Na quinta-feira passada, Kiev voltou a engalanar-se para receber a semifinal 2 do Festival Eurovisão 2017. Mais dez candidatos estão na luta pelo título, numa gala que promete ser arrasadora... e com muito vestido branco e coro escondido.

Ainda a Europa recuperava da semifinal 1 do Festival Eurovisão, já Kiev se preparava para eleger mais dez finalistas da competição. E depois de uma abertura bastante aquém de um certame como o Eurovision Song Contest na primeira semifinal, a organização esteve bastante bem na escolha do momento musical da gala de quinta feira: a cultura ucraniana e os sucessos eurovisivos fundiram-se num só espetáculo. É caso para dizer: Ukraine, 12 points!

Mas vamos ao que mais importa: as canções!

E a 'fava' de abrir as hostilidades da segunda semifinal calhou à Sérvia. Bem... foi a Sérvia, mas podia ter sido um outro qualquer país a levar esta canção. Longe vão os tempos em que a Sérvia apostava fortemente na sua cultura e nos seus sons no Festival Eurovisão: hoje levam canções sem qualquer identidade. Não digo que "In Too Deep" seja uma má canção, muito pelo contrário, simplesmente de sérvio não tem nada. Tijana Bogićević esteve melhor do que nos ensaios, mas faltou algo que cativasse as pessoas a votar... De um modo geral gostei, mas dificilmente a colocaria nos finalistas desta semifinal.


Com um dos temas mais descontraídos e animados da edição, seguiu-se a Áustria no alinhamento. E é impossível ficar indiferente a "Running On Air". A alegria emanada por Nathan Trent foi contagiante e decerto foi um dos factores que levaram à adesão a esta canção. O cantor também esteve bem vocalmente e com uma atuação bastante bem planeada e projetada colocou novamente o país na rota da Final. Foi um dos meus temas favoritos da semifinal e desengane-se quem acha que vai lutar para escapar aos últimos lugares... a Áustria poderá ainda ser uma das agradáveis surpresas da edição.

Admito que a canção da ARJ Macedónia nunca me cativou... Contudo, há que enaltecer a grande atuação de Jana Burčeska. Apesar de não ter grandes expectativas, a cantora conseguiu surpreender-me com uma boa interpretação (pudera... com cinco backing singers escondidos) e uma atuação bastante capaz e dentro do esperado para a canção. Continuo sem ser grande fã de "Dance Alone", mas ter-lhe-ia dado um lugar dentro do lote de apurados. Contudo, não acredito que tenha sido dos temas mais votados da noite...

Depois de mil e uma tentativas, eis chegado o momento de Claudia Faniello poder brilhar no palco da Eurovisão. No entanto, aquela que é uma das melhores cantoras a concurso este ano merecia um tema muito melhor para representar Malta no Festival Eurovisão. "Breathlessly" é um tema demasiado estático, sem grandes pontos de interesse sem ser o refrão e que, infelizmente, não deixa Claudia mostrar todo o seu potencial. Infelizmente, ter uma grande voz não é suficiente para singrar no concurso... Deve ter sido uma das candidaturas mais votadas pelo júri, mas deve ter ocupado os últimos lugares do televoto. Espero ver a Claudia Faniello novamente na Eurovisão, mas desta vez com uma canção à sua altura.

A Roménia traz o meu grande guily pleasure da edição. Apesar da mistura entre o hip-pop, o pop e o tirolês (sendo este último um dos géneros que mais me fascina) não ser propriamente a mais bem conseguida, "Yodel It" tem a proeza de me pôr a trautear a canção durante toda a interpretação. Mas nem tudo aqui são rosas: Que cenários são aqueles? E para que servem mesmo os canhões? Preferia mil vezes ver uns Alpes Suíços ou uma Heidi e as suas ovelhas em palco do que aquilo... Foi, claramente, a canção mais votada pelo público na semifinal e vai ser uma das surpresas da votação de sábado.


Seguiu-se a Holanda no alinhamento. Dez anos depois da participação pelo Festival Júnior, as agora intituladas OG3NE, cresceram (e de que maneira) e estão prontas a fazer furor no Festival Eurovisão. "Lights and Shadows" está longe de ser a melhor canção a concurso mas é, sem qualquer dúvida, uma das canções que mais cresceu em palco. As três irmãs estiveram irrepreensíveis e fizeram uma das melhores interpretações da noite. Mereceram, sem dúvida, o apuramento para a Grande Final, onde deverão estar na luta pelo top10 da edição. Nota mais que positiva para a Holanda que, nos últimos cinco anos, tem apostado nos seus melhores artistas para o Festival Eurovisão! Continuem!

Apesar de ser apreciador de alguns temas inspirados na etnia cigana e em sons orientais, não consigo gostar de "Origo". É notória a sua grande qualidade e acredito que seja bastante cativante e bem construída para os seus apreciadores, mas não consigo mesmo gostar da Hungria. Joci Pápai esteve bastante bem em toda a interpretação e numa edição onde o slogan é Celebrate Diversity tem toda a lógica em ter estado no lote dos finalistas. Simplesmente, não gosto... 


