Perante um auditório ao ar livre lotado, Dulce Pontes voltou a provar a força e a qualidade do seu trabalho, aclamado nos quatro cantos do mundo e também em Portugal. O ESCPORTUGAL esteve em Viana do Castelo e viveu momentos extraordinários. 

Em palco, Dulce Pontes foi diva. Fazendo-se valer de uma naturalidade genuína e de um reportório de luxo, demonstrou, uma vez mais, ser uma artista completa, aberta tanto à música tradicional portuguesa como às influências internacionais. A cada projeto, Dulce revela mais criatividade e maturidade. Realmente, a Praça da Liberdade em Viana do Castelo foi pequena para tanto talento!

Foi sentada ao piano a tocar e a cantar “A minha barquinha” que Dulce Pontes deu início ao seu concerto. A artista começou por matar saudades dos fãs com este tema incluído no seu álbum “Primeiro canto” de 1999. Aos primeiros acordes, Dulce aguçou os sentidos e a curiosidade do público ao abrir mão de um dos seus temas mais queridos de todos. Aos aplausos, seguiu-se um enorme silêncio; todos queriam ouvir a voz. “Grito”, original de Amália Rodrigues e Carlos Gonçalves, foi interpretado num registo fortemente emocional por Dulce Pontes, que se acompanha novamente ao piano contando, desta vez, com Marta Pereira da Costa, na guitarra portuguesa.

Deixa o piano e dirige-se para o centro do palco, recebendo fervorosos aplausos e retribui com sopros de beijos. Para cantar “Nevoeiro”, original de Dulce e de Fernando Pessoa, faixa do seu último álbum “Peregrinação”, Dulce passa para a contar com os músicos em cena: para além de Marta Pereira da Costa, Daniel Casares (guitarrista de flamenco), Davide Zaccaria (ao violoncelo), Juan Carlos Cambas (ao piano), Paulo Silva (percussão) e Amadeu Magalhães (flauta, gaita de fole, cavaquinho e bandolim).

O ESCPORTUGAL transmitiu o início do concerto em direto através de smartphone. Fomos acompanhados no direto por cerca de 1200 leitores. Pode (re)ver AQUI


Seguiram-se três temas de "Peregrinação": o tradicional“Cantiga da Roda”, a composição original “Canto do Risco” e “Bailados do Minho”, que arrancaram aplausos carinhosos do público. Mas, foi mesmo com “Meu Amor sem Aranjuez”, uma bela versão do clássico de Joaquín Rodrigo com letra da própria Dulce Pontes, que o espetáculo tomou novos contornos. A intensidade com que Dulce interpretou o tema, com total entrega e emoção, fez vibrar o público, que se emocionou também. Traduzindo toda esta entrega em tom, timbre e tempo, dá maravilhas! Foi, sem dúvida, um dos momentos da noite. Mesmo estando milhares de pessoas neste lugar, o silêncio era ensurdecedor. Todos os sentidos tinham de estar aqui focados. O poder vocal de Dulce Pontes, a inteligência com que improvisa ao segundo e prolonga as notas musicais, não estão ao alcance de muitos. De Dulce Pontes, e porque este é o quinto espetáculo que acompanhamos nos últimos tempos, podemos afirmar, sem nos repetirmos, que o céu é o limite, não sendo por acaso que muitos a consideram uma das mais talentosas cantoras portuguesas de todos os tempos.

De seguida, Dulce saiu dos focos de luz por minutos e deixa que os músicos que a acompanhavam embalassem Viana no som dos seus instrumentos.


Estando tão perto da Galiza amiga e irmã, muitos eram os galegos presentes no concerto. “Martin Codax”, jogral e compositor galaico-português, trouxe as sonoridades das cantigas de amigo tão presentes na Idade Média em Portugal. Dulce colocou, depois, um lenço na cabeça e ensaiando alguns passos de tango, cantou e encantou em “Maria de Buenos Aires”. Pela primeira vez nos concertos aos quais assistimos, ouvimos também “La leyenda del tiempo”, de Federico García Lorca e Ricardo Pachón, a lembrar o flamengo.

Já depois da despedida, deu-se o inesperado: o público obriga a artista a entrar e a reentrar em palco três vezes. As palmas a pedir um encore eram tantas, que Dulce Pontes não resistiu. O primeiro tema não podia falar no alinhamento: “Canção do Mar”, um clássico na voz de Dulce, que se emocionou, e emocionou o público. Temos esse vídeo especialmente para os nossos leitores:

  

Da emoção para a alegria inocente de “Laurindinha”. O público não arredava pé. E o fecho não podia ser mais apoteótico: “O Amor a Portugal” levou Dulce Pontes às lágrimas. Veja esse momento, gravado pelo ESCPORTUGAL: 


Cerca de duas horas de concerto depois, podemos concluir que este foi, sem dúvida, um dos melhores de sempre. Nos próximos dias, Dulce inicia, em Itália, uma digressão com o maestro Ennio Morricone. 



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Fonte: ESCPORTUGAL / Imagem: ESCPORTUGAL / Vídeo: ESCPORTUGAL 

3 comentário(s):

  1. Anónimo16:19

    Tão lindo (f)

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  2. Anónimo16:56

    Dulce Pontes representa por favor Portugal este ano. Não pela vitória que poderias ou não conquistar, mas porque seria a coisa mais memorável de todos os tempos na eurovisão. Seria o orgulho estampado de todos os portugueses ver uma actuação tua deste nível num espectáculo feito em Portugal pela primeira vez e nunca visto neste certame.

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  3. Anónimo23:39

    A Nossa Embaixatriz no Mundo

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