[ZONA DE DISCOS #51] Simone & Charly Brunner ‎– "Wahre Liebe"


Todas as semanas no ESCPORTUGAL, a crítica aos álbuns editados por artistas que participaram no concurso Eurovisão da Canção e/ou seleções nacionais ao longo dos anos. Hoje o destaque vai para o mais recente álbum de Simone (Áustria, 1990).
O responsável da rubrica é Carlos Carvalho.




Lançamento: 23 de fevereiro de 2018
Nota: 7,5/10

       Simone (Áustria, 1990) está literalmente no top e definitivamente há estranhos fenómenos eurovisivos. Se há artistas para os quais a experiência eurovisiva constituiu os únicos três minutos de fama mas que mesmo assim são venerados por uma percentagem significativa de euro fãs mesmo quando a sua contribuição eurovisiva é de qualidade duvidosa, não dando qualquer outro contributo para a indústria musical, há outros que constroem uma carreira ao longo de vários anos e que são completamente ignorados por fãs e media eurovisiva, como se tivessem terminado a carreira após o concurso internacional. Simone pertence à segunda categoria.


Simone lançou o primeiro single há precisamente 30 anos, em 1988, e com apenas 20 anos, altura em que participa no Concurso Eurovisão da Canção de 1990, lança o álbum de estreia “Feuer Im Vulkan”. Desde então, foram vários os álbuns lançados, todos com sucesso moderado numa carreira construída degrau a degrau. O auge surge após os 40 anos de idade, com a edição de “Pur” (2012), produzido por David Brandes (Gracia e Vanilla Ninja, ESC 2005), chegando não só ao #3 do top de vendas austríaco, mas também ao #33 na Alemanha e #88 na Alemanha. O segundo single de “Pur” foi “Ich Denk Noch An Dich”, um dueto com Charly Brunner, acabando por ser a ignição para o duo artístico Simone & Charly Brunner que ganhou o “Amadeus Austrian Music Awards 2014” para melhor Schlager (pelo vistos não há o separatismo elitista das nossas cerimónias) e em 2018 lançou aquele que é já o terceiro álbum em conjunto, “Wahre Liebe”, alcançando o #1 na lista de vendas austríaca, #12 na Alemanha e #69 na Suiça.

       Simone sedimenta, assim, o seu lugar na primeira divisão do mundo Schlager, com registos sólidos e longe dos recentes lançamentos embaraçosos como os de Nicole (Alemanha, 1982) ou WIND (Alemanha, 1985, 97 e 92). O tema “Wahre Liebe” é um clássico de Simone, lançado originalmente em 1994, e serve, numa versão revisitada, de aperitivo para um disco que é pura e simplesmente Schlagger, apoiado nas fortes melodias de Christian Bömkes alinhadas a batidas com alguma contemporaneidade fornecidas pelo produtor Alex Wende. Apesar do sucesso, Charly Brunner é a parte fraca deste duo, estando vocalmente bastante limitado e sendo facilmente eclipsado por Simone. Quanto a Simone, continua, aos 48 anos de idade, extremamente bonita e atraente, não caindo em desesperadas sessões fotográficas para demonstrar a sua beleza.

    “Wahre Liebe” vale pelo objetivo amplamente cumprido, melodias schlagger fortes e com boa produção e pela voz e presença de Simone. Do disco já foram lançados dois vídeos, “Wahre Liebe” e “Nachtschwärmer”, bem como quatro vídeo-audio oficiais: “Die Tage enden nicht am Horizont” (#6), “Kompass für mein Herz” (#9), “Das große Los”(#3) e “Shanana” (#12). Como sugestões, destacamos “Wahre Liebe”(#2) e “Die Tage Enden Nicht Am Horizont” (#6).

 Vídeo oficiais:    
Wahre Liebe
   

Nachtschwärmer

 Alinhamento 
 Nachtschwärmer 
 Wahre Liebe 
 Das Große Los
   
24 
Stunden 
 Wenn 
Die Liebe 
Geht 
 Die Tage Enden Nicht Am Horizont

Uns Gehen Die Träume Nie Aus Gelegenheit Macht Liebe 
 Kompass Für Mein Herz 


 Wenn Es Nacht Wird In Paris 
 Das Leben Ist Ein Rock'n'Roll 
Mit Dir
   
Shanana (Lass Uns Leben) 

 Unser Lied Nachtschwärmer (Radio Version) 
 Das Große Los (Radio Version) 

 A ver:    Simone & Charly Brunner - Wahre Liebe (Heimlich! Die große Schlager Überraschung 17-3-2018)
   

 Simone Stelzer - 06 - Wahre Liebe – 1994 


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Fonte: OPINIÃO CARLOS CARVALHO / Imagem: GOOGLE / Vídeo: YOUTUBE

1 comentário:

  1. Anónimo23:27

    Excelente texto e - mais ainda - excelente rubrica do ESCPortugal. De facto, parece que em Portugal fica mal apreciar este tipo de música, com refrões que ficam no ouvido. Substituiu-se o termo música ligeira por "nacional-cançonetismo", depois por "música" pimba", termos pouco simpáticos e, no último caso, cunhando uma certa vulgaridade nas letras que nunca existiu em canções de música dita ligeira. No espaço germânico a cantora Helene Fischer (porta-voz dos votos do ESC 2014), entre outros, modernizou este estilo de música, credibilizando-o. Entre nós, só parece ter valor quando algum artista recente e bem querido dos "media" decide incluir algumas destas canções no seu reportório. Carminho canta fados-canção dos anos 60 e 70 (As Pedras da Minha Rua, A Bia da Mouraria) e é considerada representante do novo fado; Mariza canta "Rosa Branca" e diz que pertence ao folclore, omitindo os nomes dos autores (José Guimarães e Resende Dias) - a criadora (Florência) é hoje ignorada, apesar de uma carreira e uma postura profissional sempre dignas; Amália foi severamente criticada por ter cantado "O Senhor Extraterrestre" - Gisela João canta-o e é elogiosamente chamada "uma artista irreverente". Realmente há muito a rever em termos de preconceitos - mesmo quando já parece ser tarde...

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