A viver a pior série de resultados da sua história, a Dinamarca resolveu apostar tudo para Kiev... talvez até em demasia. "Where I Am" era um dos temas mais fortes da noite com uma das melhores cantoras da noite, mas a interpretação pareceu-me um tanto... gritada. Começando nos coros: aquela parte inicial assustou-me... Em jeito geral gosto, mereceu o apuramento sem qualquer dúvida e merece um bom resultado na Grande Final, mas nada mais do que isto. Pode ser que as coisas corram melhor no sábado...


É ainda o país detentor do maior número de vitórias no Festival Eurovisão: sete. Mas dificilmente a oitava aparecer nos próximos tempos... Este ano, a Irlanda encarregou Louis Walsh de criar a candidatura para o concurso: mas a montanha pariu um rato. O jovem Brendan Murray, com uma voz angelical que confundiu, de certeza, muitos dos espectadores sobre o género do intérprete (e isto na Eurovisão nunca fiando...), defendeu "Dying To Try", canção que é a típica canção bonita. Dez minutos depois ninguém se lembrava... Para a atuação, a comitiva irlandesa apostou num balão de ar quente: mas ao contrário de outros balões, este não quis subir e a Irlanda está, novamente, de fora da Final. Já vimos muito melhor, mas muito melhor mesmo, vindo deste país.


Acreditem: por momentos pensei que estivesse em pleno Ministério do Tempo e, por engano, tivesse ido parar ao Festival Eurovisão de 1990 e troca-o-passo. Naquela altura em que o Ralph Siegel só compunha canções com 10 anos de atraso... É díficil comentar "Spirit Of the Night" sem ser desagradável. Completamente datada, a canção parece uma versão de 5 minutos que foi apertada para caber em apenas 3. No meio disto tudo, tenho bastante pena de Valentina Monetta e de Jimmie Wilson, óptimos cantores que cantaram esta coisa... Já ouvi coisas maravilhosas de Valentina na área do jazz! Para quê sujeitar-se a isso? Ah e agora São Marino vai fazer birrinha e dizer que a Eurovisão é só para países grandes! Ok... Next! Último classificado da semifinal (please)!



Ainda não recuperei das crises de personalidade de Fernando Pessoa do ensino secundário e et voilá: «toma lá um tipo da Croácia que pensa ser tenor e cantor pop ao mesmo tempo». Desculpem me os fãs da canção, mas isto para mim é piroso: das duas uma por favor. Na altura da escolha, andei a procura e Jacques Houdek é um óptimo cantor... mas com isto nem a voz o safa. O momento de instrumental a meio da canção e a intervenção dos coros destacam-se na candidatura que, na minha opinião, teria ficado pela semifinal. O efeito novidade resultou mas em Portugal já vimos o FF a fazer algo do género... mas muito muito melhor! Por mim, fica em última na Final!

Nunca fui grande apreciador da canção da Noruega, mas admito que depois da semifinal passei a adorá-la. Com um estilo muito longe do habitualmente visto no Festival da Eurovisão, "Grab the Moment" é uma daquelas composições que dificilmente resulta em palco: contudo, a produção realizada e a bem conseguida interpretação de Aleksandr tornou-a numa das minhas favoritas da semifinal. O apuramento surpreendeu-me (e não me admira que o tenha conseguido pela votação do júri), sendo que deverá ficar colocada na segunda metade da tabela da Grande Final. Uma das minhas atuações favoritas da noite.


A Suíça tem uma destreza de arruinar canções em palco invejável a muitos outros países. O grupo Timebelle levou a Kiev um dos melhores temas da edição, "Apollo", que, por si só, tinha potencial para brilhar. «Então que devemos fazer? Bora armar uma grande circo à volta da canção»: deve ter sido esta a ideia na cabeça dos responsáveis pela atuação. Do cabelo ao vestido, do cenário à cenografia, nada parece ter resultado em palco. No meio de tanta coisa, o potencial de Apollo foi ofuscado e nem a bem conseguida interpretação da vocalista safou a Suíça de um novo desaire... Infelizmente, o afastamento não me surpreendeu, bem como não me surpreenderia se a canção tivesse ficados nos últimos dos últimos na classificação.



E eis um momento histórico no Festival Eurovisão: naquela que foi a sua décima-quarta participação, a Bielorrússia deixou o inglês de lado e estreou o bielorrusso no palco eurovisivo. E que bela estreia! Naviband estiveram bastante bem em toda a interpretação, conseguindo transmitir toda a animação e energia do tema que defenderam, colocando toda a Europa a cantar Yey Yey Yey. (Ela foi mascarada de Princesa Leia não foi?). Sem dúvida, uma das minhas canções favoritas da edição e que, por mim, ficaria numa das dez primeiras posições da Grande Final. Ah e atenção: a ausência da Rússia e a proximidade do bielorrusso e do russo poderá ser bastante benéfico para a Bielorrússia!

