O Arquivo Sonoro Digital do Museu do Fado passou a estar disponível online a partir desta sexta-feira. São mais de 3000 gravações da primeira metade do século XX que passam a estar disponíveis a todos. O acervo pode ser encontrado AQUI


"O Arquivo Sonoro Digital foi desenvolvido no quadro do Plano de Salvaguarda inerente à inscrição do Fado na Lista Representativa do Património Cultural Imaterial da Humanidade, e trata-se de um importante projeto de proteção, estudo e valorização do património fonográfico português, e todo o programa foi desenvolvido em conformidade com as normas e protocolos da International Association of Sound and Audiovisual Archives [IASA]", afirmou a diretora do Museu do Fado, Sara Pereira, na apresentação deste novo projeto.

Sara Pereira afirmou que o "acesso é livre" e as gravações "devidamente tratadas e digitalizadas" situam-se, cronologicamente, entre 1900 e 1950, sendo "cerca de metade de ainda antes da gravação elétrica, isto é anterior a 1927". Os discos agora disponibilizados 'online' foram publicados por 43 companhias fonográficas, "sendo o maior catálogo o da alemã Odeon (974) seguido da inglesa Columbia (964)". "Cerca de 1.531 discos foram gravados acusticamente, isto é, [são] anteriores a 1927, e 1.217, em gravações elétricas", adiantou à Lusa.

Entre as vozes que é possível agora ouvir está a de Júlia Florista, uma das figuras lendárias da história fadista, mas as primeiras gravações são dominadas por atores do teatro de revista, segundo Sara Pereira. «Encontrámos 62 repertórios interpretados pela famosa Júlia Mendes e 12 faixas de Maria Vitória, e ainda vários discos da famosa Júlia Florista ou de Manassés de Lacerda, e ainda gravações de importantes guitarristas como Petroline, Carmo Dias, Armandinho ou Artur Paredes», explicou.

Júlia Florista que já foi reinventada por diversos artistas, como Dulce Pontes, Carlos do Carmo e Mariza. Aqui uma das interpretações disponíveis:



Nova editora discográfica

Para além do arquivo histórico, o Museu do Fado acaba de lançar uma editora discográfica, intitulada Museu do Fado Discos. O objetivo será o de "apoiar os artistas, ser um cartão de visita para os fadistas que têm talento, mas não chegam às discográficas, um disco com o qual se possam afirmar dentro e fora de portas".

A responsável ressalvou que esta etiqueta "não se destina apenas a novos talentos, é transversal em termos de gerações, e visa também editar gravações históricas". O primeiro CD é do guitarrista José Manuel Neto, o que, segundo Sara Pereira, "coloca desde já a fasquia muito alta, mas é indiscutivelmente um virtuoso".

A coordenação desta etiqueta será feita pelo Museu do Fado, adiantou à Lusa, "mas trabalhando muito de perto com a comunidade artística e, tanto quanto possível, com a universidade, nomeadamente gravações ao vivo no Museu, com alunos de sonoplastia, que vêm aprender as boas práticas de gravação".

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Fonte: MUSEU DO FADO, LUSA / Imagem: MUSEU DO FADO / Vídeo: YOUTUBE

2 comentário(s):

  1. Anónimo14:37

    Muito interessante. Não conhecia Obrigada

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  2. Ricardo Alves10:33

    Um serviço público

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