e financeiras que sustentam um organismo de radiodifusão pública independente e credível".
A carta da EBU/UER está a ser encarada em Israel como um aviso pouco habitual, tendo em conta que a filiação na organização exige a manutenção da independência editorial e institucional das emissoras públicas. Embora o documento não mencione diretamente sanções, a EBU/UER já suspendeu anteriormente membros acusados de interferência política nas respetivas emissoras públicas — uma situação que, no limite, poderá colocar em causa a participação de Israel no Festival Eurovisão.
Estreante em 1973, Israel conta com 48 participações no Festival Eurovisão, tendo vencido as edições de 1978, 1979, 1998 e 2018. Noam Bettan representou o país em Viena com "Michelle": depois do triunfo na primeira semifinal, a candidatura alcançou o 2.º lugar na Grande Final com 343 pontos, fruto do 8.º lugar no júri (123) e o 3.º lugar no televoto (220), tendo sido a favorita do público português.

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