Os espetáculos da apresentação oficial do novo álbum de Ana Laíns tiveram lugar em Lisboa, Porto e Figueira da Foz. O ESCPORTUGAL viajou pelo “Portugalis” com Ana Laíns na Casa da Música. 

Este é o terceiro álbum de Ana Lains, depois de “Sentidos” lançado em 2006 e “Quatro caminhos” de 2010. “Estive sete anos sem lançar qualquer álbum e considero que este trabalho é o meu carimbo. É um disco muito sonhado, muito pensado, fruto de tantas viagens que me fazem sempre ter certeza da coisa mais importante da minha vida: ser portuguesa e cantar em português”, afirmou a artista numa das muitas conversas que teve com o público na noite da passada quinta-feira na Casa da Música, no Porto.

Eram 21h30 e eis que Ana surge só no palco e é logo recebida por uma enorme salva de palmas. “Estou muito feliz por estar aqui hoje”, afirmou visivelmente emocionada. Tratava-se do primeiro grande concerto da cantora na cidade invicta. E de forma inesperada e nada habitual, mas demonstrando um enorme “respeito” e “carinho” pelos “meus” músicos, chama-os um a um, os quais se juntam a si no palco, posicionando-se nos seus lugares: Paulo Loureiro, Bruno Chaveiro, Carlos Lopes, Hugo Ganhão e João Coelho. Foi com uma fusão de instrumentos, da percussão ao acordeão, passando pelo piano à guitarra portuguesa ou ao portuguesíssimo adufe, que ouvimos os temas do novo álbum da cantora, que não esqueceu alguns êxitos dos trabalhos anteriores. “Portucalis” foi o tema que abriu o concerto, precisamente aquele que dá título ao álbum. Foi assim que começámos a viagem. “Este disco é dedicado a todos que gostam de pessoas, que gostam de ser pessoas do seu país, e compreendem que a vida é uma missão”, sublinhou. 



Alheio a rótulos, regras e conotações, “Portucalis” é um disco transversal, que viaja por todo o vasto universo de cores da música, etnografia e língua portuguesas. E foi assim que ouvimos o galaico-português e o mirandês, passando pelo português atual, do fado à música de cariz tradicional das Beiras e Trás-os-Montes, passando, paralelamente, pelas influências dos diferentes géneros que foram a sua escola no seu início de carreira (jazz, bossa nova, músicas do mundo ocidental e oriental). Ana repetiu que “este disco é uma viagem entre o Passado e o Futuro”, frase que concordamos. O álbum conta com letras de Ana Laíns, Mafalda Arnauth, Sophia de Mello Breyner, Fernando Pessoa, José Afonso, Sebastião Antunes, Carlos Leitão, D. Dinis, D. António de Bragança, e alguns temas populares de recolha. Nas melodias, a cantora contou com Ivan Lins, Paulo Loureiro, Filipe Raposo, Luís Caracol, Helena Del Alfonso , José Lara Gruñeiro e Fernando Alvim (a título póstumo na Casa da Música ouviu-se a sua voz off). “Fico sempre com a voz embargada quando falo deste senhor”, referindo-se a Fernando Alvim, falecido há dois anos.

Este álbum conta ainda com as participações especiais de Ivan Lins, Luís Represas, Filipe Raposo e Mafalda Arnauth. Mafalda Arnauth que fez uma aparição surpreendente neste concerto, cantando com Lains “Charanga do tempo” e “O mar fala de ti”. Uma interpretação tocante e sentida a duas vozes. 


Com “Roseiral”, de autoria de Jorge Fernando e extraído do seu primeiro álbum, Lains pediu para que o público a acompanhasse e, com a plateia em pé, as palmas não foram negadas. Já de adufe na mão diz “eu acho que sei tocar isto“, e assim faz também o seu acompanhamento enquanto interpreta, para terminar, “Não sou nascida do fado” e “Cantiga bailada”.

Mas o público ansiava mais, aplaudia de pé, e entre vários elogios, Ana canta de novo “A verdade da mentira”, numa belíssima interpretação do tema, que preencheu a sala, e envolveu todos os presentes nesse amor, nessa dedicação, nesse orgulho em ser português.



Alinhamento:
1. Portucalis
2. O fado do tempo morto
3. A verdade da mentira
4. Mi morena
5. Ai flores do verde pino
6. As fontes
7. Fado das horas
8. Sei-te
9. Não sei que desgosta
10. Teresa Torga
11. Sou dual
12. Não sei quantas almas tenho
13. Charanga do tempo
14. Quatro caminhos
15. Roseiral
16. Não sou nascida do fado
17. Cantiga bailada


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Fonte: ESCPORTUGAL / Imagem: ESCPORTUGAL / Vídeo: YOUTUBE

2 comentário(s):

  1. Anónimo08:20

    A Ana Lains é erradamente apelidada de fadista. Ela também é fadista mas é sobretudo uma cantora ou artist com um reportório muito mais vasto. Gosto muito

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  2. Rui Ramos18:07

    Excelente interprete.

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