[Rumo a Roterdão] The Mamas: "Foi muito importante o Eduardo Nascimento, um homem negro, ter participado na Eurovisão"


Depois de acompanharem John Lundvik em Telavive e de vencerem o Melodifestivalen 2020, as The Mamas estão novamente para representar a Suécia no Festival Eurovisão. O trio esteve à conversa com o ESCPORTUGAL no Rumo a Roterdão.


Venceram o Melodifestivalen 2019 enquanto coro de John Lundvik, tendo participado no Festival Eurovisão 2019 em Telavive. No ano seguinte, Ash, Dinah e Loulou deram continuidade ao projeto The Mamas e conquistaram a vitória no Melodifestivalen 2020 numa das votações mais renhidas de sempre, mas o cancelamento do Festival Eurovisão 2020 colocou o trio fora da experiência eurovisiva. Um ano depois, as The Mamas estão na disputa por um lugar em Roterdão com "In The Middle", tema que disputa, esta noite, a Grande Final do certame. O trio esteve à conversa com o ESCPORTUGAL na rubrica Rumo a Roterdão.


1. Deram-se a conhecer ao público eurovisivo ao acompanharem o John Lundvik, em 2019. Mas falem-nos das vossas carreiras antes dessa participação. 

Ash - Antes de ter a oportunidade de estar na apresentação do John, enquanto backing vocal, encontrava-me a trabalhar como analista do programa de intercâmbio de estudantes. Também estava, paralelamente, a compor música enquanto artista independente e a atuar enquanto backing vocal com vários artistas, como a banda Zac Brown. Para mim, em retrospetiva, foi uma experiência incrível e um trampolim para preparação da apresentação com o John. Desde sempre que a música tem prevalecido na minha vida. Contudo, honestamente, pensei em desistir da música um pouco antes de receber a chamada para cantar com o John! 

Dinah - Ao longo da minha carreira, trabalhei com vários artistas suecos e internacionais, como Blacknuss, Eric Saade, Jenny Wilson, Jerry Williams, Jocelyn Brown, John Lundvik, Jonas Gardell, Katy Perry, Kristin Amparo, Lill Lindfors, Nina Persson & A Camp e Timbuktu. Para além da minha vocação para artista e vocalista, trabalhei, também, enquanto diretora de coro e como letrista. Durante 20 anos, aproximadamente, colaborei com a família Tensta Gospel, onde fundei o coro juvenil Tensta Gospel’s Joyful Noise. Depois de ter saído, iniciei um novo grupo do género gospel, o New School Testament. Co-fundei, também, o coro afro-sueco AfroGärisKören. 

Loulou - Tenho escrito várias letras e gravado canções, para além de participar em várias atuações enquanto backing vocal. Participei em diferentes bandas e lancei a minha própria música. Tenho trabalhado, também, na área dos cuidados de saúde. Em 2008, competi na versão sueca do programa Idol, Mais tarde, competi no Melodifestivalen, juntamente com Behrang Miri e Oscar Zia, com a canção “Jalla Dansa Sawa”. 

2. Quais são as vossas primeiras memórias do Melodifestivalen e do Festival Eurovisão?

Ash - Recordo de me sentir como se estivesse num mundo totalmente novo. Uma das minhas primeiras memórias foi o momento em que conheci o John e as minhas colegas e amigas. Recordo-me, também, de ensaiar uma canção que nunca tinha ouvido anteriormente. Contudo, acreditava bastante nessa mesma canção e no John. Ele era tão afável e tão bem intencionado. É, para mim, uma memória feliz! 

Dinah - Em termos nacionais, a minha memória mais longínqua remonta a 1989, aquando da vitória de Tommy Nilsson, com a canção “En Dag”, no Melodifestivalen. Recordo-me de ficar chateada porque estava a apoiar e a votar em Orup & Glenmark e na canção “Upp Över Mina Öron”, canção essa que fazia qualquer um dançar. Em relação ao Festival Eurovisão, a minha memória mais longínqua remonta à vitória de Carola, em 1991, com a canção “Fångad Av En Stormvind”. Força, Suécia! 

Loulou - Esta não é a minha primeira memória, mas é uma das minhas maiores memórias: estive no público que se encontrava a assistir ao Festival Eurovisão da Canção, em 1992, quando a competição decorreu na Suécia. Foi o ano após a vitória de Carola, com a canção “Fångad Av En Stormvind”. Competir em Tel Aviv é, também, uma grande memória! 

3. Como surgiu o convite para acompanharem o John Lundvik, em 2019?

Ash - Eu e Paris Renita temos um amigo em comum que me telefonou e me disse que a Paris e a equipa do John estavam a procurar uma cantora voluptuosa… Enviei canções e fotografias numa terça-feira e fui convidada a voar nessa mesma quinta-feira para começar a ensaiar. Foi um turbilhão de acontecimentos que, realmente, mudaram a minha vida. 

Dinah - Eu e o John atuámos no mesmo evento de caridade há alguns anos e, penso eu, devo ter causado uma boa impressão! Recebi um telefonema a perguntar se quereria fazer parte, enquanto backing vocal, da canção de um artista que iria participar no Melodifestivalen. Respondi “Porque não?”. Foi, então, que descobri que o artista era o John. Disse “Sim!”. Posteriormente, pude ouvir a canção “Too Late For Love”. Disse “É óbvio que sim!”. Alguns dias depois, conhecemo-nos e apaixonámo-nos, musicalmente, pela canção. Uma semana depois, estávamos juntos no palco, na nossa semi-final do Melodifestivalen. O resto é história. 

