[OPINIÃO] Nuno Carrilho comenta a Grande Final do Festival Eurovisão 2019


Com Portugal fora da Grande Final, Telavive recebeu o Festival Eurovisão 2019. Entre polémicas, problemas técnicos e erros imperdoáveis, Holanda arrebatou a competição e levou o concurso de volta às terras baixas.

Depois de duas semifinais díspares (numa tivemos tudo do bom e do melhor e na outra ficaram os restos), a cidade de Telavive recebeu a Grande Final do Festival Eurovisão 2019. Uma edição que ficará na história pelos piores motivos... mas já lá vamos. O grande direto aconteceu há precisamente três semanas mas nunca é tarde para recordar: contudo, será que os resultados não voltarão a mudar?

Apesar de ter adorado a prestação de Mariza e Ana Moura na abertura da "nossa" Eurovisão, perdemos a primeira batalha de Finais para Israel. A emissora israelita não teve vergonha em recordar a sua história na Eurovisão e recordou alguns dos momentos mais marcantes do seu percurso. Nota mediana para a "participação" de Netta Barzilai na abertura, nota mínima para Dana International (um dos piores momentos da noite, sorry) e nota máxima para Ilanit e Nadav Guedj. Porque raio tivemos nós os The Beatbombers em vez de um antigo representante? Escolhas...

Erez Tal, Bar Refaeli, Assi Azar e Lucy Ayoub foram os sucessores das nossas meninas. Bastante capazes e profissionais na tarefa em que foram incutidos, faltou-lhe algo para superarem as nossas escolhas... Afinal Filomena Cautela há só uma (e empatámos o jogo). Num dos momentos iniciais tivemos também direito a mais um vídeo em que foram recordados, em poucos segundos, diversos momentos da história do Festival Eurovisão. Outro dos pontos em que ganharam os israelitas... Mas que venham as canções a concurso, em ordem ascendente relativamente à classificação final (pelo menos na atual):


É complicado começar pelo Reino Unido. Novamente com uma canção rejeitada (ou substituída) no Melodifestivalen, o país continua a falhar em tudo... Este ano, atingiu o auge. Faltou tudo: bom gosto, carisma, voz, realização e... pontos! A canção tinha algum potencial, mas era impossível destacar-se com uma atuação daquelas. Em três minutos de sofrimento destaco apenas o momento em que o cantor e os backing singers colocam-se sobre uma espécie de anel de fogo... mas que ficou terrível na televisão. Infelizmente, teve o lugar que mereceu... 


E seguiu-se a Alemanha. Quem? Pois, o problema foi mesmo esse. Depois de um resultado estrondoso em Lisboa, a Alemanha voltou a apostar na mesma fórmula: a receita foi exactamente a mesma e os ingredientes também, mas na hora de ir ao forno... este ficou desligado. Uma atuação completamente apagada e esquecível fez com que o país não subisse da penúltima posição com um null points do público. Não me surpreendeu, mas acho que a canção tinha potencial para mais, mas que não foi aproveitado em palco.


Depois de ter sido uma das grandes surpresas em palco, a Bielorrússia não se conseguiu impor na classificação final do Festival Eurovisão 2019. ZENA voltou a mostrar que os mais novos também saber cantar (e muito), fazendo uma interpretação bastante segura. Apenas não gostei dos fundos utilizados... mas merecia, sem dúvida alguma, uma melhor classificação. Uma das surpresas da edição!


Não há duas sem três. Pelo terceiro ano consecutivo, o país anfitrião não conseguiu fugir aos últimos lugares da tabela classificativa. Com menos 5 pontos que Cláudia Pascoal, mas três lugares acima, Israel não conseguiu convencer o público... ou melhor, o júri, de onde recebeu um null points (se bem que Kobi Marimi ainda festejou uma pontuação máxima... que afinal foi um último lugar). Uma canção cujo potencial não foi aproveitado em palco: "Home" teria condições para disputar um lugar entre os 10 primeiros, mas não com uma encenação tão coisinha como aquela. Ah e o choro final foi estranho... muito estranho.


