Geórgia recebeu, pela primeira vez, o Festival Eurovisão Júnior, numa edição que ficará marcada com o fracasso da votação online. Portugal regressou ao concurso com o desejo de fazer a dobradinha, mas a vitória rumou à Rússia.

Com o intuito de inovar a votação e de chegar a um maior público, o Festival Eurovisão Júnior 2017 apresentou, pela primeira vez nas lides eurovisivas, a votação online, o que se revelou um total fracasso...! Portugal regressou ao concurso, mas não conseguiu escapar aos últimos lugares, enquanto as audiências caíram um pouco por toda a Europa...outra vez. Por outro lado, a vitória rumou à Rússia que apresentou, em Tbilisi, uma das interpretações mais poderosas da história do concurso.

Analisemos então o mais importante: os dezasseis temas participantes na edição de 2017!

Se os primeiros acordes de "I Wanna Be A Star" anteviam um tema capaz de prender as atenções durante os três minutos, bastou chegar ao refrão para ver que estávamos enganados. O nervosismo foi rei e senhor na interpretação de Nicole, que levava uma candidatura que fracassou em tudo o que havia para fracassar... Nem a borboleta à Mans Zelmerlöw ou as batidas de tambor a relembrar (ou a copiar?!) Doris Dragović safou o Chipre do último lugar. Já vimos a ilha a fazer muito melhor e esperamos que, para o ano, estejam bem melhor... Classificação mais que merecida.

Seguiu-se a Polónia no alinhamento com a mesma fórmula do ano passado: uma balada com uma grande composição e extremamente bem defendida. Alicja Rega esteve irrepreensível em palco, tendo uma das interpretações mais seguras da edição. Foram três minutos bastante cativantes, mas que faltou algo para se poder destacar ainda mais... Esperava uma melhor pontuação do voto popular, mas a classificação geral ficou dentro do esperado e do merecido: 8.º lugar, a melhor classificação da história do país.


A grande surpresa do Festival Eurovisão Júnior 2017. Com uma canção bastante atual e moderna, a Holanda soube mexer com a Europa e arrecadou a maior pontuação da tão polémica votação online. A interpretação dos quatro jovens foi bastante convincente, tendo sido uma das atuações mais bem conseguidas do ano (talvez a melhor se tivermos em conta o contexto infantil do concurso). Trocaria a sua posição com a da Geórgia. Bravo Holanda!

A Arménia chegou a Tbilisi como uma das grandes favoritas à vitória do concurso: uma canção bastante cativante e uma interpretação bastante bem conseguida de Misha... algo que não se repetiu em palco. Depois de uma atuação repleta de "vai e vens" e de "para a frente e para trás", o cantor, que deu o seu melhor durante os três minutos, chegou completamente KO ao fim da canção. Uma ideia boa mas completamente falhada... Sem esse exagero todo, provavelmente teria chegado mais longe. Em jeito geral, a Arménia desiludiu-me em palco.

"I Am the One" era uma das minhas favoritas, daí as minhas expectativas estarem bastante elevadas para a candidatura da Bielorrússia. Sem grandes exageros em palco, Helena Meraai esteve bastante bem durante a interpretação, mas falhou algo... No final ficou uma sensação de "podia ter sido melhor, mas não sei o que havia a melhorar". Tendo em conta os restantes participantes, o quinto lugar foi justo para a anfitriã da edição do próximo ano.




A canção do nosso país é sempre um bocadinho "nossa" e como tal, é muito complicado ser-se imparcial. Apesar de ser das poucas com uma temática infantil, Portugal levou a Tbilisi uma canção bastante aquém do que a competição e, sobretudo, a Mariana Venâncio pediam e mereciam. E a Mariana Venâncio foi, sem dúvida alguma, o talismã da nossa candidatura: além do carisma e da simpatia que a caracterizam, a jovem conseguiu fazer uma grande interpretação de um tema que, claramente, não lhe era adequado. Esperava (melhor dizendo, gostava) um melhor resultado. Acima de tudo: Parabéns Mariana Venâncio!

