Depois da conferência de imprensa da RTP em que foram apresentadas as linhas gerais do Festival Eurovisão 2018, o ESCPortugal esteve à conversa com Nicolau Tudela, o criador da imagem gráfica do concurso.

Nascido em Viseu em 1961, Nicolau Tudela formou-se em Pintura na Escola Superior de Belas Artes, em Lisboa, expondo regularmente desde 1981. Nos anos seguintes, foi bolseiro da Fundação Calouste Gulbenkian, contando com inúmeras participações em exposições nacionais e internacionais. Responsável pelo genérico de abertura da RTP  da EXPO 98 e um dos responsáveis pela remodelação gráfica da RTP em 2004, Nicolau Tudela é também o responsável pela imagem gráfica da próxima edição do Festival Eurovisão.


"Diversidade multicultural e a diversidade das formas (...) foi exatamente por isso" começa por dizer quando questionado sobre qual a fonte de inspiração não só do logótipo principal, mas também dos 12 logótipos secundários, "Como tinha dito há um poema na Mensagem de Fernando Pessoa que fala do mar de Portugal e que tem 12 poemas alusivos a momentos da nossa viagem para a história (...) mas foi mesmo a diversidade da forma que me levou a ir mais longe. São muitas formas que levam a declinações gráficas e essas declinações levam à multiplicidade de uma só forma. Não fica apenas fechada em si" afirma.


Apesar do número de imagens apresentadas, Nicolau Tudela garantiu que tinha o desejo de ir mais longe: "A diversidade das pessoas, a diversidade dos organismos que fazem a vida do mar e, sobretudo, o que está por trás de termos um pensamento diferente: isso foi a minha inspiração. Mas tive um limite... ficámos pelas doze. Ou teríamos mesmo uma por cada país participante".

Questionado sobre se o logótipo selecionado foi escolha imediata, o artista garante que o processo de seleção foi bastante complexo: "Durante o processo criativo faz-se imensos estudos e declinações sobres as formas. Foi uma questão de opção. Há sempre uma que se destaca das outras e todos os estudos que foram feitos são derivações lógicas de uma sequência na forma. Houve uma escolha entre imensas" revelou, confirmando que desenha imensas vezes no Oceanário de Lisboa, "Venho para aqui desenhar imensas vezes. Todos os estudos que fiz culminaram na escolha desses 12. Uma coisa engraçada é que 12 é a pontuação máxima da Eurovisão. Foi um número redondo que levou a isso".



"Uma coisa que disse ao Ola Sand, o chefe máximo da Eurovisão, foi que tencionava fazer uma abordagem gráfica mais pictórica e menos high tech. Isso é mais para o espetáculo, todas as parafernálias tecnológicas, e bem, para o espetáculo propriamente dito" afirmou, confessando ter estado atento às últimas edições do Festival Eurovisão: "As anteriores imagens são mais high tech. Têm uma componente muito tecnológica. Eu quis fazer algo mais pictórica, mais nossa e mais de cultura! Esta é a minha formação e não podia fugir a isso (...) Mas as outras são boas nesse sentido e marcaram uma época".

Com expectativas excelentes para o ambiente da sala para o Festival Eurovisão, Nicolau garante que "a nossa imagem da Eurovisão vai criar excelentes momentos de televisão. Já estive em contacto com o centro de design e vamos criar esse aspeto imersivo. Vamos criar muito bons momentos, pelo menos a nível cénico".

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Fonte/Imagem: ESCPortugal

3 comentário(s):

  1. Rui Ramos20:13

    Estou a gostar das declarações que leio

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  2. Anónimo20:15

    Sabem quando são conhecidos os apresentadores?

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  3. Anónimo17:14

    Apenas não gosto desta aparente aversão à tecnologia. Não queremos organizar um ESC que visualmente pareça estático como alguns dos anos 90...

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