Um dos meus guilty pleasures do ano! A canção mais animada e ritmada da edição (não foi por acaso que teve a honrea de encerrar o alinhamento)... flopou. Aliás flopou como só os nuestros hermanos sabem flopar... A classificação de Espanha na Eurovisão começa a ser tão óbvia como as grandes pontuações da Suécia no júri ou as trocas de 12 pontos entre a Grécia e Chipre... e todas estas situações são injustas e incompreensíveis. Não digo que Espanha merecesse um resultado no top5 (se bem que não me importaria), mas nunca em 22.º lugar... Nota negativa apenas para a encenação: acho que Miki e os bailarinos teriam sido, por si só, suficientes para "encher" o palco". Para mim, uma das maiores injustiças do ano! (PS: Digam o que disserem sobre "La Venda" e sobre o estilo em qual se insere, são estas Las Vendas que fazem falta ao "novo" Festival da Canção... ).



Chegou a ser apontada como uma das possíveis vencedoras, mas a cantar daquela maneira... apenas disputaria a vitória no Festival da Eurodesafinação com São Marino. Katerine Duska, a representante da Grécia, esteve longe (mas anos-luz mesmo...) do seu melhor e, não fosse o coro, teriam sido três minutos de pura tortura... Muito circo, muito adereço (alguém me explica a presença daquela estrutura e das roupas de esgrima?), muito grito... muito tudo e muito nada. Não gostei e teve a classificação que mereceu, infelizmente. Havia potencial para muito melhor!


Não tinha grandes esperanças numa boa classificação da Estónia, sendo que o apuramento já foi uma boa surpresa (e que demonstro que, afinal, os eurofãs não dominam tanto as votações quando se pensara...). Uma canção bem descontraída, animada e com uma encenação bastante apelativa, que, apesar do erros grosseiros na produção (mas ninguém pediu para repetir a atuação!?), conseguiu uma classificação acima do que esperava... mas muito abaixo do que merecia.


Quando dizem que o júri deveria ser abolido, penso que, pelo público, São Marino teria sido 10.º classificado. Nada contra o país, contra o cantor ou contra a canção... É que o produto final roçou o mau. Os únicos momentos não sofríveis da canção resumem-se... aos momentos em que o Serhat estava calado. Foi mau, desculpem... Contudo, há que destacar a grande aposta: "Say Na Na Na" fica (terrivelmente) na cabeça e levou um micro-estado à Grande Final e ao top10 do televoto (e na semifinal teve mais 100 pontos que Portugal). Há que refletir... Por mim teria ficado de fora da Final.


Com uma interpretação bastante forte, Nevena Bozovic deu tudo o que podia em defesa de uma canção que pecava por não se destacar... Na semifinal já havia tido este problema, mas tal agravou-se na Grande Final. Retirando a forte interpretação da cantora, tudo pareceu inacabado em palco e tal refletiu-se na votação. Não fossem os amigos/vizinhos, teríamos a Sérvia bem abaixo na tabela. Contudo, acho justo o 18.º lugar na classificação... mas já vimos o país a fazer muito melhor.


Sem medo de apostar no que é realmente seu, a Albânia voltou a mostrar que não é preciso cantar em inglês para passar a mensagem da sua canção (o que Portugal não conseguiu fazer). Apesar de estar condenada a um dos últimos lugares (algo agravado com o segundo lugar no alinhamento), Jonida Maliqi fez uma das interpretações e atuações mais fortes da edição. Já o havia dito na semifinal: não sou albanês, mas senti-me orgulhoso como se o fosse. Na minha opinião, a Albânia teria figurado no top10 da votação, mas acredito que o apuramento já tenha sido uma vitória para o país...


França começou muito bem a preparação para o Festival Eurovisão 2019, com a candidatura a fazer algum sucesso (e alguma polémica) na comunidade internacional. Contudo, com o avançar do tempo, "Roi" foi sendo esquecida... e tal reflectiu-se na votação. Bilal Hassani não desiludiu em palco (ninguém estava à espera de uma grande interpretação, diga-se) e apesar das tentativas de chamar a atenção com a atuação... tal não aconteceu. Duas canções depois da candidatura, não me lembrava sequer da mesma... Classificação merecida.


