Os sucessivos adiamentos do anúncio da cidade-sede do Festival Eurovisão 2017 têm aumentado os rumores sobre a eventualidade da Ucrânia não receber o concurso: se tal vier a confirmar-se, como será resolvido o impasse?

O processo de escolha da cidade-sede da próxima edição do Eurovision Song Contest tem feito correr "muita tinta" nos últimos tempos, com sucessivos adiamentos do anúncio e o levantamento de problemas aos possíveis recintos. Jon Ola Sand, produtor-executivo do concurso, revelou alguns detalhes sobre o demorado processo de seleção (AQUI), mas as declarações reacenderam os rumores sobre a eventualidade da Ucrânia não sediar a edição do próximo ano.

E se a Ucrânia não arranjar um local preparado para o Eurovision 2017, quem sediará a competição? Antes de mais, é necessário ressaltar que não existe nenhuma regra no regulamento da EBU/UER que preveja tal acontecimento. Desde 1958, o país vencedor do concurso é convidado a sediá-lo no ano seguinte, podendo ou não fazê-lo sem qualquer punição, sendo que desde 1980 todos os vencedores receberam o evento no ano seguinte.

Ao contrário do que muitos pensam, caso a Ucrânia não consiga resolver os problemas para a organização e desista da mesma, o direito de organização não passa para o segundo classificado, neste caso, a Austrália. Nessa eventualidade, a EBU/UER lançará um processo de candidaturas para que os países interessados em sediar a competição enviem as suas propostas, sendo o organismo o responsável em eleger a melhor opção. Deste modo, qualquer país membro ativo da EBU/UER, entre os quais Portugal, com um local que cumpra as exigências para a organização, poderá candidatar-se a organizar o evento.


No passado foi assim...

Ao longo da história do Eurovision Song Contest, em 7 ocasiões, o vencedor não foi o anfitrião da edição do ano seguinte. Recorde-as, de seguida:

1957: Depois da vitória inaugural da Suíça em casa, a Alemanha foi a anfitriã da segunda edição do concurso, sendo desconhecida a classificação do país na edição anterior. Nesse ano, a regra que oferece a organização ao país vencedor ainda não estava em vigor e a sede do concurso era decidida entre todos os país participantes na época.

1960: Vencedora em 1959, a Holanda desistiu da organização em 1960 depois de ter sido o país anfitrião da edição de 1958, em Hilversum. O Reino Unido, segundo classificado em 1959, sediou o evento no Royal Festival Hall, em Londres.


1963: Alegando problemas financeiros, a emissora francesa desistiu da organização do evento, depois da vitória de Isabelle Aubret. O Reino Unido, quarto classificado em 1962, voltou a sediar o evento, desta vez na sede da BBC, em Londres.

1970: Depois de quatro países empatarem no primeiro lugar do Festival Eurovisão de 1969, a EBU/UER escolheu a Holanda, um dos países vencedores, para acolher a edição do ano seguinte, em detrimento da França. Por sua vez, Reino Unido e Espanha ficaram precocemente de fora do processo de seleção por terem recebido o evento em 1968 e 1969, respetivamente.


1972: Devido à inexistência de um local que atendesse aos requerimentos da EBU/UER, a televisão monegasca desistiu de sediar o evento depois da vitória em 1971. Novamente, o Reino Unido, quarto classificado na edição anterior, foi o país escolhido para a organização.

1974: Ao tornar-se o primeiro país a vencer duas vezes consecutivas o Festival Eurovisão, o Luxemburgo tornar-se-ia também o primeiro país a organizar o evento consecutivamente. No entanto, a emissora luxemburguesa não quis organizar o evento pela segunda vez, tendo a organização sido tomada pelo Reino Unido, terceiro classificado em 1973.


1980: Com a recusa do governo israelita em aumentar o orçamento da emissora IBA, Israel foi obrigado a declinar a organização do Festival Eurovisão em 1980, depois de organizar no ano anterior. O caso agravou-se com a EBU/UER a recusar também a troca da data do festival que coincidiu com o Dia da Memória do país, o que fez com que Israel não participasse no evento e que o mesmo fosse organizado pela Holanda, 12.ª classificada na edição anterior.

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Fonte: JanelaESC /Imagem/Vídeo: eurovision.tv

18 comentário(s):

  1. Anónimo22:28

    seria vergonhoso para portugal, sediar esta competiçao sem ganhar, iamos ser o primeiro pais a sediar sem nu nunca ter ganho...

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    1. Vergonhoso porquê? Seria sim, uma forma de mostrar à Europa que somos capazes de organizar um evento desta magnitude!

