[ZONA DE DISCOS #115] Justyna Steczkowska - "Maria Magdalena. All is One"

Todas as semanas no ESCPORTUGAL, a crítica aos álbuns editados por artistas que participaram no concurso Eurovisão da Canção e/ou seleções nacionais ao longo dos anos. 
Esta semana, a análise recai novo disco de Justyna Steczkowska.
O responsável da rubrica é Carlos Carvalho.


Lançamento: 22 de fevereiro de 2019
Nota: 8,5/10
Se em 1995 Justyna Steczkowska apresentou no palco de Dublin uma proposta atípica para o mercado de então, muito mais estranha era essa mesma produção para o campeonato eurovisivo. Como acontece com quase tudo aquilo que se reveste de carácter pioneiro, a aceitação em massa não é imediata e "Sama" não conseguiu escapar a esse mau presságio.
Se a sua sonoridade continua muito própria, sendo os ingleses Portishead  dos poucos nomes a fornecer uma comparação popular para muito do seu trabalho, Justyna é extremamente minuciosa no que ao pormenor visual diz respeito. Com um casamento perfeito entre exploração sonora e arte visual, algo que muitos poucos artistas efetivamente conseguem – Björk, mais quem? – Steczkowska não só continua a ser relevante no mercado polaco, como persiste na sua investida criativa, indo contra as ditaduras radiofónicas.
Justyna Steczkowska tem apresentado ao longo dos anos um equilíbrio reconfortante entre toadas trip hop e inspirações ora mais jazzísticas, ora mais electrónicas, sempre em registos predominantemente melancólicos (“Sama”, 1995), eufóricos ("Grawitacja", 1996) e solenes (“XV”, 2012).
“Maria Magdalena. All Is One”, o novo disco (#31 na tabela de vendas polaca), carrega tanto de simbólico como de desafiador. Se a figura a que metaforicamente recorre traz já uma carga que é impossível negar, o universo sónico uma vez mais transcende a esmagadora maioria dos registos discográficos a que temos acesso. Inserindo-se de modo genérico no campo electrónico, “Universe”, uma magnífica introdução electrónica ambiental, prepara-nos para os momentos seguintes que, em termos de beleza, conseguem superar a referida abertura, encontrando o seu expoente máximo em “Trust”.
O tema promocional “Ave (no control)” é provavelmente do mais pop que Justyna já gravou em toda a sua carreira (convém não esquecer que pop é um espectro abrangente) e embora não destoe por completo do restante corpo de canções,  acaba por não ser bem exemplificativo do conteúdo do novo álbum. Um álbum que de não só é aprazível ao ouvido, como é desafiador e revigorante em termos artísticos.
Tal como um bom livro e um bom filme, este disco deve ser ouvido várias vezes de modo a permitir encontrar pormenores que possam passar despercebidos nas audições anteriores. Um registo que, no entanto, peca pelo uso excessivo de inglês. O erro não reside no facto da língua inglesa em si, mas si pelos textos não serem do mesmo nível sónico da nova oferta de Justyna Steczkowska.
“Maria Magdalena. All is One” é para ser incluído nos dos melhores do ano, e não falamos só do terreno eurovisivo.

Temas promocionais
Ave No Control "Maria Magdalena" (Official Music Video)

 

Temas destacados por Carlos Carvalho

 “Trust”

Alinhamento
Universe
All is
Trust
Pantheon
Where are you, Sophie?
Ave (no control)
Female
Pilgrimage
Coming back
Asking me, asking you
Crystal Children
Zen

 

A ver

I′m in Justyna Steczkowska′s music video Ave No Control behind the scenes

Pode ouvir o disco AQUI.
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Fonte: OPINIÃO CARLOS CARVALHO / Imagem: GOOGLE / Vídeo: YOUTUBE

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