Ouvi "Sebi" pela primeira vez na íntegra na semifinal e admito que, na Grande Final, dei por mim a mexer no telemóvel durante a atuação da dupla eslovena. Não consigo gostar minimamente da canção e, perdoem-me os seguidores da canção, havia muito melhores tanto na final nacional como na semifinal eurovisiva. Para mim a Eslovénia teria ficado nos últimos lugares, mas terminaram em 15.º lugar. Há escolhas que nunca serão entendidas...


Outra das surpresas da edição: Malta. Com a difícil tarefa de abrir o alinhamento, a brilhante atuação de Michela não conseguiu captar as atenções dos seguidores do evento e ficou-se pelo meio da tabela, algo que já era previsível... mas sempre com um espaço de manobra para uma potencial surpresa, algo que não aconteceu. Gostei mais da atuação da semifinal, mas Michela, apesar da tenra idade, esteve bastante capaz no palco eurovisivo. Talvez colocasse Malta um pouco acima da tabela classificativa.


Eis a irmã mais nova do "Fuego". Tal como esperado, "Replay" ficou bastante longe do resultado de Chipre do ano passado e nem mesmo a brilhante atuação de Tamta conseguiu levar o país mais acima na tabela classificativa. Corrigido o LED avariado (uffa), a atuação voltou a encravar com aquele boomerang (péssimo, diga-se!), mas a cantora grego-georgiana a concurso pelo Chipre fez a melhor prestação das que vimos em Telavive. Pessoalmente, teria colocado a canção mais acima... mas sou suspeito: era um dos meus guilty pleassure do ano. Podemos ter uma versão assim baratuxa de "Replay" no nosso Festival?


Passou "rés-vés Campo de Ourique" à Grande Final e, quando era esperado um dos últimos lugares para a Dinamarca, eis que aparece um 12.º lugar com mais de uma centena de pontos. E pronto... Eis um excelente exemplo de como transformar uma canção irritante e enervante (mas ao mesmo tempo viciante e cativante) numa atuação de topo. Leonora, tal como na semifinal, soube cativar o público (apesar da interpretação ser... tal como a vimos) e, pelos vistos, também conquistou os jurados. Não a colocaria tão alto no meu top... mas foi uma agradável surpresa.


Mas uma das grandes surpresas da votação foi a República Checa. Uma canção descontraída e bem disposta contrariou todas as previsões de um dos últimos lugares e levou o país às portas de um novo top10. Repito o que disse na semifinal: não sou grande fã de "Friend of a Friend", mas a atuação dos Lake Malawi foi uma das mais bem conseguidas. O júri achou mas o público não... Eu também não os colocaria tão acima na tabela, mas nunca abaixo do 15.º posto. Parabéns República Checa.


Sempre o disse e a minha opinião sobre a canção da Islândia não mudou: acho a canção a coisa mais medonha do ano, mas apoio totalmente a sua presença no Festival Eurovisão. São estas propostas "fora da caixa" que fazem o concurso ter o impacto que tem e, apesar de odiar a canção, não me chocou totalmente o resultado que teve. Esperava um maior apoio do televoto do que realmente teve, mas ficará para a história do concurso... nem que seja pela ostentação das bandeiras da Palestina aquando da votação (acreditem ou não, temi que este momento pudesse acontecer em plena atuação).


A Austrália já avisara anteriormente que não brincava em serviço. E depois do mini-desaire em Lisboa e da escolha da adominável "Zero Gravity", o país presenteou-nos com uma das atuações mais marcantes e interessantes da história do concurso. Digam o que disserem (e critiquem à vontade): esta foi uma das atuações mais bem pensadas da história da Eurovisão... e os resultados foram notórios. Venceu a semifinal e merecia, sem dúvida, ir mais longe na votação. Uma das minhas favoritas (apesar de achar a canção terrível...).


Apesar de ter sido uma das canções que mais me cativou na semifinal, talvez por encerrar o alinhamento, na Grande Final o Azerbaijão passou-me totalmente despercebido. É uma boa canção, talvez uma das canções que mais força ganhou em palco, mas que, fora a encenação, não conseguiu ter mais nenhum ponto de atenção... Talvez a colocasse um pouco abaixo na classificação final, mas não chocou o resultado que obteve.