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    2. Anónimo23:59

      Mas se o pais anfitrião fosse um qualquer (como antigamente era e é ainda hoje no Euro e no Mundial) e não o país vencedor, isso poderia acontecer perfeitamente, não só a nós, como a mais paises que nunca ganharam... Porque dizes vergonha? Vergonha seria se nesse caso, ao sermos anfitriões, a organização fosse toda sem pés nem cabeça...

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    3. Anónimo01:59

      SE a Ucrânia não sediar e SE por acaso Portugal tiver que sediar o ESC, teria piada a RTP passar durante o "interval act" excertos de canções que Portugal levou, mostrando diversas e boas canções que foram ignoradas pelos europeus nas décadas anteriores. Aí é quem devia ficar com vergonha eram os europeus.

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    4. Anónimo05:11

      Ah sim e os europeus iam mesmo se importar com as desgracas que Portugal levou no passado

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    5. 01:59 - Ate ja estou a ver a Europa inteira corada de vergonha e a deitar cinzas na cabeça ao ver nesse hipotetico interval act as maravilhas musicais de Portugal no ESC..Alias o ESC existe primordialmente para isso,para por em destaque o pais anfitriao. :))

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    6. Anónimo17:03

      Sim é verdade, a Europa vai continuar a não querer saber de Portugal e também de muitos outros países que foram subestimados. Mas também não me posso queixar das entradas destes últimos anos desde 2011.

      Este ano a Suécia passou alguma coisa sobre a sua história na Eurovisão, mas a Suécia gosta sempre de destaque.

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  2. Anónimo00:29

    Quem dera que Portugal se candidata-se e ganhasse. Mas pelos vistos nestes casos ganha sempre Reino Unido ou Holanda

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  3. Anónimo07:53

    A RTP não quis gastar dinheiro com o FC... Acham mesmo que gastaria milhões com o esc??

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    1. Anónimo12:53

      Tomara era à RTP que nunca ganhássemos o ESC. É triste, mas é a ideia que passam. Ainda assim não é desculpa porque bem podíamos lutar pelo top5/top3 e nem aí nunca estivemos (se bem que com algumas injustiças pelo caminho = 2008)... só em 6º.

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  4. Anónimo11:43

    Portugal devia de se candidatar, era uma opurtunidade unica para a RTP, A RTP não ia desiludir tenho acerteza.

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    1. Anónimo22:16

      Tenho pena de discordar contigo, mas sinceramente penso que a RTP ia desiludir, mas era logo no início, com um "não" em relação a candidatarem-se caso a situação se desenrolasse para esses lados.

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  5. Anónimo11:48

    Portugal penso que nao iria desiludir, somos considerados um país lindissimo e tinhamos boas condições para receber o ESC, penso que a EBU poderia escolher portugal porque portugal é um dos paises mais com participações mais infelizmente sem sucesso, poderiam escolhe lo, era uma opurtunidade unica e a RTP nao devia de esperdisala

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    1. Anónimo12:56

      Concordo com tudo o que dizes, mas o problema é que não vejo a RTP querer... já quando é para organizar o FC é sempre o "pão nosso de cada dia", parece que o fazem de má vontade ou só mesmo para calar a nós, eurofãs, como quem diz: "Vá, tem aí mais um ano de FC" quando nós bem sabemos as condições e como a organização é feita... Aposto que se a EBU abrisse algo do género como candidaturas voluntárias por parte dos países, por mais que tenhamos meios para organizá-lo como alguns dos que referes, a RTP e metade do país que não liga ao ESC iria logo arranjar entraves. Enfim...

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  6. Parabens Nuno,por mais um brilhante trabalho de pesquisa e informaçao! Divertido ver,ler quanta confusao e voo da imaginaçao este post ja causou...mas na verdade ,nos tempos que correm nada e impossivel.Continuo a acreditar,que o ESC 2017 vai ter lugar na Ucrania.Em Odessa.

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    1. Jefferson15:19

      Eu também concordo. Acredito que o ESC será mesmo na Ucrânia, e que no momento mais próximo, o país irá se resolver.

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  7. Anónimo21:43

    Nos anos em que o país vencedor da edição anterior não foi o anfitrião no próximo ano, escolhem sempre o Reino Unido, até mete raíva, até parece que o Reino Unido é mais que os outros. Não entendo porquê que o Mónaco que venceu a edição de 1971 não quis organizar a edição de 1972. e o Luxemburgo não quis organizar a edição de 1974.
    Países pequenos que tinham uma oportunidade única de demonstrar que também sabem organizar o certame e jogam toalhas assim sem mais nem menos. realmente não entendo.

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    1. Anónimo22:03

      Leste o artigo até ao fim????? LOL

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