A primeira semifinal do Festival da Canção 2026 foi acompanhada por uma média de 372 mil espectadores, menos 15 mil que na edição anterior.
Apresentada por Vasco Palmeirim ao lado de Catarina Maia e Alexandre Guimarães, a primeira semifinal do Festival da Canção 2026 foi acompanhada por uma média de 372 mil espectadores, registando 3,8 de rating e 8,2% de share. Comparativamente ao ano passado, a gala perdeu cerca de 15 mil espectadores, bem como 0,1 pontos de audiência média e 0,5% de share, sendo a estreia menos vista dos últimos anos.
Audiências da semifinal 1 do Festival da Canção
2026 - 372 mil espectadores
2025 - 387 mil espectadores
2024 - 437 mil espectadores
2023 - 477 mil espectadores
2022 - 548 mil espectadores
2021 - 666 mil espectadores
2020 - 531 mil espectadores
2019 - 623 mil espectadores
2018 - 770 mil espectadores
2017 - 583 mil espectadores
Recorda, em baixo, as cinco canções apuradas para a Grande Final:

Com um espectáculo e canções tão boas, não sei como não atingiu os dois milhões…
ResponderEliminarDesculpem o desabafo : as músicas são aborrecidas , as conversas sem sabor , a gala é longa , e sem animação. Não prende ao ecrã quando se transformou num festival de novos talentos da antena 3 . O palco melhorou mas houve muitos erros técnicos. Lamento
ResponderEliminarAlguém pode informar-me? Dos que passaram à final, quais deles é que ainda estão dispostos a irem à Eurovisão? Muitas gracias.
ResponderEliminarA 1.ª semifinal de 2026 foi a menos vista da década. A vitória de Salvador Sobral em 2017 criou uma espécie de “mitologia estética” que condicionou o Festival da Canção nos anos seguintes e isso teve consequências profundas no equilíbrio entre arte e competição. O impacto simbólico foi tão grande que gerou uma espécie de “doutrina” pedante dentro do Festival: a ideia de que a Eurovisão recompensa autenticidade acima de tudo; a crença de que o minimalismo emocional é superior ao espetáculo; a noção de que Portugal deve “ensinar” a Europa o que é "música verdadeira". Isto criou um movimento quase moralista, que olha com desconfiança para canções mais pop, mais visuais ou mais orientadas para o palco eurovisivo. Como de costume, A edição de 2026 parece particularmente marcada por canções pouco competitivas, ausência de propostas com potencial viral e falta de diversidade estilística orientada para palco. Quando se cria a ideia de que “a música boa é esta”, “a Eurovisão é secundária”, “o público não percebe”, o Festival perde ligação com quem o vê. O sistema de convites a compositores trouxe diversidade, mas também bolhas estéticas. Se o Festival transmite a mensagem de que competir é quase um pecado artístico, o público desliga. Mas este é, apenas, um dos problemas do FC. Temos, ainda, as questões de transparência nas votações (2025 foi escandaloso), a perceção pública de opacidade, a polémica relativa à participação de Israel na Eurovisão e o boicote. O voto online não resolveu o problema, porque o público está desmotivado, as canções não criam ligação emocional, as polémicas afastam espectadores, a audiência caiu, o Festival está a perder relevância cultural. O problema é estrutural, não tecnológico. A marca “Festival da Canção” está a perder prestígio e confiança. Isto terá um custo reputacional crescente para a RTP.
ResponderEliminarConcordo totalmente
EliminarMuito bom comentário! Bravo!
Eliminar"as canções não criam ligação emocional" Isso mesmo. Ouvi as canções pela primeira vez na noite da semifinal. No dia seguinte, não me lembrava de nenhuma. Tirando talvez, Miguel Amaro.
EliminarSubscrevo na íntegra. O festival transformou-se uma curadoria de nicho. O modelo autoral que emergiu após 2017 trouxe frescura, mas, ao tornar‑se dominante, cristalizou‑se. A arte não precisa de ser populista, mas também não pode tornar‑se um enclave hermético, impermeável ao gosto coletivo. O episódio dos júris regionais em 2025, que favoreceram de forma ostensiva concorrentes oriundos das respetivas regiões, não foi apenas uma anomalia pontual. Foi um abalo sísmico na legitimidade simbólica do Festival da Canção. É a captura territorial do voto especializado, que deveria ser imparcial e tecnicamente fundamentado, mas que se revelou permeável a lógicas de proximidade, favoritismo e identidade regional. E o facto de a questão ter chegado à Provedora do Telespectador, sem que daí resultasse uma reforma visível, apenas agravou a perceção pública de opacidade. A RTP deveria ler esta quebra como um juízo silencioso, mas inequívoco.
EliminarO público não protesta com comunicados. Protesta com a ausência.
O caso de Henka, em 2025, expôs, de forma quase pedagógica a autorreferencialidade dos júris (que passaram a operar dentro dessa gramática estética onde a canção "válida" é aquela que corresponde a um ideal autoral, conceptual, e tudo o que escapa a esse horizonte é tratado como menor, ingénuo ou "não artístico"), a desvalorização da dimensão popular (quando o público escolhe algo que não se enquadra na estética dominante, o júri reage com uma espécie de punição simbólica) e a rutura do pacto de confiança (o público percebeu que o seu gosto foi deslegitimado pelo júri; se o público sente que a sua participação é tolerada, mas não valorizada, afasta-se). A diferença abismal na pontuação é um sintoma exemplar do hermetismo instalado.
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