[ESPECIAL] A história da Estónia no Festival Eurovisão


Favorita de Portugal à vitória no Festival Eurovisão 2018, a Estónia assinala hoje, 20 de agosto, a restauração da independência depois da ocupação soviética. O ESCPORTUGAL convida-o a recordar alguns dos melhores momentos do país na história eurovisiva.


Depois de séculos de domínio sueco e russo, o povo estoniano conquistou, em 1918, a primeira independência dos seus territórios. Contudo, os primeiros anos de independência foram marcados pela conturbada vida política, o que culminou com a eleição do primeiro presidente apenas em 1938. Com uma política de neutralidade, onde garantia a autonomia cultural das minorias, o país foi ocupado, em 1940, pela União Soviética, em plena Segunda Guerra Mundial. Dois anos depois, os alemães invadiram os domínios soviéticos, ação que fracassou e que culminou, posteriormente, ao estabelecimento da República Socialista Soviética da Estónia. Com muitos movimentos de revolta ao longa da ocupação soviética que durou 52 anos, a Estónia apenas redeclara a independência a 20 de agosto de 1991, fruto da reestruturação dos países soviéticos com a queda da União Soviética.

Participante no Festival Eurovisão desde 1994, a Estónia tornou-se, em 2001, no primeiro país da União Soviética a triunfar no certame, tendo hospedado a competição no ano seguinte, sendo também o segundo país do leste europeu a inscrever o seu nome na lista de vencedores do concurso. Recorde connosco alguns dos momentos mais marcantes da história da Estónia no Festival Eurovisão:

Janika Sillamaa falhou a primeira participação da Estónia no concurso
Devido ao elevado número de países interessados em estrear-se no Festival Eurovisão de 1993, a EBU/UER realizou, em Ljubliana, o Kvalifikacija za Millstreet, semifinal disputada por 7 países, sendo que os três mais votados obteriam acesso ao Festival Eurovisão. A Estónia fez-se representar por Janika Sillamaa e "Muretut meelt ja südametuld", terminando em 5.º lugar com 47 pontos, tendo sido a favorita da Eslovénia. Face à eliminação, a EBU/UER garantiu a presença do país na edição do ano seguinte.


A Estónia foi o primeiro país da antiga URSS a participar na Eurovisão
Depois da eliminação na semifinal de 1993, a Estónia entrou no Festival Eurovisão de 1994, tendo sido o primeiro país da antiga URSS a subir ao palco eurovisivo, na mesma edição que recebeu também a estreia da Lituânia. Contudo, a classificação ficou muito aquém do desejado: Silvi Vrait e "Nagu merelaine" receberam apenas 2 pontos, oriundos da Grécia, terminando em 24.º de 25 países, superando apenas a candidatura lituana que não recebeu qualquer pontuação. Devido a este resultado, o país ficou automaticamente de fora da edição de 1995.


Maarja-Liis Ilus leva o país ao top10 em dois anos consecutivos
Conquistado o apuramento na semifinal interna de 1996, a Estónia regressa ao Festival Eurovisão com "Kaelakee hääl", defendida por Maarja-Liis Ilus & Ivo Linna. A candidatura, favorita da Finlândia, Islândia e Suécia, alcança o 5.º lugar da geral com 94 pontos, um dos melhores resultados do país no concurso. No ano seguinte, Maarja-Liis Ilus volta a representar o país, desta vez a solo, alcançando o 8.º lugar com "Keelatud maa", recolhendo 84 pontos, 1 deles oriundo de Portugal. 


A Estónia conseguiu uma das vitórias mais inesperadas da história
Depois das representações de Koit Toome (12.º), Evelin Samuel & Camille (6.º) e Ines (4.º), as últimas duas em inglês, a Estónia vivia uma boa série de resultados quando entra para a história do Festival Eurovisão. Considerada uma das vitórias mais inesperadas de sempre, "Everybody", defendida por Tanel Padar, Dave Benton e 2XL, arrecadou 198 pontos, marca suficiente para superar os 177 pontos amealhados pela Dinamarca. Portugal foi o único país (!) que não pontuou a canção vencedora, que entrou para a história como o primeiro triunfo da "nova lufada" de países, sendo também a primeira vitória de um país da antiga URSS e a segunda do leste europeu (a Jugoslávia ganhou em 1989). Além disso, Dave Benton tornou-se o primeiro (e único) artista negro a triunfar na competição.



