[ZONA DE DISCOS #48] The Happy Mess - "Dear Future"


Todas as semanas no ESCPORTUGAL, a crítica aos álbuns editados por artistas que participaram no concurso Eurovisão da Canção e/ou seleções nacionais ao longo dos anos. Hoje o destaque vai para a terceiro álbum dos The Happy Mess, "Dear Future".
O responsável da rubrica é Carlos Carvalho.

Lançamento: 06 de abril de 2018
Nota: 7/10

Os The Happy Mess poderão não ser dos nomes mais sonantes entre a comunidade eurovisiva portuguesa, até porque nunca estiveram diretamente envolvidos em qualquer competição relacionada com o Festival da Canção e / ou Eurovisão, apesar de uma antiga integrante da banda, Joana Duarte, ter escrito a letra de “My Paradise”, que foi defendida David Gomes no Festival RTP da Canção de 2017.

Passado um ano, Joana Duarte abandonou a banda e é substituída por Joana Espadinha, finalista no Festival RTP da Canção 2018, com “Zero a Zero”. Joana Espadinha, junta-se, assim, à voz principal, guitarra e teclas de Miguel Ribeiro, baixo de João Pascoal, teclas de Afonso Carvalho e bateria de Hugo Azevedo.

“Dear Future” é o terceiro álbum dos The Happy Mess (o primeiro com Joana Espadinha) e difere substancialmente do anterior, “Half Fiction” – editado em 2015 e um dos melhores álbuns nacionais da presente década -, sendo sonicamente mais polido, cruzando as guitarras e electrónica dos anos 80, num ambiente indie pop, com a assinatura de Rui Maia (X-Wife, Mirror People e Noise Reduction) na produção, tendo entrado, após a primeira no mercado, para o #14 dos discos mais vendidos em Portugal.

“Dear Future” não é tão explosivo quanto “ Half Fiction”, mas parece-nos que foi intencional optar para uma linha melódica mais tranquila que, embora possa ser prejudicial em termos de impacto imediato, poderá ganhar pela possibilidade de descoberta progressiva e uma maior apreciação das letras. E é precisamente neste campo que “Dear Future” ganha uma particularidade adicional. Apesar de o título nos remeter para o futuro, essa intenção é contrastada pela sonoridade que vinca as influências dos anos 80. Contudo, ao nível do desenvolvimento de letras, assistimos a uma dança entre passado e futuro, uma dualidade entre esses dois tempos, cujo intento (se houver) será desvendado por quem ouve. Assim, se em “1972” (#2) há um desejo manifesto de parar o tempo “Stop the time, stop the time // It’s fading really fast”, a consciência de tal impossibilidade surge em “Stuck in the future” (#5): “You can’t rewind // You can’t stop the future”.

Ainda no domínio das letras, destacamos o único tema em português, “Cai (Morde o Pó)” –(#6)- com letra de Rodrigo Guedes de Carvalho, e “Promised Land” (#8), de Joana Espadinha. No campo musical propriamente dito, destacamos o single “Waltz for lovers” (com a participação de Rita Redshoes) e “Stuck in the Future” (#5).

Alinhamento

Waltz for lovers ft Rita Redshoes (2º single)

1972
 Girl on the Wire
 Love is a strange thing (1º single)

Stuck in the future (tema destacado por Carlos Carvalho)

Cai (morde o pó)
 Desire
 Promised land
 Dressed to kill (3º single)

Call me back
Long goodbye

Pode ouvir o disco AQUI

A ver: "Dear future", o novo álbum dos Happy Mess | Inferno


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Fonte: OPINIÃO CARLOS CARVALHO / Imagem: GOOGLE / Vídeo: YOUTUBE

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