Eládio Clímaco: "Os produtores não gostaram e nunca mais fui fazer a Eurovisão"


Eládio Clímaco revelou a Daniel Oliveira no programa Alta Definição que a pior recordação que guarda da sua carreira foi a locução do Festival Eurovisão 2006: "Os produtores de então acharam que eu não devia ter opinado daquela maneira para com uma canção vencedora".

Apresentador de dez edições do Festival da Canção, Eládio Clímaco foi o convidado do programa Alta Definição, apresentado por Daniel Oliveira, e transmitido esta noite. Rosto icónico do Festival da Canção e dos Jogos Sem Fronteira, Eládio Clímaco recordou, com mágoa, a última experiência que teve com o Festival Eurovisão: "aconteceu relativamente há pouco tempo", respondeu sobre qual a pior coisa que lhe fizeram, "Eu disse num Festival da Canção, quando ganharam os Lordi, que eram uns monstrinhos... umas coisas esquisitas. Eu disse na cabine que eram efeitos técnicos... e que a canção não existia. No final disse «Pronto lá ganharam os monstros» e dei a mão à palmatória. Os produtores de então acharam que eu não devia ter opinado daquela maneira para com uma canção vencedora e nunca mais fui fazer a Eurovisão".

Posteriormente, durante a conversa, Daniel Oliveira relembrou que Eládio Clímaco foi o primeiro apresentador a subir ao palco do Festival Eurovisão, em 1980, questionando o emblemático apresentador sobre a realização do certame em Portugal: "Sinto uma alegria e ao mesmo tempo uma tristeza... Eu fiz a Eurovisão desde 1976 a 2006 e nunca consegui trazer a Eurovisão para Portugal. Agora apareceu uma voz fantástica e uma canção linda a trazer o primeiro prémio. Fico contente contente... mas também triste porque não aconteceu comigo".


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Fonte/Imagem/Vídeo: SIC

8 comentários:

  1. Anónimo22:28

    A entrevista foi de uma humanidade desarmante... deixou-me em lágrimas.
    Todos nós chegaremos a velhos (se não morrermos antes) e o Eládio é o exemplo vivo de alguém que dedicou a vida toda à carreira e, quando essa carreira terminou (quando o puserem de lado, talvez por estar ultrapassado), a vida deixou de fazer sentido.

    Respeito muito a mágoa dele.

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  2. Rui Ramos09:23

    Adorei a entrevista mas vi a com um.no na garganta. A rtp fez mal: um comentador nao deve ser imparcial. O terry wogan da bbc esteve montes de vezes no esc e sempre comentou de forma sarcastica. Tebe direito ao grau de SIR pela Rainha de Inglaterra. Veja se a diferença

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    1. Anónimo09:45

      Concordo! O Eládio tem uma voz muito bonita e imediatamente reconhecível. Merecia outro tipo de tratamento da parte da RTP!

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    2. Anónimo23:55

      Infelizmente o sarcasmo é uma estilo de comunicação muito presente na cultura inglesa e que sempre caracterizou a relação dos Ingleses com tudo o que é Europeu: a Eurovisão sempre foi o alvo mais fácil de lançar essas bolas de barro sarcásticas, porque a BBC nunca acreditou (e não acredita) que a Eurovisão tenha verdadeiramente alguma vez sido um concurso musical no sentido genuíno do termo, e como tal, ridicularizar o certame serviu de forma de entretenimento aos olhos do público britânico que sempre viu o concurso com olhos sarcásticos. O Terry Wogan foi a pessoa que alimentou essa visão quer tivesse sido justo ou não: é a leitura cultural de um Reino Unido sobre o continente Europeu.

      Portugal é o pais do "tem de parecer bem" no qual as opiniões mais francas e honestas sempre foram castradas no âmbito da televisão pública porque ter uma opinião "parece mal" e quando algo "parece mal" que vão pensar os vizinhos do andar de cima? Pensando a nossa forma de estar na vida sempre foi uma tentativa frustrada de sempre querer "parecer bem" escondendo imenso lixo debaixo do tapete e que nunca admitimos porque "parece mal". O Eládio foi honesto e disse o que pensava - mas o Eládio não é o Terry Wogan - e a RTP não é a BBC. Eles podem ser sarcásticos. Nós continuaremos a fazer tudo para "parecer bem" como por exemplo a Eurovisão deste ano ... e para bom entendedor ...

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  3. Anónimo10:17

    Meus amigos, por mais pungente q tenha sido a entrevista, ele dexou bem e explícito q esteve até aos 70 e q a RTP ainda o deixou ficar mais dois anos. As pessoas têm de ter consciência qdo devem deixar cair o pano e retirar-se. A velhice chegará a todos. N é fácil, mas ele terá um nível socioeconómico e de conforto q muitos da idade dele não terão no nosso país.

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  4. Anónimo11:34

    Aos 70 anos está mais que na idade de ir para a reforma - e de certeza que não está na miséria.
    Os comentários dele durante essa eurovisão foram vergonhosos e ele próprio disse "eu já não percebo nada disto", portanto ainda bem que ele estava ciente, estamos todos de acordo. Há que dar lugar aos mais novos.

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  5. "Eu fiz a Eurovisão desde 1976 a 2006"?! Então, entre outros, José Corte-Real (1977), Fialho Gouveia (1979, 1982, 1984, 1986), Maria Margarida (1987, 1996), Margarida Marcês de Mello (1998, 2003), Ana Zanatti (1989), Ana do Carmo (1990, 1991, 1994), Isabel Bahia (1993), Carlos Ribeiro (1997) ou Rui Unas (1998, 1999) não comentaram também? Os últimos programas (de entrevistas a artistas do ESC ou do fado), na RTP Memória, revelavam várias contradições (para não chamar erros...) em termos de datas e dados, algo pouco condicente com a sua experiência televisiva. Que trabalho lhe poderia ser entregue a não ser, talvez, a locução de documentários? Mesmo a outros níveis tem tido intervenções pouco felizes (apoiante - legítimo, naturalmente - que era de Sampaio da Nóvoa à Presidência da República, foi pouco elegante ao comentar a vitória de M. Rebelo de Sousa, por exemplo). Lamenta-se, claro, a solidão e a tristeza, mas parece estar-se perante uma pessoa que manifesta pouca objetividade em relação à sua situação de ex-profissional de televisão e releva demasiado a amargura que sente. Oxalá encontre formas de ocupar o tempo, reaparecendo sempre que for caso disso, com o sorriso e a simpatia que se lhe conheceram.

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  6. Anónimo20:06

    Ouvi e vi a entrevista com muito cuidado! pergunto, afinal o que se terá passado para estar tão magoado? que se saiba foi e continua a ser bem tratado e respeitado. De facto a RTP deixou-o trabalhar mais dois anos o que foi muito bom. A idade chega a todos nós e não há duvidas que trabalho é trabalho....quando nos afastamos é o que acontece a todos nós!! Cada um segue a sua vida e com os amigos que são mesmo amigos o que lhe falta neste momento é uma " Familia " que não construiu!! Pelo que disse, os pais não o deixaram voar....cada um é livre de cuidar de si e tomar as redeas da sua própria vida. Afinal o que falhou para que o nosso querido Eládio esteja tão magoado? De facto " ele " está mesmo doente, e confessou.

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