O Olhares sobre o Festival Eurovisão 2026 continua hoje com as análises das canções da Grécia, Portugal e Geórgia no Festival Eurovisão 2026. Descobre quem foi o mais votado do dia e quem assume a liderança da votação.
A 18.ª edição do Olhares sobre o Festival Eurovisão, que analisará as 35 canções concorrentes do Festival Eurovisão 2026, continua hoje com as análises às canções da Grécia, Portugal e Geórgia, com várias mudanças na liderança da votação.
Grécia - "Ferto" - Akylas
Henrique Gomes - A proposta da Grécia consolida um estilo musical que segue o legado disruptivo de artistas como Tommy Cash, Käärijä e Joost Klein, apostando no carisma e no impacto visual. Embora a letra de Akylas não seja o elemento mais forte, a proposta brilha naquilo que o público da Eurovisão mais valoriza: uma atuação vibrante e memorável. O destaque vai para a energia contagiante e para os grafismos dinâmicos que prendem a atenção do espectador do início ao fim. É um pacote de entretenimento pensado para a era digital e para o palco do festival, o que torna a canção uma das fortes candidatas a vencer o televoto na final.
Luís Coelho - O meu último lugar deste ano. A meu ver, haviam canções muito melhores na selecção grega para o Festival Eurovisão 2026 em vez de "Ferto" que entra no lote de canções que eu ouço uma vez... e apago da memória.
Luísa Cunha - “Ferto”, da Grécia, é uma daquelas canções que cresce com as audições. Não é uma proposta de impacto imediato, mas há uma elegância e uma sensibilidade na forma como Akylas constrói a interpretação que acabam por conquistar. A fusão entre o pop contemporâneo e os elementos mais subtis de inspiração tradicional está bem conseguida, criando uma atmosfera envolvente e distinta no alinhamento do Festival Eurovisão da Canção. Ainda que possa não ser a mais memorável à primeira escuta, valoriza-se pela coerência artística e pelo cuidado na produção. É uma proposta sólida, merecedora dos meus 7 pontos, especialmente pela sua autenticidade e pela forma como se diferencia sem recorrer a fórmulas mais óbvias.
Nuno Carrilho - "Ferto" é completamente fora da caixa. É daquelas músicas que desconstroem qualquer pessoa logo na primeira escuta — ou se estranha ou se entra logo no mood. Tem um ritmo super contagiante, é divertida e meio caótica no bom sentido, e acaba por ser um verdadeiro misto de sensações. Sim, pode roçar a joke entry, mas sinceramente acho que vai resultar mesmo bem no palco do Festival Eurovisão da Canção. No meio de tanta coisa mais previsível, esta destaca-se por ser diferente e sem filtros. E isso pode levá-la bem longe na Grande Final porque o apuramento está mais que garantido.
Tomás Nabais - Da Grécia chega-nos Akylas com o seu “Ferto” que nos apresenta uma sonoridade elegante que cruza pop contemporâneo com subtis influências tradicionais. A interpretação é contida mas expressiva, revelando uma emoção que cresce de forma gradual ao longo do tema. A produção é cuidada e atmosférica, privilegiando a sensibilidade em vez do impacto imediato. Trata-se de uma proposta com identidade própria, que se distingue pela sua autenticidade e coerência artística. De certeza que estará na Grande Final e não me admirava nada que estivesse a lutar pelos primeiros lugares!