Eis uma das vencedoras do ano: a Macedónia do Norte. "Proud" foi, de longe, a canção mais emocionante e dramática da edição e a interpretação perfeita de Tamara Todevska não passou despercebida aos jurados que a colocaram no topo da votação (Obrigado EBU/UER por estragares o momento de glória do país com um engano... estranho, muito estranho). De destacar também a atuação em palco: nada ali foi deixado ao acaso e até a simplicidade era algo complexo e planeado. Sem dúvida, uma das minhas favoritas da edição! Merecia muito mais do que o sétimo lugar! Por mim, teria ficado no pódio da Final.


Sempre disse que o júri iria cortar as asas à canção da Noruega... e não me enganei. Apelidada de "foleira" e "datada", a canção norueguesa foi a mais votada pelo público, o que demonstra claramente que, apesar de todas as críticas que possam ser dirigidas a este estilo musical, este tipo de canções é bastante apreciado pelo público. Gostei bastante da proposta em geral, mas tenho de destacar (novamente) a parte do sami: sem dúvida, a cereja em cima do bolo. Que venham mais "Spirit in the Sky" nos próximos anos (e um ou dois para Portugal, sff).


Chegou à Grande Final como o meu favorito, mas "Too Late For Love" não me conseguiu convencer na derradeira prova. Algo ali escapou... e não me conseguiu mesmo convencer. No entanto, independentemente de tudo isso, a Suécia voltou a mostrar que sabe jogar o jogo da Eurovisão. Aposta simples mas bastante forte que ganha uma força descomunal com a entrada do coro em palco. Gostei bastante, apesar de ter preferido a atuação da semifinal, e o resultado ficou dentro das minhas previsões.


Outro dos meus guilty pleasure do ano. "She Got Me", a canção menos-suíça da década, resulta de uma junção das canções mais dançáveis e cativantes dos últimos anos... e o resultado só poderia ser este. Tudo ali foi estudado ao pormenor, ensaiado até ao limite e no final tudo correu como esperado. Uma grande proposta que levou a Suíça ao melhor resultado desde o longíquo ano de 1993. Outra das canções que soube aproveitar o seu potencial em palco.


Apesar da quebra descomunal do hype em torno da sua participação em Telavive, a Rússia conseguiu ficar entre os três primeiros na Grande Final (talvez por ser a Rússia...). As expectativas estavam em alta com o regresso de Sergey Lazarev e queda começou logo com a revelação da canção... e a atuação também ficou muito aquém do esperado. Muita distracção em palco e efeitos que foram um tanto incompreendidos... e até mesmo uma interpretação muito "meh" de Sergey. Sinceramente fiquei bastante surpreendido com a classificação do cantor, pois temi mesmo um lugar fora do top10 para a Rússia. Foi um tiro ao lado... muito ao lado mesmo, infelizmente.


Antes do início dos ensaios, "Soldi", a canção de Itália, era a minha favorita à vitória. Contudo, depois dos primeiros ensaios em Telavive, previa que, tal como costuma acontecer em 99% das candidaturas italianas, a atuação ficasse aquém do potencial da canção... e ficou: mas o potencial de "Soldi" prevaleceu apenas e só por sim! Os aplausos do público ao ritmo da canção foram, sem dúvida, o ponto alto da atuação, sendo que do resto... prefiro nem falar. Grande canção! Grande interpretação! Grande Resultado!


Sempre o disse que, "caso vencesse, não seria tão facilmente como o desenhavam" e não estava enganado. Com uma das melhores canções da edição e livre de adereços e distracções, a Holanda soube apostar na simplicidade complexa, com o palco a fazer uso dos seus recursos... no momento certo (ou perto disso vá). Gostei mais da interpretação de Duncan Laurence na semifinal, mas voltou a conseguir arrepiar-me. Foi um justo e merecido vencedor do concurso e voltou a mostrar que dificilmente duas canções "parecidas" vencem em anos consecutivos! Além disso, há a destacar que a Holanda entrou nesta década com o pior ciclo da sua história: fora da Final entre 2005 e 2012, o país conseguiu desde então seis presenças na Grande Final e três presenças no top10 do concurso. Parabéns Holanda!!

