Né Ladeiras regressa aos discos em nome próprio, 15 anos depois do seu último álbum intitulado "Da minha voz". O ESCPORTUGAL esteve no primeiro concerto ao vivo de “Outras Vidas” em Coimbra. 


Né Ladeiras esteve, de facto, demasiado tempo sem gravar, mas esse jejum teve o seu fim com o lançamento do seu novo CD intitulado "Outras vidas", dedicado a várias mulheres que marcaram a sua vivência e a sua carreira como Avita, Greta Garbo, Frida Khalo, Madre Teresa, Isabelle Eberhardt ou Violeta Parra. A intérprete é também a compositora de todas as faixas, sendo que as letras têm assinatura de Tiago Torres da Silva e produção de Amadeu Magalhães. O lançamento do CD decorreu na passada quinta-feira no auditório do Conservatório de Música de Coimbra.

A expectativa era muita para voltar a ver e ouvir uma das mais talentosas intérpretes portuguesas – talentosas mas também misteriosas e enigmáticas - que esteve vários anos sem atuar ao vivo. À hora certa, Né Ladeiras entra em palco, descalça. Entrada que foi acompanhada por uma enorme salva de palmas por um público de todas as idades que estava com saudades de a ouvir. O tempo em que integrou os Brigada Vítor Jara ou cantou a solo êxitos como Sonho Azul em 1984 ou Dessas juras que se fazem em 1986, com a qual concorreu ao Festival da Canção, já lá vai. Né Ladeiras apresenta-nos um disco de world music, onde a fusão da música tradicional portuguesa se faz com sons do médio oriente. Criativo, ousado, arriscado até. Um som diferente, mas que não deixa ninguém indiferente. É, não temos dúvidas, um regresso em grande!


Ao longo de quase duas horas viajou pelos temas do novo álbum, com um cheirinho de um dos seus trabalhos anteriores “Traz os Montes” gravado em 1994, através das canções “Çarandilheira” e “Cirigoça”. A tudo isto juntou uma boa forma vocal. Valeu a pena a espera!

A abertura do concerto dá-se com “Silencio das inocentes”. Entre cada tema, uma história ou uma recordação partilhada por Né Ladeiras com o seu público. O mesmo com “Canção da Avita”, “Feiticeira da saudade”, “Noites de Assuão”. Mantém o sentimento e não falha uma nota. Antes de “Benditos”, recordou-nos ter colaborado com o último trabalho de Zeca Afonso, o qual, juntamente com Fausto, confessou tratar-se de duas grandes influências. Em “À queima-roupa” juntou à voz o adufe, mostrando-nos a riqueza da cultura portuguesa. A nossa.  Outros temas do álbum, “Todo este céu”, “Castelos no ar”, “Pano-cru” e “Amor feliz”. Em “Flecha”, faixa incluida no álbum anterior, mostrou como se adapta uma música tradicional hebraica e como as influências lusas casaram tão bem. Ao longo do concerto, palavras de agradecimento a Tiago Torres da Silva, presente na plateia, autor que também escreveu para Simone de Oliveira no Festival da Canção de 2015 em À espera das canções.

Já depois do fecho, e no encore, com muito sentimento apenas a voz e a guitarra em três canções,:“Sirius”, “Gracias a la vida” e “Cirigoça”. 



A acompanhar a artista no palco, os músicos Ricardo Mingatos (precursão), Diogo Passos (viola) e Amadeu Magalhães (flauta barroca, clarinete, concertina e gaita de foles), que costumamos ver a integrar o elenco de Dulce Pontes nos concertos em Portugal e no estrangeiro. A comemorar o Dia Nacional da Língua Gestual Portuguesa, a participação de Rafa Cota Silva. O próximo concerto decorrerá a 15 de dezembro, no Centro Cultural de Belém, em Lisboa. 

Eis um pequeno excerto do concerto, num vídeo do ESCPORTUGAL com som ao vivo não editado especialmente para os nossos leitores:

   


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Fonte: ESCPORTUGAL / Imagem: ESCPORTUGAL / Vídeo: ESCPORTUGAL 

6 comentário(s):

  1. Anónimo00:40

    Que saudades! Está mesmo muito diferente. "Jura" é um classico, o Rui Veloso (que é o autor) já cantou essa canção milhentas de vezes mas nenhuma fica tão bem como na voz da Ne Ladeiras

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  2. Anónimo00:56

    Fez-me lembrar Bulgaria 2007

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  3. Rui Ramos02:00

    Gostei muito do que ouvi

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  4. Anónimo09:27

    Gostaria de ouvir todo o álbum e ate comprar. Ja esta a venda?

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  5. Anónimo03:15

    A Né é, sem sombra de dúvida, a voz mais carismática de sempre da música popular portuguesa. Qualquer canção ganha sobremaneira com o seu timbre e a sua interpretação.

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  6. Anónimo22:01

    Uma participação dela no Festival da Canção era uma séria candidata ao ESC

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