A Final do Festival da Canção 2026 foi acompanhada por uma média de 409 mil espectadores, com o pico da transmissão a acontecer durante a revelação da votação do público.
A RTP1 transmitiu, ontem, a Grande Final do Festival da Canção 2026, programa que culminou com a vitória dos Bandidos do Cante com "Rosa". A transmissão apresentada por Filomena Cautela e Vasco Palmeirim contou com uma média de 409 mil espectadores, alcançando um rating de 4,1 e um share de 10,4%. O pico de share - 16,1% - foi alcançado às 00h28, aquando da votação.
Comparativamente à gala do ano passado, a Final do Festival da Canção perdeu cerca de 41 mil espectadores, 0,5 de rating e 1,1% de share, sendo a final menos vista dos últimos anos. Contudo, tal como aconteceu no ano passado, a Final foi menos vista que a segunda semifinal, transmitida no passado sábado, que contou com 412 mil espectadores em média. No panorama geral, a Final do Festival da Canção 2026 foi o 14.º programa mais visto do dia em Portugal.
Resultados da Final do Festival da Canção 2026
(Júri + Televoto)
1.º Bandidos do Cante - "Rosa" - 22 pontos (10+12)
2.º Dinis Mota - "Jurei" - 16 pontos (6+10)
3.º Nunca Mates o Mandarim - "Fumo" - 16 pontos (8+8)
4.º João Ribeiro - "Canção do Querer" - 14 pontos (12+2)
5.º Sandrino - "Disposto a Tudo" - 13 pontos (7+6)
6.º Silvana Peres - "Não Tem Fim" - 9 pontos (5+4)
7.º André Amaro - "Dá-me A Tua Mão" - 8 pontos (1+7)
8.º Marquise - "Chuva" - 8 pontos (3+5)
9.º Gonçalo Gomes - "Doce Ilusão" - 7 pontos (4+3)
10.º EVAYA - "Sprint" - 3 pontos (2+1)
Estreante em 1964, Portugal conta com 56 participações no Festival Eurovisão, tendo 47 presenças na Grande Final e a vitória de 2017 como melhor resultado. Em Basileia, os NAPA representaram o país com "Deslocado": depois do 9.º lugar na semifinal, onde alcançaram o inédito quinto apuramento consecutivo para Portugal, a banda madeirense alcançou o 21.º lugar na Grande Final com 50 pontos, fruto do 21.º lugar no televoto (13) e o 19.º no júri (37).

Abaixo das audiências da 2.ª semifinal! Perde 41 000 espectadores! A final menos vista dos últimos anos! Números sísmicos. Erosão. O modelo está esgotado. Se a RTP não ler este sinal, arrisca-se a perder não apenas um programa, mas um dos seus últimos rituais culturais de grande visibilidade.
ResponderEliminarA RTP parece não querer saber de quaisquer números ou até das opiniões dos espectadores.
ResponderEliminarA RTP devia ter vergonha. Um programa de televisão que perde 50% da sua audiência em 5 anos é um fracasso total. A RTP é uma empresa pública. Pagamos por este programa e pelos salários das pessoas que o produzem e organizam. Estão a falhar connosco, o público, e com o dinheiro que lhes damos. Se a minha empresa perdesse 50% dos clientes ou do lucro em 5 anos, eu iria à falência. Os responsáveis precisam de admitir que estão a falhar e sair do caminho para deixar que outra pessoa faça o trabalho que não estão a fazer. A qualificação para a final do Festival Eurovisão, graças aos júris e à diáspora portuguesa em alguns países, já não é suficiente para justificar esta produção da forma como está organizada.
ResponderEliminarSubscrevo. A RTP não modificou a estratégia, após as polémicas de 2025 (enviesamento dos júris; falta de representatividade do voto popular; desalinhamento entre público e painel profissional). Quando uma televisão pública não ajusta regras, após controvérsias visíveis, indica que: 1. A prioridade não é maximizar consenso popular (a RTP parece entender o festival como curadoria musical com validação profissional, não como simples competição popular); 2. Os júris regionais continuam a ser vistos como instrumento de equilíbrio contra o voto puramente popular; 3. Há receio de que retirar peso aos júris leve a escolhas baseadas apenas em mobilização de fãs ou viralidade. Este receio não é uma fatalidade, não é um argumento. O receio de que um maior peso do público conduza a escolhas “populistas” é mais um argumento institucional frequente do que uma consequência inevitável. Muitos sistemas conseguiram equilibrar voto popular e qualidade artística sem sacrificar competitividade. Alguns formatos usam duas fases. Primeira fase: júri + público reduzem a lista. Superfinal: decisão apenas pelo público. Este sistema mantém um filtro profissional inicial, mas garante que a escolha final reflete claramente a preferência popular. Outro método é substituir ou complementar júris nacionais com júris estrangeiros (reduz redes de proximidade dentro do país, aproxima o gosto do público europeu, aumenta a perceção de neutralidade). Alguns países evitam o 50/50 rígido e usam proporções como: 60% público / 40% júri ou 70% público / 30% júri. Estas ponderações mantêm a avaliação técnica, mas reduzem a possibilidade de anular completamente o televoto, como aconteceu no caso da canção de Henka. Outro fator crítico é a perceção de justiça. Publicar votações detalhadas, revelar os critérios de avaliação das canções, limitar ligações profissionais entre jurados e participantes. Sem transparência, qualquer discrepância entre júri e público gera suspeitas. Falta um modelo híbrido robusto que garanta simultaneamente legitimidade popular, avaliação profissional e perceção de imparcialidade. O risco de “populismo musical” não é inevitável. Falta engenharia eurovisiva. Muitas canções do Festival da Canção são musicalmente interessantes, mas não são pensadas desde o início como produto televisivo competitivo. Resultado: bons resultados ocasionais, mas pouca consistência ao longo do tempo. Programas competitivos mantêm público quando criam a perceção de que vale a pena acompanhar e de que há possibilidade real de sucesso. A ausência de consistência competitiva tende a gerar desmobilização. É um mecanismo típico de economia da atenção televisiva que explica essa desmobilização. Sem narrativa competitiva, expectativa de vitória ou emoção coletiva, o FC corre o risco de se tornar mais um showcase musical (já o é, na verdade) do que um evento nacional mobilizador.
EliminarPara o ano, sugiro um corridinho do Algarve, um vira do Minho, um verde-gaio ou (porque não?) os pauliteiros de Miranda.
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