Entre recaps e votações, a Grande Final do Festival Eurovisão 2019 prolongou-se por mais duas horas de transmissão para além das 26 atuações dos concorrentes. E tivemos momentos para tudo: do desastre de atuação de Madonna (E recebeu ela 1 milhão de euros... para aquilo?!) ao sketch de Gal Gadot, sem esquecer a atuação de Netta Barzilai com o seu mais recente single, "Nana Banana"... mas falemos de coisas realmente interessantes. Se inicialmente fui reticente ao interval act com vários antigos participantes no Festival Eurovisão, depois do Switch Song só posso elogiar a produção israelita. E nisto Israel ganhou-nos com grande vantagem. O momento alto foi, sem sombra de dúvidas, a interpretação dos quatro cantores com Gali Atari, recriando a atuação vitoriosa de 1979. E com isto Israel juntou, na mesma transmissão, todos os seus vencedores do concurso, bem como alguns dos seus representantes mais marcantes da história. Pena que não tivéssemos feito o mesmo em Lisboa...


E com as malas feitas para a Holanda, a história do Festival Eurovisão prepara-se para escrever uma nova página. Estará a Ucrânia de regresso? E a Bulgária? Estará também o Kosovo ou o Cazaquistão a participar pela pela primeira vez? E Portugal? Depois de uma vitória histórica, Portugal ficou em último lugar na Grande Final em 2018 e conseguiu um dos seus piores resultados de sempre na semifinal de 2019: o que mudará na estrutura do Festival da Canção e no planeamento da participação eurovisiva com estes resultados? Veremos... Até breve! Em Amesterdão ou Roterdão (ou numa das outras 1001 cidades que querem receber o Festival Eurovisão)!

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Fonte: OPINIÂO /Imagem e Vídeo: Eurovision.tv

19 comentários:

  1. Anónimo09:44

    Porque teve lugar no ano passado, compreendem-se perfeitamente as comparações entre o ESC deste ano e o que se realizou em Lisboa. E, pessoalmente, acho que Nuno Carrilho está certo na maior parte das comparações que estabelece. Em Israel souberam combinar a homenagem a vencedores (ou artistas que se destacaram) de anos anteriores com alguns artistas locais que participaram em edições passadas. No nosso caso foram esquecidos (à exceção de um bom vídeo sobre "E depois do adeus") ou até algo ridicularizados num "sketch" pretensamente cómico com Ana Bola a fazer de "Mrs. Europe". Em Israel evitaram momentos pseudo-cómicos, enquanto em Portugal (se excetuarmos algumas intervenções de Filomena Cautela) causaram vergonha alheia. Lembro-me, por exemplo, da competentíssima Daniela Ruah num ridículo apontamento sobre a votação num boletim de voto - para já não falar na mais absoluta falta de graça de Herman José... Quanto a "interval acts", também ficámos bem longe. Em abono da verdade também há que reconhecer que certas falhas graves deste ano (os inadmissíveis - porque foram mesmo inadmissíveis - erros na votação) não foram culpa da estação de televisão israelita, uma estação recente (grandes profissionais da estação televisiva anterior, que fechou, não passaram para a KAN), talvez ainda não preparada para receber este evento, mas que apresentou alguns momentos bastante conseguidos, assinalados no texto.

