[ZONA DE DISCOS #76] Conan Osiris - "Adoro Bolos"

Todas as semanas no ESCPORTUGAL, a crítica aos álbuns editados por artistas que participaram no concurso Eurovisão da Canção e/ou seleções nacionais ao longo dos anos. 
Esta semana, a análise recai em "Adoro Bolos" de Conan Osiris.
O responsável da rubrica é Carlos Carvalho.


Lançamento: 30 de dezembro de 2017
Nota: 7/10
É o novo protegido pela crítica e o apoio popular está a crescer de tal modo que o próximo Festival da Canção ameaça ser apenas uma mera formalidade para enviar Conan Osiris a Israel – e acredito que assim será!
Toda a euforia popular / eurovisiva em torno de “Telemóveis”  deixa pouco espaço receptivo à crítica, sendo quase proibido e blasfemo qualquer comentário menos efusivo acerca da canção, merecendo o autor (do tal comentário) a excomunhão do círculo eurovisivo.
Reconhecimento merecido, ou redenção de eurofã que desta vez quer ficar bem na fotografia e apoiar o “salvador” desde o início -, a verdade é que este “novo festival” está no caminho certo rumo à essência que nunca devia ter perdido, ser uma montra da moderna música portuguesa. E este ano não é exceção.
“Quero bolos” foi enaltecido pela crítica, sendo considerado, por exemplo, como o segundo melhor álbum nacional 2018 para a Blitz, ou até mesmo como o número um para a “Comunidade, Cultura e Arte”.
O álbum de Conan Osíris é uma sumptuosa receita sónica, assente numa estratégia de puro delírio artístico e singularidade expressiva, rejeitando qualquer sinal de timidez na hora de assumir as suas influências, tentando sempre ir um pouco mais longe do que aquilo que já foi feito. A voz de Osiris, também aclamada e comparada aos grandes da música portuguesa, é a cereja no topo do…. Bolo!
Por certo não é fácil categorizar a música de Conan Osiris, mas o vasto espectro alternativo poderá ser um bom ponto de partida para uma oferta musical que tem asas para voar longe a agradar, numa primeira instância, apreciadores do venezuelano Arca ou até mesmo Björk.
Mas será “Adoro Bolos” assim tão imaculado? Não! Se “Borrego”, o tema inicial, intriga-nos instantaneamente, quando chegamos a “100 paciência”, “Barcos (barcos)” e “Nasce nas Acucenas”, instala-se a sensação de “mais do mesmo” e homogeneidade excessiva.
Ainda do lado menos positivo, as letras são, sem dúvida, o ponto fraco. Sim, as letras são parte integrante da mensagem de um artista! E se muitos já apelidam Conan Osiris de génio, então o termo génio terá cedido no grau de exigência. Por mais sentidos forçados que queiram atribuir, “Eu 'tou me a cagar  'Pa celulite // Pede sanita infinita Que o teu cu não tem limite yaya” muito dificilmente será obra de génio, ou então génios há muitos.  Passagens como “Eu vou-me amandar do titanique (Se tu não vieres)” facilmente consegue converter letristas crucificados pelos pseudo-intelectuais em autênticos Saramagos.
 Como Conan está em modo de adoração, tudo o que ele faz é sinal de génio e parece que se perde qualquer sentido crítico. Como um todo, estamos perante um produto sólido – e que tem potencial para fazer mossa internacional - mas que tal admitirmos uma genialidade em ascensão e, como tal, a precisar ainda de algum trabalho, em vez de embarcarmos em fanatismos?

