Ermal Meta compete no Festival di Sanremo 2026 com "Stella Stellina", canção inspirada no falecimento de uma criança na Palestina, e admite participar no Festival Eurovisão 2026: "Existem muitas maneiras de expressar a nossa discordância".
A uma semana do arranque oficial do Festival di Sanremo 2026, formato que foi atrasado devido à realização dos Jogos Olímpicos de Inverno em Milão-Cortina, começam as movimentações acerca dos potenciais vencedores. E com uma vitória no curriculum, a participação de Ermal Meta no Festival di Sanremo 2026 promete ser uma das mais mediáticas da edição devido ao teor de "Stella Stellina".
Ainda que não mencione diretamente a situação em qualquer momento da canção, "Não queria limitar a música, mas há tantas referências", Ermal Meta revelou que se inspirou no falecimento de uma criança na Palestina para a composição do tema: "Eu estava a tocar violão para a minha filha (...) Improvissei a melodia da canção, com uma letra doce e reconfortante. Algumas horas antes, porém, tinha visto umas imagens perturbadoras vindas de Gaza, particularmente o olhar de uma criança que literalmente me paralisou".
O artista, em entrevista ao L'Unione Sarda, garante que terminou a canção momentos depois: "Quando a minha filha adormeceu, desci até ao estúdio e cantei o tema com uma intenção diferente. Coloquei-me no lugar de muitos dos homens desesperados que vivem naquela terra (...) Escrevi assim, de uma vez só, com os olhos daquela menina fixos em mim e uma sensação frustrante de absoluta importência" confessou, garantindo estar preparado para a polémica que pode surgir, "Para mim, é crucial expressar o que sinto sem filtros. No momento em que há filtro, algo está errado. A Constituição garante-me o direito à liberdade de expressão e quero usá-lo. Não sei o que virá contra mim, talvez venha, mas não me importo".
Relativamente ao possível triunfo e/ou participação no Festival Eurovisão 2026, edição que está marcada pela polémica em torno da participação de Israel, situação que já levou ao boicote de vários países e artistas, Ermal Meta garante que aceitará a participação: "Existem muitas maneiras de expressar a nossa discordância: boicotar é tão legítimo quanto comparecer e se manter firme. Afinal, quando os protestos contra a ditadura comunista na Albânia aconteceram, eu estava lá e lembro-me bem. Se as pessoas não têm saído à rua, nada mudava. Com essa música, seria como não dar o passo final, não apoiar totalmente a mensagem".
Contudo, Ermal Meta frisou que, em momento algum, aceitará fazer alterações na canção: "Obviamente, se me pedirem para mudar a letra eu jamais concordaria com isso" deixando em aberto uma possível retirada caso exista algum veto por parte da EBU/UER relativamente à letra da canção.
Depois do terceiro lugar alcançado no concurso de 2017, Ermal Meta, ao lado de Fabrizio Moro, venceu o Festival de Sanremo 2018 com "Non Mi Avete Fatto Niente", adquirindo o direito de representar Itália em Lisboa, onde terminaram no 5.º lugar com 308 pontos: a candidatura italiana foi a segunda mais votada pelo público português (10 pontos), tendo sido a sétima mais pontuada pelo painel de jurados (5 pontos). Em 2021, com "Un Millione di Cose da Dirti", Ermal Meta alcançou o 3.º lugar no Festival di Sanremo.

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