Manuel Carrageta, presidente da Fundação Portuguesa de Cardiologia, garante que Salvador Sobral está no topo da lista apenas porque "é o doente em todo o país cujo estado inspira mais cuidados e urgência".

Afastado dos palcos desde o início de setembro, Salvador Sobral saiu recentemente da Unidade de Cuidados Intensivos do Hospital de Santa Cruz, em Carnaxide, para a ala de Cardiologia, depois de ter apresentado melhorias. No entanto, apesar de estabilizado, o cantor, que sofre de insuficiência cardíaca, continua à espera de um transplante de coração que tarda em aparecer.

"Se tiver de ser aplicado o coração artificial, será como suporte até aparecer um coração verdadeiro" afirmou Manuel Carrageta, presidente da Fundação Portuguesa de Cardiologia, um dos quatro cardiologistas que falaram com o 'Observador' sobre a insuficiência cardíaca, problema que afeta cerca de 400 mil portugueses. "É uma prioridade clínica, está a precisar mais do que outros. O seu estado pode deteriorar-se rapidamente e haver dano, não só do coração, mas também de outros órgãos. A qualquer momento pode ter uma paragem cardíaca, pode entrar em congestão pulmonar e pode morrer" disse, defendendo que todos os procedimentos legais foram cumpridos e que Salvador Sobral é o doente em todo o país cujo estado inspira mais cuidados e urgência.

Salvador Sobral, e os outros 39 doentes atualmente à espera de um transplante cardíaco, têm de esperar por um dador compatível, sendo que o vencedor do Festival Eurovisão já viu 'cair por terra' mais do que uma oportunidade de transplante: o tipo de sangue do cantor, B, é um dos mais raros, pelo que só pode receber um coração de um dador B ou O negativo. "Não podemos pôr um motor de um Fiat num camião, ou seja, não podemos usar o coração de uma mulher que pesa 50 quilos num homem de 80 quilos. Mas o mais importante é que o tipo sanguíneo seja compatível. O problema do Salvador é que ele é grupo B, o que é raro. Já houve corações que se consideravam adequados, mas o cruzamento de sangues deu positivo, o que significa que eram incompatíveis. Na tal escala das prioridades também está estabelecido que, no caso de haver repetição de cruzamentos de sangue positivos, o doente passa a ter um nível ainda mais prioritário dentro do grau em que está", explica o diretor do Serviço de Cirurgia Cardiotorácica e Transplantação de Órgãos Torácicos do CHUC, Manuel Antunes.

"Há uma escala de graus de urgência de 1 a 6: se o doente já está internado para fazer tratamentos para fortalecer o coração e não há resultados, passa para o grau 5; se tem de ser ligado a um ventilador passa a 4; se tem necessidade de um ECMO [Extra Corporeal Membrane Oxygenation, uma bomba externa que através de dois tubos procede à recirculação do sangue do paciente] ou de assistência ventricular interna passa para grau 2. O grau 1 está reservado para os doentes que estamos já a operar e estão ligados à máquina ou que sofrem de uma rejeição hiperaguda. Praticamente não existem casos destes”, explicou Manuel Antunes, garantindo que Salvador Sobral é o único utente em grau 2, "Os centros de transplantação foram contactados para que o Salvador, que não se enquadra na escala, pudesse ser considerado doente de grau 2. No país será o único. O primeiro coração a aparecer será para ele".

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Fonte: Observador / Imagem/Vídeo: Eurovision.tv

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