Seguiu-se a Irlanda no alinhamento com a única canção composta pelo seu intérprete. "Suile Glasa" nunca me agradou e nem mesmo depois da atuação consegui mudar de ideias... Muireann McDonnell esteve bem em palco, mas a canção não dava para mais: foram três minutos de uma seca descomunal, desculpem-me os fãs da canção. Na minha opinião, foi claramente a pior das três participações irlandesas no concurso. Classificação mais que merecida... Menos um pontinho e estava óptima.


A ARJ Macedónia seguiu a receita do ano passado (e a que utilizou em Kiev) e levou a Tbilisi uma das canções mais arrojadas da edição, sendo uma proposta mais ajustada ao Festival Eurovisão do que à versão infantil. Longe de ter das melhores vozes da edição, Mina Blažev esteve bastante capaz em palco e deu o que a canção merecia, tendo sido uma das atuações que melhor resultaram na televisão. Na minha opinião, a ARJ Macedónia teria figurado no top 10 da edição, mas nunca acima da 7.ª/8.ª posição.

Com o recorde de vitórias na competição e a jogar em casa, a Geórgia era uma das eventuais candidatas ao título... mas nunca pensei que estivesse a 3 pontos de conseguir a 4.ª vitória do país na competição infantil. "Voice of the Heart" é a típica canção bonita que, quando bem interpretada, arrecada facilmente uma grande pontuação do júri, o que veio a acontecer. Não quero com isso dizer que não gostei da atuação de Grigol Kipshidze: simplesmente, achei a candidatura bastante sobrevalorizada pelo júri. Colocava-o fora do pódio da edição.

A Albânia foi outro dos países que apostou na canção bonitinha para o Festival Eurovisão Júnior 2017. "Don't Touch My Tree" foi bem defendida, mas pedia, claramente, uma componente cénica em palco que foi completamente inexistente, tornando-se na canção mais esquecível da edição. Foi uma das propostas mais fracas da edição e, se não fosse o júri, teria sido a última classificada, algo que também não merecia...



Minutos depois de ouvirmos a cantora albanesa a pedir para não tocarem na sua árvore, eis que, por cúmulo, a cantora da Ucrânia começa a interpretação em cima de uma. Ironias de fora, a Ucrânia voltou a apostar forte na competição, mas a atuação deixou muito a desejar... A mensagem que "Don't Stop", que no videoclip estava bastante presente, foi perdida em palco, perdendo, a Ucrânia, uma boa oportunidade de chegar aos lugares cimeiros. Espera muito melhor da Ucrânia...

Antes da gala em direto, Malta era um dos países que eu via como possível vencedor da edição. Com a canção mais inquietante do ano (era um 'plágio' descarado... eu sei), Gianluca teve a atuação mais divertida e contagiante do alinhamento, mas parece não ter sido suficiente para convencer os jurados... Não digo que fosse uma justa vencedora, mas colocaria a canção de Malta bem acima do nono lugar da geral. Uma das poucas canções que lembrou que o Festival Eurovisão Júnior (ainda) é um concurso de crianças.





Ao longo dos anos, tanto na Eurovisão como na Eurovisão Júnior, a Rússia tem mostrado que joga num campeonato bastante diferente dos restantes países e só não tem uma série de vitórias em ambos... devido à política. Mas em Tbilisi, a política ficou de fora: Polina teve A interpretação do ano. Não era a minha favorita do concurso, mas a Rússia apostou tudo em "Wings": uma interpretação digna das maiores vedetas que conhecemos, uma encenação pensada ao pormenor e uma canção merecedora do título de vencedora da Eurovisão. Que grande atuação Rússia! Vamos ouvir falar bastante de Polina no futuro...

Apontada aos últimos lugares da classificação, a Sérvia mostrou, uma vez mais, que os prognósticos só se fazem no final do jogo. Em tons de brincadeira, Irina Brodic e Jana Paunovic recordaram a temática do concurso infantil, tendo feito uma das atuações mais descontraídas da edição. Que bonito momento de televisão! Uma das surpresas da classificação.




