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Cornald Maas: "Artistas não podem ser responsabilizados pelas políticas e atos (ou crimes) de um governo"

     

 Cornald Maas lamentou a decisão da AVROTROS em boicotar o Festival Eurovisão 2027: "As emissoras públicas independentes e os artistas não podem ser responsabilizados pelas políticas de um governo. E a não participação ou um boicote não resolvem conflitos geopolíticos nem guerras".


Depois do comunicado da emissora neerlandesa AVROTROS onde confirma a continuidade do boicote ao Festival Eurovisão em 2027 e a cedência dos direitos de participação à NPO, várias personalidades usaram as redes sociais para apoiar (ou não) a decisão da emissora pública.

Uma das reações mais marcantes da manhã foi a de Cornald Maas, um dos principais rostos eurovisivos do país, tendo sido o comentador do formato no país desde 2004, tendo falhado apenas as edições de 2011-2013 e 2026, que lamentou a decisão do boicote da emissora pública.

O comentador garante não estar surpreendido com a decisão da AVROTROS, "com base nos valores e argumentos que apresentou no ano passado relativamente à participação de Israel", mas que teria tomado outra decisão, quer pelas novas regras do concurso impostas pela EBU/UER, quer "pelo poder do Festival Eurovisão (...) em unir países através da música". Cornald Maas realça que "a não participação ou boicote não resolvem guerras", frisando que a ligação com outros países "está mais em causa" do que a participação de Israel.


"Não me surpreende que a AVROTROS também não participe no Festival Eurovisão da Canção em 2027, com base nos valores e argumentos que apresentou no ano passado relativamente à participação de Israel: o sofrimento humanitário em Gaza e a repressão da liberdade de imprensa — nada disso mudou.

Eu, porém, teria tomado outra decisão. Não apenas porque a UER — em parte como resultado da posição da AVROTROS — introduziu novas regras que limitam ou excluem a influência da votação geopolítica e da interferência política.

Mas também porque sempre continuei a acreditar no poder do Festival Eurovisão, seguindo a melhor tradição daquilo para que foi originalmente criado: unir países através da música e do entretenimento. Mais ainda: é precisamente nesta época, marcada pela fragmentação, polarização e ameaças, que isso é mais necessário do que nunca.

Nos últimos anos, o Festival tem conseguido atrair um público jovem e também se tem revelado uma plataforma internacional de lançamento para jovens talentos musicais. Na ligação com os outros países participantes, está em causa muito mais do que a participação de Israel.

Além disso, as emissoras públicas independentes e os artistas — tal como os atletas — não podem ser responsabilizados pelas políticas e pelos atos (ou crimes) de um governo. E a não participação ou um boicote não resolvem conflitos geopolíticos nem guerras."

Estreante em 1956, os Países Baixos contam com 65 participações no Festival Eurovisão e com 5 vitórias no curriculum: 1957, 1959, 1969, 1975 e 2019. Depois da polémica desclassificação de JOOST e "Europapa" em Malmö, o país foi representado por Claude e "C'est la vie" no Festival Eurovisão 2025: após o 3.º lugar na semifinal, a candidatura ficou em 12.º na Grande Final com 175 pontos, fruto do 5.º lugar no júri (133) e o 15.º no público (42), recebendo 8 pontos de Portugal (3 do público e 5 do júri). Em 2026, o país não esteve a concurso no Festival Eurovisão em protesto com a participação de Israel.

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Fonte: CornaldMaas / Imagem e Vídeo: Eurovision.tv
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