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    1. Anónimo14:24

      Acho que a produção israelita teve mais sucesso com os interval acts porque os fez conhecendo o público, é óbvio que o público que segue a eurovisão iria adorar ver ex-concorrentes.
      Os sketchs do Nuno Markl teriam tido mais sucesso se em vez de falarem da gentrificação de Lisboa tivessem falado da internacionalização da cidade com umas referências à eurovisão, como no primeiro sketch em que falavam do bacalhau, podiam ter tido um bacalhau-Rybaak, já que portugal importa muito bacalhau da Noruega.
      Da mesma forma que durante as semifinais podiam ter existido medleys de temas eurovisivos, mas através da música portuguesa, usando a guitarra portuguesa ou o cavaquinho, podia haver uma tuna académica ou um grupo de cante alentejano ou então existir algo como houve no festival da canção, os apresentadores fazerem um medley para começar o concurso.
      Sou totalmente contra a americanização do concurso que Israel fez, mas é possível ter algo mais internacional com gosto étnico.
      O problema é que a rtp não sabe o que é a eurovisão e não sabe o público que têm, preocupando-se apenas em agradar o público nacional e a diáspora portuguesa, este ano foi mais uma prova disso, os únicos conteúdos “promocionais” produzidos pela rtp foram para Portugal, para a Antena 1 e para o programa da Tânia Ribas, os conteúdos colocados no youtube estavam em português e houve pessoas a queixarem-se para colocarem subtítulos.
      Comparem isso com outros artistas e vêm claramente que a delegação portuguesa não sabe o que anda a fazer na eurovisão

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  2. Anónimo10:47

    O que vai mudar?
    Nada......
    Basta ver pela forma de estar de toda a delegação “nos somos incompreendidos, os outros é que estão mal....”

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  3. Anónimo13:41

    Fogo se acham que La Ventas fazem falta ao Festival da Cançao... Espanha so nao tem piores resultados que Portugal ultimamente porque estao diretamente na final... A musica nao era o pior. O pior era a encenacao e os próprios LEDs que tem falhado todos os anos.. Este ani estavam super folcloricos e coisinhas as cores nao faziam sentido nenhum na atuacao. E a propria danca nao fazia sentido nenhum. Estava tudo muito forçado... A Espanha tem de melhorar muito o Staging

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  4. Anónimo13:49

    Desculpa Nuno mas Portugal venceu outras 3 vezes como Israel para recordar esse momento ? Os interval act de Israel foram todos em playback e discordo totalmente quando dizes que foram melhores que os de lisboa (na semi final talvez mas agora na final ??? Pff, totalmente errado).

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    1. Caro Anónimo. A frase completa a que se refere é "E com isto Israel juntou, na mesma transmissão, todos os seus vencedores do concurso, bem como alguns dos seus representantes mais marcantes da história. Pena que não tivéssemos feito o mesmo em Lisboa...". Sobre o resto são opiniões e cada um tem a sua. Obrigado pelo comentário 😉

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  5. Concordo com algumas observações do Nuno, mas sobre a canção da Espanha que no campeonato deles não me chamou sequer a atenção, eu penso que interiorizaram que o mau resultado do ano passado se deveu ao estilo melancólico do tema e até surgiram alguns comentários de anteriores intervenientes em que diziam que a Espanha não se estava a pôr a jeito no acompanhamento do que se fazia na Eurovisão de hoje e que era preciso enviar músicas vivas e alegres. Aí está o resultado e o acerto das grandes previsões que são feitas sempre que se está perante mais uma desgraça. Manda o bom senso e a moderação que nos limitemos a escolher uma boa canção e que a sorte faça o resto. Não me lembro de a RTP mandar uma cançoneta tão pirosa como esta. Nem mesmo as NonStop que até brilharam (deram nas vistas) pela própria indumentária. A minha opinião mantém-se sobre a que seria a mais séria e mais digna representação da RTP, independentemente do resultado. Não se pode escolher uma composição a pensar no melhor resultado que é sempre imprevisível, mas por uma avaliação séria e competente da mercadoria que é trazida até nós mesmo que já esteja fora de prazo, como a cantiga da Macedónia.

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    1. Anónimo16:13

      Representação "séria" e "digna"?
      Meu caro, a Eurovisão não é Sanremo, o concurso não premeia a canção mais "séria" ou "digna" premeia a canção mais mainstream, se a Suíça fosse pelo caminho do "sério" e "digno" não teriam conseguido o melhor resultado desde 1993 com uma canção cuja letra parece ter sido escrita pelo Agir, nem a Noruega teria vencido o televoto.
      Se é para ir a concurso com o objetivo de perder mais vale ficar em casa e poupar o dinheiro dos contribuintes

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    2. Ou bem que vamos para um evento para fazer boa figura e agradar a quem realmente gosta de música ou então, se vamos ùnicamente com a ideia de imitarmos os outros para ver se com um bocadinho de sorte conseguimos o que outros conseguem 4,5,6...vezes, sujeitamo-nos a não conseguir nem uma coisa nem outra.