A Bulgária retirou-se da competição há uns tempos e aprendeu bastante bem a lição. Depois da excelente classificação em Estocolmo, o país quer mesmo ganhar a Eurovisão... mas não me parece que seja desta ainda. "Beautiful Mess" é uma das canções mais comerciais e mais bem conseguidas da edição, mas falta-lhe algo para se tornar memorável. A mim não me consegue cativar... Estará na luta pela vitória e será outro dos grandes beneficiários da ausência da Rússia, tendo em conta as suas origens e a sua passagem por um talent show no país.

Dentro do género até acredito que seja uma grande canção, mas no meu gosto não passa de uma gritaria pegada. A Lituânia obriga-nos a uma maratona de eliminatórias, semifinais e mais sei lá o que, e acaba por levar isto? Quase que me atrevo a dizer que preferia a destruidora de melâncias em vez disto. Não gosto... Muito gritado e com pouco conteúdo, algo que é agravado por uma atuação sem qualquer interesse! Afastamento esperado, sendo que na minha classificação seria a última posicionada na semifinal.




Com a minha canção favorita da semifinal, seguiu-se a Estónia no alinhamento. Sem qualquer surpresa, o país conquistou o apuramento para a Grande Final, onde promete ser um dos candidatos à vitória... Esperem! Afinal não! Já vi e revi e não conseguido encontrar a justificação para o seu afastamento, especialmente quando o lote de qualificados inclui a Croácia. Apesar de não terem estado no seu melhor (começar uma atuação com um dos microfones desligados é tudo menos agradável), "Verona" tinha todas as condições para lutar pela vitória na edição. Contudo, a falta de amigos na semifinal (O Koit Toome bem se havia queixado) parece ter sido a gota de água... Não consigo perceber mesmo! Para mim teria sido uma das primeiras classificadas da noite e estaria a competir pelo título na Final.

E prestes a encerrar as hostilidades, outro dos meus favoritos: Israel. "I Feel Alive" é uma pseudo-cópia de "Golden Boy", mas independentemente de ter ficado a anos-luz da original, consegue passar bastante animação... Apesar de toda a coreografia, Imri esteve bastante seguro durante a interpretação, mesmo não sendo dos melhores cantores a concurso. O apuramento era indiscutível, se bem que tenho quase a certeza que o mesmo se deveu apenas ao público, tendo em conta que Imri é o mais beneficiado pelo voto hormonal da edição.

Verka Serduchka, vice-campeã do Festival Eurovisão 2007, voltou a tentar um papel bastante importante (e divertido) nos intervals acts da competição que, inesperadamente, deu grande foco a um dos muitos eurofãs portugueses presentes na arena. Porém, as surpresas não ficariam por aqui: Jana Burčeska, a cantora da ARJ Macedónia, anunciou, na green room, que estava grávida (é caso para dizer que o tango não se dança sozinho), sendo pedida em casamento momentos depois. Se tal tivesse acontecido com as linhas abertas, provavelmente teríamos tido alguma mudança no televoto...



Seguiu-se a revelação dos excertos dos restantes finalistas automáticos, algo que nos diz que nenhum dos três conseguirá a vitória no sábado: França deverá ser a melhor classificada dos três, enquanto Alemanha e Ucrânia estão a lutar pela fuga ao último lugar. Porém, o país anfitrião poderá surpreender junto do público não-eurovisivo... Contudo, tudo dependerá das atuações na Grande Final.

E agora há que preparar o mais importante. Volvidos sete anos, Portugal está de regresso a uma Grande Final, sendo apontado como um dos grandes favoritos à vitória! Independetemente do resultado em Kiev, este ano já está na nossa história! Agora há que preparar as gargantas e acalmar os nervos... Voltaremos a ver-nos em breve! Obrigado a todos e espero pelas vossas opiniões!

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Fonte:  Opinião / Imagem e Vídeo: eurovision.tv

5 comentário(s):

  1. Anónimo14:40

    Só um pequeno reparo. O JOWST não é o cantor norueguês, mas sim o Dj de máscara. O cantor chama-se Aleksandr. De resto, nada a apontar. Parabéns!

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  2. Anónimo15:36

    Apolo da Suiça foi a minha favorita, a Roménia acho patética mas deverá ter grande resultado

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  3. Anónimo15:56

    Têm a certeza que a Macedónia tinha 5 vozes a fazer de coro?
    Podiam ser só 2...
    Isto é uma coisa que este ano está a acontecer muito, mas que sempre aconteceu.

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  4. Anónimo18:01

    "'Verona' tinha todas as condições para lutar pela vitória na edição." HÃ? Verona é a canção ais datada do festival e uma das mais genéricas. NEXT!!!

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  5. Anónimo18:05

    A Suíça tem uma das minhas canções preferidas mas já estava à espera que não passasse.
    Fiquei altamente surpreendido pela Irlanda e a Estónia, cujas canções adoro.
    Agora, resta-me desejar a melhor das sortes à Bulgária!

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