Pontuações à canção da Grécia
Adão Nogueira - 5 pontos
Alina Aleixo - 2 pontos
Gonçalo Canhoto - 8 pontos
Henrique Gomes - 8 pontos
Hugo Sepúlveda - 12 pontos
João Diogo - 8 pontos
Luís Coelho - 1 pontos
Luísa Cunha - 7 pontos
Luísa Cunha - 7 pontos
Marcelo Silva - 12 pontos
Mário Duarte - 8 pontos
Nuno Carrilho - 10 pontos
Patrícia Gargaté - 12 pontos
Pedro Dias - 7 pontos
Rita Silva - 8 pontos
Tomás Nabais - 8 pontos
TOTAL: 116 pontos
Portugal - "Rosa" - Bandidos do Cante
Adão Nogueira - Sobre Portugal este ano… se a intenção era celebrar o cante, então conseguiram, mas talvez tenham celebrado demais. A certa altura já nem sabia se estava a ver o Festival da Canção, um documentário da RTP ou uma serenata improvisada depois de demasiado vinho tinto. O cante é lindo, é património, é identidade… mas aqui parece que decidiram usá-lo como se fosse molho picante, “se não está a resultar, põe mais”. E o resultado é uma música que, para mim, soa mais a obrigação cultural do que a inspiração artística. Respeito a tradição, claro, mas não é por ser património que automaticamente se torna agradável aos ouvidos, especialmente quando o refrão parece uma chamada de pastores ao longe ou dos bandidos. Enfim, não é a minha praia, ou melhor, não é o meu montado.
João Diogo - "Rosa" tem identidade, isso ninguém lhe tira. Nota-se claramente a intenção de trazer o cante alentejano para a Eurovisão e de fazer algo diferente do habitual — e isso é de valor. Mas para mim fica ali a meio caminho: nem é totalmente envolvente, nem consegue criar aquele momento que fica mesmo na cabeça. Há partes muito bonitas, mas o conjunto não me prende como devia, e a atuação também não ajudou a elevar a canção. Acaba por ser uma proposta interessante, mas que não me conquistou por completo.
Gonçalo Canhoto - Confesso a minha parcialidade nesta avaliação, já que me comove profundamente ver o Alentejo representado no maior palco musical do mundo. "Rosa" é um magnífico exemplar de cante alentejano, elevando a tradição e a portugalidade ao seu expoente máximo, numa composição que desperta em mim uma nostalgia difícil de traduzir em palavras. Todavia, a prestação dos Bandidos do Cante no Festival da Canção revelou-se desoladoramente modesta. A escolha dos figurinos e da cenografia evidenciou fragilidades na transposição da profundidade da canção para o palco e elementos como a violinista ou a rosa final surgiram como acessórios supérfluos, que em nada valorizaram a atuação. Urge, por isso, uma transformação que permita alcançar uma sobriedade que faça justiça à alma desta canção. Numa semifinal frenética e ruidosa, a calmaria de "Rosa" poderá destacar-se pela sua autenticidade, ainda que constitua a nossa aposta mais arriscada desde 2019. Resta saber se a alma será suficiente para assegurar o passaporte para a final.
Marcelo Silva - Portugal mantém-se fiel à sua identidade artística, apresentando uma proposta intimista e carregada de emoção. A inclusão do Cante alentejano no palco eurovisivo traz um elemento de autenticidade raro, diferenciando-se claramente das produções mais comerciais e visuais. Prevejo mais uma qualificação para a final e, com o regresso dos jurados, Portugal poderá até beneficiar de uma receção mais favorável do que em edições recentes.
Rita Silva - Há aqui uma carga emocional muito forte e uma autenticidade que se destaca logo à primeira escuta. O uso do cante alentejano dá uma identidade única e cria uma atmosfera quase hipnótica, diferente de tudo o resto. Não é uma proposta imediata nem para todos os gostos, mas tem uma beleza muito própria que acaba por crescer. Com uma apresentação mais trabalhada em palco, acredito que pode surpreender bastante.