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    3. Anónimo17:58

      Como o Nuno Carrilho falou na sua análise, o staging mudou a ideia que tinha sobre diversas músicas e staging é algo que a rtp não sabe fazer e onde não quer gastar dinheiro, por isso, com músicas de "sérias" e "dignas" ou músicas que copian os sucessos do melfest vai dar no mesmo, a rtp vai continuar a não investir na apresentação em palco nem a preocupar-se em promover os artistas a concurso.
      Para mim ou mudam a equipa responsável pela organização portuguesa ou mais vale não participar, a Carla Bugalho mostrou ser uma chefe incompetente e o Nuno Galopim que sabe criticar os outros países mas não consegue analisar a falta de ambição que os seus convidados apresentam a concurso

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    4. Mudou a ideia que ele tinha, diz bem, mas o "staging" só por si não é suficiente para convencer alguém a gostar de uma canção. No meu caso, por exemplo, até podiam colocar pepitas de ouro a reluzir no palco e dizerem-me que no final podia ficar com elas mais o single da música que mesmo não querendo ser desagradável eu pegava nas pepitas e como quem não quer a coisa deixava lá o single. Não sei se me faço entender...

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  6. Caro Nuno Carrilho, uma opinião é sempre uma opinião. O senhor tem a oportunidade de a partilhar, como analista ou convidado e afins. Lamento dizer mas não concordo com quase nada do que escreveu. Desculpe, é a minha opinião. A edição de 2018 foi superior em quase tudo. Não por ter sido em Portugal mas por ter sido reconhecido por toda a imprensa internacional. Porque é que uma análise ao ESC 2019 tem que implicar constantes comparações (despropositadas e desnecessárias) com o ESC 2018?! Talvez a maldita mania da inferioridade da maioria dos portugueses. Saudações eurovisivas.

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    1. Caro Miguel. Obrigado desde já pelo seu comentário. Aproveito para esclarecer que não acho que a edição de Israel tenha sido melhor que a edição de Lisboa: acho apenas que tal aconteceu nos momentos musicais extra-competição. Se tal passou, peço desculpa :)

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    2. Anónimo22:53

      Concordo com o Miguel Carvalho. Um artigo despropositado.

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  7. Anónimo21:50

    20:46 - Não moro em Portugal e só tenho acesso a alguma "imprensa internacional". Concordo quando diz que "uma opinião é sempre uma opinião". No entanto, desculpe perguntar: que imprensa internacional (diz até "toda", no seu comentário, mas decerto reconhecerá que "toda" é... "muita") comparou ambos os ESC e distinguiu o organizado em Lisboa como melhor? A (apenas "alguma") imprensa internacional a que tenho acesso, no centro da Europa, não fez esse tipo de comparações e, concretamente no caso do ESC do ano passado, houve críticas, muito concretamente aos momentos de humor - a par, é certo (e talvez disto não se tivesse tido conhecimento em Portugal), de elogios por exemplos às forças policiais (nem sequer se disse "de segurança", mas "policiais) na semana dos espetáculos (na Alemanha, por exemplo, referiu-se que haviam sido extremamente cooperantes com os jornalistas e demais elementos credenciados). Pode não concordar, mas muitas vezes também temos uma tendência exagerada para o auto-elogio e para uma certa falta de autocrítica...

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  8. Anónimo22:07

    Nuno: excelente artigo! Tocaste no bom, no menos bom, nas curiosidades e noss factos estranhos. Isto é que é saber opinar sem cuscuvilhar, muito diferente daquela norueguesa que, por não ter saldo no telemóvel, se pôs a criticar o sistema de televoto. Obrigado Nuno!

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  9. Anónimo22:56

    Como é que uma canção que ficou em 22 lugar faz falta ao FC!?!

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    1. Anónimo23:26

      Quando a vencedora do FC fica em 15 lugar da semifinal, se calhar faz. XD

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    2. Anónimo08:14

      Temos de ambicionar ser um dos grandes e não um dos pior classificados.

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