O Festival da Canção 2018 continuará a seguir a mesma fórmula da edição de 2017: "Convidar os mais relevantes compositores da música popular portuguesa para criarem canções originais e de qualidade". Foi esta a garantia dada pelo administrador da RTP, Nuno Artur Silva, em entrevista à Notícias Magazine. 

O administrador com a pasta de conteúdos do serviço público de televisão e rádio, Nuno Artur Silva, deu uma entrevista à revista Notícias Magazine. Os temas dominantes foram o Festival da Canção e o Festival Eurovisão de 2018, ambos a organizar pela RTP.

Este responsável afirmou que, depois de uma pausa em 2016, ano em que a RTP não organizou o Festival da Canção nem participou na Eurovisão, a receita para voltar a trazer o público para o Festival da Canção foi convidar nomes com créditos firmados na música portuguesa a criar as suas canções. "O mote era sempre este: músicas bem compostas, bem interpretadas, com qualidade", afirmou este responsável, que recordou que os convites foram endereçados pelo crítico musical, Nuno Galopim, e por Henrique Amaro, da Antena 3. "Eles convidaram uma lista enorme de compositores e houve menos recusas do que eu esperaria. Um dia, reuni-me com os autores todos na RTP e a única coisa que lhes pedi foi para se preocuparem em fazer boas cantigas. Não estávamos interessados em copiar o caminho que muitos países europeus hoje cumprem, de grande espetacularização, de fogo-de-artifício. Queríamos boa música e pronto".

Para 2018, a fórmula irá manter-se: "Convidar os mais relevantes compositores da música popular portuguesa para criarem cantigas originais e de qualidade", escreveu a Notícias Magazine citando Nuno Artur Silva, que não descarta uma futura convocatória pública. "Talvez com o tempo possamos abrir candidaturas espontâneas e democratizar o processo, mas agora é necessário fazer apostas em autoria e qualificação do que apresentamos".

 Mesmo com a primeira vitória no festival da Eurovisão, Nuno Artur Silva acredita que continua a faltar espaço audiovi­sual para destacar o que tem sido esquecido. "Há mesmo boa música em Portugal", sublinha. "E há que valorizá-la!", exclama.

Da alegria da vitória da Eurovisão, vista em casa frente à TV, em família, mas partilhada com amigos e colegas em todo o mundo via telefone, segue-se o desafio de organizar o Festival Eurovisão da Canção 2018. "A Eurovisão é de uma exigência enorme. É o maior evento europeu na área do entretenimento e isso significa uma grande responsabilidade". Nos próximos meses, uma boa parte da sua vida será passada a tratar de um projeto inédito em Portugal. Mas Nuno Artur Silva não parece estar minimamente assustado. Diz, aliás, que "a RTP tem todas as capacidades para montar um evento memorável. E talvez nem seja preciso gastar um balúrdio para fazer uma grande festa".

Este administrador garante que a cidade anfitriã do Festival Eurovisão 2018 ainda não está escolhida. Contudo, recorda: "Tem de ser um lugar com capacidade não só hoteleira como de acolhimento para os múltiplos eventos que a Eurovisão acarreta. Não são só a final e as semifinais. São semanas de preparação e desmontagem, receção de canais da Europa toda", destaca. Em termos de orçamento, Nuno Artur Silva não se assusta com os tais 30 milhões de Euros de que se fala. "Se saísse do nosso budget seria demasiado caro. Mas, além de a EBU suportar uma parte dos custos, há um potencial que vai permitir congregar financiadores e mecenas". Há uma certeza: "Tecnologicamente vai ser um desafio mas temos todas as condições para montar uma grande Eurovisão". O caderno de encargos não dá grande margem para manobra, são regras bastante rígidas – "e tem mesmo de ser assim, porque são muitos países e muito diferentes". 


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Fonte: NOTÍCIAS MAGAZINE / Imagem: GOOGLE

12 comentário(s):

  1. Anónimo16:38

    Gostava muito que o palco voltasse a ser retangular. Os planos de câmera resultam muito melhor bem como, a arena que não parece tão vazia. O palco de este não foi MUITO simples. E não tinha falado da utilização de um parque para energias renováveis? Painéis fotovoltaicos...

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  2. Anónimo16:43

    Ficou tudo dito nesta entrevista nas entrelinhas... A Eurovisão vai ser em Lisboa uma vez que não são apenas 3 espetaculos e uma arena como os senhores la de cima pensam. FINALMENTE o maior responsável da RTP disse que o ESC é o "maior espetáculo de ENTRETENIMENTO" da Europa, calando as vozes que por aqui andam que devíamos fazer um espetáculo simples apenas com um foco e música... Falando também em dinheiro, em que os 30 milhoes não os preocupam, fazendo tudo com bastante qualidade mas não exagerando, uma vez que não é tudo investido por eles. Temos tudo para que corra bem!

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  3. Anónimo17:15

    Convites? Espero que não convidem aquele(s) que é sempre convidado e fica mal classificado

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    1. Anónimo17:25

      A pessoa a quem te referes deve estar enguiçada só pode... ou então há de ganhar quando o Sporting também ganhar. Agora falando a sério, é verdade que tantas vezes já tentou e nunca ganhou, mas também muitas das músicas eram boas e mereciam lugares mais altos do que aquilo que tiveram.

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    2. Anónimo17:36

      Terra chama Feist... Acho que, se for convidado para o ano, terá de colocar a mão na consciência e recusar... Isto não é por tentativas é por talento... É um excelente músico e maestro, mas como compositor deixa muito a desejar. Gabo-lhe a entrega e a recorrente dedicação mas já são tentativas demais...

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  4. Rui Ramos17:32

    Adorei a entrevista. Sábias palavras

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  5. Shevek17:51

    Aqui está um excelente artigo em língua inglesa sobre a vitória de 'Amar pelos dois':

    http://www.escgo.com/2017/05/18/identity-authenticity-can-learn-salvador-sobrals-win/

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    1. Anónimo18:45

      Excelente artigo. Já o tinha lido. Muito pertinente quando se faz referência ao escasso público que em Portugal tem tomado as suas decisões através do televoto e com base no critério "eurovisivo" (e que por pouco ia decidindo deixar o Salvador em casa), não fosse a lucidez absoluta do júri de sala (1º nas semifinais), do júri regional (em parte) e da RTP ao redefinir o regulamento.

      E na sequência, muito interessante ler que o jornalista aponta os Viva La Diva como destinados a ficar pela semifinal.

      Portanto, RTP, vamos tentar seguir o lema: NUNCA MAIS PRODUZIR UMA CANÇÃO A PENSAR NA EUROVISÃO! Esse foi o segredo da nossa vitória. Fazer a diferença.

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    2. Anónimo18:48

      * a jornalista

      Delicioso (exatamente como eu, eu que escrevi aqui e no meu Facebook logo em inícios de março que iríamos ganhar): "When he won in Portugal, I must have watched the reprise five thousand times. And I found myself picturing, in my mind, that same reprise on the Kyiv stage after winning both the jury vote and the televote, but this time the European one. Then I yelled at myself to get it together and not develop impossible expectations. This is Portugal we’re talking about, after all, you silly woman."

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    3. Anónimo19:02

      Muito obrigada pela partilha!

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    4. Anónimo20:41

      Pois em 2018 vai ganhar uma canção bombástica que vai deixar os "tais da boa música" de ouvidos em bico... lol E vai ser um delírio de som e ritmo!

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    5. Shevek22:00

      De nada. :) Ainda bem que a miopia dos nossos televotantes não impediu esta vitória.

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