Pontuações à canção de Portugal
Adão Nogueira - 5 pontos
Alina Aleixo - 12 pontos
Gonçalo Canhoto - 8 pontos
Henrique Gomes - 7 pontos
Hugo Sepúlveda - 5 pontos
João Diogo - 6 pontos
Luís Coelho - 12 pontos
Luísa Cunha - 8 pontos
Luísa Cunha - 8 pontos
Marcelo Silva - 12 pontos
Mário Duarte - 7 pontos
Nuno Carrilho - 10 pontos
Patrícia Gargaté - 8 pontos
Pedro Dias - 8 pontos
Rita Silva - 8 pontos
Tomás Nabais - 4 pontos
TOTAL: 120 pontos
Geórgia - "On Repeat" - Bzikebi
Alina Aleixo - Esta é uma canção focada na obsessão e no desejo de repetir algo, estando construída para se tornar viciante. No entanto, tenho mixed feelings em relação a ela. Gosto da parte inicial; depois o refrão entra de forma inesperada e causa-me estranheza, mas acabo por gostar; e o resto soa um pouco abstrato e barulhento. Talvez seja daquelas canções que seja necessário escutar várias vezes para gostar verdadeiramente delas... e aí se tornam viciantes? Já a coreografia é o que acaba por valorizá-la e talvez seja o que irá captar mais a atenção em palco. Ainda assim, tenho dúvidas de que passe à final.
Hugo Sepúlveda - Após os Bzikebi terem sido anunciados como representantes fiquei curioso com o que poderia vir dali. No entanto, desde que “On Replay” saiu até hoje, penso que não sei bem o que achar. Esperava ser surpreendido com uma canção arrojada, mas com qualidade consistente, por parte da Geórgia e sinto que não é o caso. Ouvir esta canção torna-se um momento engraçado e divertido graças à sua “vibe” e ritmo contagiantes. Apesar de já serem conhecidos no mundo eurovisivo, os Bzikebi vão ter de se esforçar para conseguir chegar à final. Para tal, penso que vão ter de saber direcionar a sua energia caótica de uma forma apelativa, de modo a cativar tanto o júri, como o televoto. O facto de haver elementos memoráveis já ajuda, mas é fulcral não parecer “descartável” de uma final.
Mário Duarte - Esta é daquelas músicas que até têm graça à primeira, mas que rapidamente começam a perder impacto. A ideia é interessante e percebe-se bem essa intenção de ser viciante e repetitiva, mas acaba por cair um bocado no exagero. Há ali momentos divertidos e até algum potencial, principalmente pela energia e pela coreografia, mas no geral sinto que falta consistência para resultar mesmo bem. Não é uma má proposta, mas também não me convence totalmente
Patrícia Gargaté - Apesar de ser uma canção apreciada entre a comunidade de fãs, não vejo um futuro muito sorridente no concurso... "On Replay" é irritantemente repetitiva e faz uma tentativa de dança de Tiktok completamente ao lado. No lote de canções dentro do mesmo género é possivelmente a menos forte a concurso. Do que foi possível verificar também não me parece que a prestação vocal seja brilhante. Ou apresentam algo consistente no palco de Viena ou correm o risco de ficar pelo caminho
Pedro Dias - Algo me diz que a canção da dança das datilógrafas vai ter uma apresentação bastante impactante em palco. E que a sua coreografia, com enorme potencial de “viralização”, será suficiente para a levar direitinha até à final. Os miúdos têm carisma, experiência e são competentes. A canção, em si, não é um estrondo, mas também não é uma catástrofe, o que vindo da Geórgia já é uma grande surpresa. Visto serem especialistas em cataclismos musicais...
Pontuações à canção da Geórgia
Adão Nogueira - 6 pontos
Alina Aleixo - 4 pontos
Gonçalo Canhoto - 8 pontos
Henrique Gomes - 7 pontos
Hugo Sepúlveda - 4 pontos
João Diogo - 4 pontos
Luís Coelho - 1 ponto
Luísa Cunha - 5 pontos
Luísa Cunha - 5 pontos
Marcelo Silva - 4 pontos
Mário Duarte - 6 pontos
Nuno Carrilho - 8 pontos
Patrícia Gargaté - 6 pontos
Pedro Dias - 6 pontos
Rita Silva - 6 pontos
Tomás Nabais - 4 pontos
TOTAL: 79 pontos
Classificação Provisória (6 países)
1.º Suécia - 144 pontos
2.º Portugal - 120 pontos
3.º Grécia - 116 pontos
1.º Suécia - 144 pontos
2.º Portugal - 120 pontos
3.º Grécia - 116 pontos

Sem comentários
Enviar um comentário