Temas promocionais (Não por ordem de lançamento)
"Borrego”

 “100 paciência”

Tema destacado por Carlos Carvalho: “Ave Lagrima” e “Obrigado”

Alinhamento
Borrego
Celulite
Adoro bolos
EIN ENGEL
100 paciência
Barcos (barcos)
Nasce nas açucenas
Ou não escangalhas
Nada Nada Nada
Titanique
Ave lagrima
Obrigado

A ver: Conan Osiris | Ao vivo na Antena 3 | Antena 3


A ver: RBTV: Entrevista com Conan Osiris


Pode ouvir o álbum aqui: 

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Fonte: OPINIÃO CARLOS CARVALHO / Imagem: GOOGLE / Vídeo: YOUTUBE

11 comentários:

  1. Anónimo21:19

    10/10 <3

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  2. Anónimo21:27

    Concordo totalmente com o último ponto, o Conan têm uma genialidade, mas precisa de maturação.
    Ele é muito comparado a António Variações, por partilhar com ele a característica de misturar música popular com música erudita, porém o Conan ainda não é o António Variações que vive no imaginário português com a "Música do engate" ou "É para amanhã", ele é mais o António Variações de "Toma o comprimido", um artista irreverente mas com um grande potencial.
    No entanto eu já vejo uma certa maturidade a surgir nas letras de "Adoro Bolos", "Barcos" e "Ein Engel", sendo que esta última têm sido alterada nos concertos ao vivo. O Conan abandonou o instrumental original, para algo mais suave, a favor da mensagem da música, dando força ao sentimento de solidão que se oculta por trás das palavras. Mesmo assim penso que o Conan vai ser um artista que irá sempre dividir o público, enquanto que uns vão ouvir "Ein Engel" e pensar na frase "À espera dum beijo até que a terra acabe", outros vão pensar na frase "À espera dum anjo pa me levar ao kebab" e isso não é mau, ele próprio não imputa um único significado à sua música e defende que faz música para rir, chorar, tomar banho, dançar, etc, e no fundo ambas as frases significam a mesma coisa.

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    1. Anónimo22:19

      Queria corrigir-me: em vez de dizer ambas as grases significam a mesma coisa, queria dizer-me ambas as frases podem significar a mesma coisa.

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  3. 11/10 e Celulite é a melhor sem dúvida!

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  4. Anónimo22:25

    Uma coisa é certa ele procura ser ele mesmo, sabendo que ele tem imensas inspirações e consegue ser único! As letras para mim não são problema, mas gostava de ver o trabalho dele ainda a evoluir até à genialidade. A canção Amália dele é linda! Apesar de não estar nesse álbum. Independentemente do resultado do FdC ou quem sabe também o ESC GO CONAN!

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  5. Anónimo22:25

    Para tudo!!! O-M-G!!!
    O Iran Costa gosta da música "Telemóveis" do Conan Osiris!!! XD

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  6. Anónimo23:22

    Parabéns pela independência com que escreveu a sua crítica. Uma canção é um conjunto de letra e música, que chegam ao público com uma interpretação sentida (e por "sentimento" tanto pode entender-se a melancolia como a alegria, a raiva ou a ironia). Infelizmente há temas e interpretações deste artista que são quase um "copy paste" (a par, sem dúvida, de outras mais originais e "arriscadas") - omitir isso não seria idóneo e a sua análise - há que louvá-lo - é séria.

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  7. Anónimo00:30

    Gostei mto da análise, obg. Acabou por me ajudar a definir aquilo q eu acho disto td... desta onda toda à volta do Conan q desde o verão ando a tentar perceber/inferir. A ver vamos a maturidade q ganha e como a aproveita. Naturalmente espero q a aproveite bem, em prol da sua carreira e da música portuguesa. Por fim, acho "Telemóveis" uma evolução positiva e, para mim, a melhor canção de todas para nos representar no Festival da Eurovisão.

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  8. Anónimo12:00

    Boa análise, mas discordo plenamente do ponto sobre os eurofãs. Basta olhar para os comentários deste site para ver que o apoio ao Conan é tudo menos unânime. Aliás, ao contrário do que diz, não vejo grande diferença de como foi com o Salvador.

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  9. Anónimo12:24

    O álbum foi nitidamente incompreendido pelo autor da crítica. As letras, com frases banais e contemporâneas, são no fundo metáforas de um desgosto de amor. Isso está implícito em todo o álbum. É pouco falam da mistura de estilos m<sicais e da utilização dos samples.

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  10. Quanto à crítica nada a dizer. É a opinião pessoal do autor e defendida enquanto tal.

    Dispensava as constantes boquinhas a quem defende a música a concurso no FdC. Acho dispensável e manipulador.

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