Apesar de continuar contra a participação da Austrália nas lides eurovisivas, desta vez tenho de admitir: que bom é ter a Austrália na Eurovisão Júnior. Uma canção atual, cativante e descontraída, com uma sonoridade bastante fresca e uma atuação irrepreensível, Isabella Clarke deu uma grande lição a muitos cantores que já passaram pelo concurso. Depois do desfile, a Austrália tornou-se a minha favorita da edição. Pena ter ficado tão perto da vitória... Atrevo-me a dizer que a próxima edição do JESC será da Austrália.

A tarefa de encerrar o alinhamento coube a Itália que voltou a apostar na fórmula que lhe deu o bronze na última edição. Contudo, as coisas não correram como previsto... "Scelgo" não tem a força  nem a carga emocional que tinha "Cara Mamma" e a atuação de Maria Fiore passou completamente despercebida. Foi um dos temas que mais perdeu em palco. Melhores tempos virão...




Terminadas as atuações, eis a minha classificação final:

1.º Austrália
2.º Rússia
3.º Holanda
4.º Malta
5.º Bielorrússia
6.º Geórgia
7.º Ucrânia
8.º ARJ Macedónia
9.º Polónia
10.º Sérvia
11.º Portugal
12.º Itália
13.º Arménia
14.º Albânia
15.º Irlanda
16.º Chipre

Ao contrário da última edição, e apesar das mudanças de última hora, o Festival Eurovisão Júnior voltou a ter lugar numa sala longe da sua capacidade máxima, ao contrário do que se viu em Malta: por vezes, é preferível escolher uma sala pequena do que uma arena com grandes lacunas no público. Por outro lado, a votação voltou a repetir os minutos de suspense do Festival Eurovisão, mas esteve longe de ser consensual... esperemos que, para o ano, o sistema será alterado ou, pelo menos, mais bem conseguido.

Apesar da vitória russa, o Festival Eurovisão Júnior segue para Minsk com uma missão que tem sido falhada pelos anteriores organizadores: contrariar a sucessiva descida de audiências. Portugal estará presente (com uma candidatura mais bem pensada, esperamos nós), estando também já confirmada a presença de Bielorrússia, Holanda e Geórgia. Sobre os abandonos e regressos, os próximos meses o dirão... Uma coisa é certa: O Festival Eurovisão Júnior está para durar! 

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Fonte: Opinião / Imagem/Vídeo: JuniorEurovision.tv

5 comentário(s):

  1. Anónimo22:46

    Tenho o JESC gravado na box, só me falta é vontade e coragem para o ir ver :P confesso que com estes comentários fico um pouco sem vontade de ver o JESC.
    Vale a pena ver? Só não quero é perder tempo a ver algo que depois está cheio de baladas e secas dessas... Quais os temas pop?

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  2. Anónimo22:48

    Para mim, a melhor canção era a italiana. Merecia mais pontos...

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  3. Anónimo01:04

    Colocava a Holanda em 1º, a Austrália em 2º e Malta em 3º. As canções deste ano da Rússia, da Bielorrússia, da Geórgia e da Polónia penso que seriam mais adequadas à Eurovisão dos adultos. Penso também que a composição dos júris devia ser apenas composta por crianças/jovens, pois o facto de adultos fazerem parte do júri pode ter feito com que haja esta discrepância entre a votação dos júris e a votação do público. Não nos podemos esquecer que é um concurso infantil e penso que seria mais justo serem crianças/jovens a avaliar as canções.

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  4. A Rússia em vez de ficar em primeiro lugar deveria ter ido parar à cave, não é tema que se apresente num festival destes. Como se trata de um concurso juvenil,o meu ranking tripartido seria este:
    1º Holanda
    2º Itália
    3º Portugal
    Sim, com a soberba interpretação da Marianinha a canção portuguesa até me pareceu uma obra-prima.

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    1. Anónimo17:48

      Idependentemente do que a Russia levasse iam sempre criticar...

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