Loulou - O coreógrafo do John, Zain Odelstål, telefonou-me e perguntou-me se estaria livre e disponível. Pensei que seria uma coisa divertida de fazer! 

4. Participaram no Festival Eurovisão da Canção 2019, em Israel. Como viveram a oportunidade de subir a um dos maiores palcos do mundo da televisão? 

Ash -  Essa participação fez-me recuar aos momentos em que atuava com a banda Zac Brown. Contudo, por nenhuma razão em especial, senti-me 10 vezes maior, pelo facto de poder alcançar tantas pessoas. Honestamente, não há sentimento com aquele. A adrenalina a correr, apenas, através de mim, dentro e fora do palco. 

Loulou - Foi incrível e divertido. Era difícil compreender quantas pessoas, realmente, estavam a assistir! Tivemos a oportunidade de conhecer pessoas provenientes de todas as partes do mundo. 

5. Em 2020, entram no Melodifestivalen 2020 com “Move” e conseguem uma das vitórias mais emocionantes dos últimos anos. Como foi essa experiência? 

Dinah - Meu Deus! Foi incrível! Parecia que as pessoas podiam sentir, realmente, o nosso amor. Trabalhámos de forma árdua e estávamos tão focadas em executar a nossa atuação. A nossa vitória foi surpreendente e alucinante porque, para nós, o objetivo era, apenas, espalhar amor, esperança e autenticidade a todas e a cada uma das pessoas que iriam ver ou ouvir a nossa canção. Ainda me estou a deliciar com a honra de ter vencido! 

6. O Festival Eurovisão da Canção 2020 foi cancelado e “Move” ficou de fora do concurso internacional. O que sentiram com esta situação? 

Ash - Inicialmente, foi desolador. Aliás, de facto, ainda é. Contudo, sabemos que não há ninguém para culpar. Esta pandemia de COVID-19 afetou-nos, sem exceção, a todos. Aceitámos este destino. Apenas agradecemos, realmente, a vitória no Melodifestivalen e o apoio de toda a nossa família, fãs, amigos e entes queridos. Foram eles quem nos ajudaram a ultrapassar a deceção. 

7. O que vos levou a participar no concurso deste ano?

Loulou - Pensámos que não iríamos competir novamente. Contudo, em última análise, dissemos que se fôssemos presenteadas com uma canção da qual, realmente, gostássemos, então iríamos competir novamente. Por isso, de facto, foram a canção e a sensação que tivemos enquanto a gravávamos que nos levaram a participar no concurso deste ano. 

8. Como descrevem a canção que defendem no Melodifestivalen 2021?

Dinah - No seu interior, tem uma letra muito pessoal. Mas tem, também, um significado intemporal, com uma melodia cativante.

9. O que podemos esperar da atuação na Final do concurso?

Ash - Coração. Somos muito ostensivas em expressar os nossos sentimentos através da coreografias e da nossa capacidade vocal. Colocamos os nossos corações nesta atuação. Apenas podemos ter a esperança que as pessoas sintam, através da nossa atuação, o quão verdadeira a canção, para nós, é. 

10. Ao contrário dos anos anteriores, o Melodifestivalen será realizado num estúdio em vez de uma grande arena devido à COVID-19. O que acharam da decisão da SVT?

Loulou - Pensamos que, para a competição, é a melhor e mais segura decisão. Vai ser diferente, com certeza. Mas sentimos será o melhor. Ainda temos muita sorte de podermos competir! A tecnologia é outra coisa!…

11. Em caso de vitória, representam a Suécia na Eurovisão. O que acham que poderiam mudar na vossa canção ou encenação?

Ash - Pensamos que iremos atravessar essa ponte quando e se lá chegarmos. É muito cedo para falar disso porque depende de muitos fatores. 

12. A Suécia é um dos países que melhores resultados tem no Festival Eurovisão. O que acham que tem sido fundamental para estes grandes resultados?

Loulou - Ética de trabalho! O artista sueco tem mostrado que o seu foco tem sido a música e nada mais. Penso que o universo homenageia isso. 

13. Portugal é um dos países com maior número de participações na Eurovisão. Têm alguma memória de Portugal no concurso? E já conhecem Portugal?

Loulou - O idioma é, de facto, muito bonito. É sempre uma felicidade ouvi-lo. Para mim, foi muito importante o facto de Eduardo Nascimento, que é um homem negro, ter participado no concurso, em 1967. Também adorei o vencedor de 2017. Salvador Sobral tinha uma canção adorável. Era, de facto, uma canção diferente das que estamos habituados a ouvir neste tempo. Tanto para o concurso, como para a música. Penso que, globalmente, Portugal tem tido bons cantores e é um dos países, tal como a Suécia, que parece ter levado o concurso sempre muito a sério. 

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Fonte: ESCPORTUGAL /Imagem: SVT / Vídeo: YouTube

2 comentários:

  1. Anónimo17:34

    Fiquei curioso com o título e fui pesquisar.

    Eduardo Nascimento, em 1967, foi o primeiro homem negro a participar no concurso, porém a primeira pessoa de cor e a primeira mulher negra na esc foi a Milly Scott, em 1966, representado os Países Baixos.

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  2. Este comentário foi removido pelo autor.

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