Terceiro lugar alcançado em casa, antes da pior série de resultados...
O Saku Suurhall, em Tallinn, recebeu o Festival Eurovisão 2002 a 25 de maio, tendo o país anfitrião sido representado pela sueca Sahlene, cantora a quem foi entregue "Runaway" nas vésperas da competição nacional. Contudo, a candidatura arrecadou 111 pontos, alcançando o terceiro lugar na competição, a segunda melhor marca de sempre do país. Porém, a "época de ouro" da Estónia estava a chegar ao fim. Depois do 22.º lugar de Ruffus na Final de 2003, o país esteve cino anos arrecadado da Final da competição, falhando constantemente o apuramento na semifinal:  Neiokõsõ Võro (11.º em 2004), Suntribe (20.º em 2005), Sandra Oxenryd (18.º em 2006), Gerli Padar (22.º em 2007) e Kreisiraadio (18.º em 2008).



Urban Symphony levou o país de regresso à Final do Festival Eurovisão
Apesar dos rumores de um eventual boicote à edição sediada em Moscovo devido ao conflito na Ossétia do Sul, a Estónia marcou presença no Festival Eurovisão de 2009 representada por Urban Symphony e ""Rändajad", a primeira canção em estónio desde 1998. Terceira classificada na semifinal, a candidatura marcou a primeira presença da Estónia numa Final desde 2003, tendo terminado em 6.º lugar com 129 pontos.



Três presenças consecutivas na Final do certame
Depois do desaire em Oslo, com Malcolm Lincoln & Manpower 4 a falhar o apuramento para a Final, a Estónia conseguiu, entre 2011 e 2013, um feito inédito na sua história: três apuramentos consecutivos. Getter Jaani e  "Rockefeller Street", candidatura que chegou a figurar nas favoritas ao triunfo, não foi além do 24.º lugar na Final de 2011, enquanto Ott Lepland e "Kuula" conquistaram o 6.º lugar em Baku com 120 pontos, 7 oriundos de Portugal. Em Malmö, a Estónia terminou em 20.º lugar com apenas 19 pontos, quando representada por Birgit Õigemeel e "Et uus saaks alguse".



Stig Rästa em duas edições consecutivas e com resultados... distintos
Com Tanja a pôr fim ao ciclo de apuramentos consecutivos, a Estónia foi representada pela dupla Elina Born e Stig Rästa em 2015. Com "Goodbye to Yesterday", a candidatura conquistou a nona presença no top10 da competição, amealhando 106 pontos, suficientes para garantir o 7.º lugar na Final do concurso. No ano seguido, Jüri Pootsmann representa o país em Estocolmo com "Play", tema composto por Stig Rästa, recolhendo apenas 24 pontos na semifinal, o que se traduziu no 18.º e último lugar, sendo a primeira vez que o país ocupou a última posição no concurso. No ano seguinte,  Koit Toome & Laura e "Verona" ficaram também de fora dos apurados.




Para Portugal, a Estónia seria a vencedora do Festival Eurovisão 2018
Elina Nechayeva e "La Forza" foram os representantes da Estónia no Festival Eurovisão de 2018, edição realizada em Portugal. A candidatura, quinta classificada na semifinal com a votação máxima do televoto português, alcançou, na Grande Final, o 8.º lugar com 245 pontos, resultante do 9.º lugar no televoto (102) e do 6.º lugar do júri (143). Tendo em conta as duas votações da Grande Final, o país que mais pontuou a Estónia foi... Portugal: Elina Nechayeva recebeu a pontuação máxima do júri português, tendo sido a quarta mais votada pelo televoto, depois de Espanha, Itália e Alemanha.



Apesar de não ter confirmado diretamente a participação na edição de 2019 do Festival Eurovisão, a emissora estatal da Estónia já confirmou a realização da final nacional do país, o Eesti Laul, que estará a cargo de Tomi Rahula. Quem gostaria de ver a representar a Estónia em Israel?

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Fonte/Imagem: ESCPORTUGAL /Vìdeo: Youtube

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