O programa Voz do Cidadão voltou a ser dedicado ao Festival da Canção mas, desta vez, num tom muito mais positivo do que em emissões anteriores.


O Voz do Cidadão, programa do provedor do telespectador da RTP, voltou a ser dedicado ao Festival da Canção. Jorge Wemans, o novo provedor começou por dizer que "a televisão pública escolheu um novo formato e investiu recursos muito consideráveis na concretização do novo festival". No programa foram abordados vários temas, como as redes sociais, a permissão de cantar em inglês e o novo formato da final nacional portuguesa.

Jorge Wemans revelou que a RTP recebeu várias queixas sobre a permissão de cantar em inglês. "Uns sugerem uma canção em inglês para a Eurovisão. Outros reclamam do facto de concorrentes terem cantado em línguas que não o português", disse. A transmissão em horário tardio e o facto de só se poder votar através de chamadas de valor acrescentado foram também algumas das críticas que chegaram.

O provedor recordou ainda que "amado e odiado. o Festival da Canção foi retirado das grelhas da RTP por várias vezes. A última das quais em 2016, porque a crise obriga a redefinir a programação e as audiências das edições anteriores não ajudam. Entretanto o Festival RTP da Canção regressa em 2017 reinventado, com um novo formato, mas, ainda assim, longe do unanimismo que o rodeava em tempos que já lá vão".

Nuno Galopim, assessor da RTP para o Festival da Canção, defendeu o novo modelo usado. "Resolvemos endossar convites a compositores, e a compositores que representassem várias linhas de criação na área da atual canção popular portuguesa. Várias gerações, vários géneros musicais, várias tipologias, para que houvesse diversidade. E eu creio que conseguimos ter isso nas 16 canções e, felizmente, a votação nas duas semifinais fez com que a final acabasse por refletir também esse sentido de diversidade", afirmou. 

Daniel Deusdado, diretor de programas do canal público, foi também uma das caras convidadas para falar no programa. Deusdado afirmou que "a nossa ideia inicial era a de voltar a trazer a canção portuguesa e os compositores portugueses para um espetáculo de grande qualidade, e eu creio que isso ficou conseguido. Quer nas meias-finais quer na final. Pensámos em fazê-lo a partir dos compositores, e só depois dos intérpretes. E fomos aos melhores compositores, alguns quiseram vir outros não quiseram, e foi a eles que sugerimos uma música que nos pudesse representar na Eurovisão e que fossem eles a escolher as pessoas para cantar".

Joana Martins, gestora de redes sociais da RTP, falou da recetividade do tema vencedor. "As pessoas insurgiram-se muito contra aquela música [Amar Pelos Dois] porque era muito parada, não tinha aquele espetáculo que esperavam levar para a Eurovisão. E no domingo, dia da primeira semifinal, tivemos muitos comentários negativos acerca da música do Salvador. Mas não foi só em relação à música, isso é que foi mais chocante. Foi em relação à persona do Salvador, à pessoa que ele é, ao intérprete que ele é, a forma como estava vestido, àquilo que ele podia significar. Houve comentários muito cruéis e que ultrapassarem largamente o canção ser boa ou ser má. Foram ataques pessoais. E em qualquer página do Facebook da RTP ataques pessoais não são aceitáveis", rematou. 

Em relação à permissão de cantar em qualquer língua, Daniel Deusdado afirmou que "quando fizemos o regulamento aceitamos músicas em português e em inglês, aliás na final estava uma das músicas em inglês, que curiosamente teve o terceiro lugar do voto do público. Há muita gente contra músicas em inglês, há pessoas que acham que só devia ser em inglês porque o objetivo é ir com uma canção para ganhar. O objetivo do Festival da Canção é escolher, por ano, a melhor canção que possa ser criada nesse ano em Portugal. Só depois é que, consequentemente, isto significa ir à Eurovisão. Nós vamos à Eurovisão com a nossa cultura, com aquilo que somos. Mas o facto de irmos em português não nos diminui, acrescenta-nos".

O televoto foi um dos temas mais quentes do programa. José Garcia, da OGAE Portugal, lembra que "este modelo do televoto, que é também o que é praticado na Eurovisão, é o que apela à participação do público. Claro que sendo uma chamada de valor acrescentado inclui custos para o votante. Isso pode ser contornado através de votação por APPs". No entanto, para Daniel Deusdado, "este sistema tem uma vantagem: ele permite que o voto seja calibrado e tenha uma máquina por trás a impedir que haja uma adulteração da vontade popular. Porque quando nós apostamos nesta fórmula, cada pessoa pensa duas vezes antes de gastar 60 cêntimos. Este sistema serve também para compensar o mecanismo de votação automático que é caro. Mas, além do mais, conseguimos criar uma barragem, que este sistema é tão perfeito, que qualquer pessoa não pode votar mais de 20 vezes por dia".

Por fim, falando da marca Festival da Canção, o diretor de programas da RTP volta a lembrar que "nós considerávamos fundamental que a marca Festival da Canção tivesse um novo fôlego, por isso o ano passado não o fizemos. Exatamente para questionar no fundo se vale a pena continuar esta marca, com o perfil que tem tido, em que muitas dos músicos em Portugal não se querem associar a ela? E esse momento de paragem foi essencial para obtermos uma massiva resposta que sim, vale a pena existir um festival da canções e de que as canções em Portugal são uma marca da nossa cultura".


Pode assistir ao programa AQUI.


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Fonte e Imagem: RTP

12 comentário(s):

  1. Anónimo16:24

    A rtp pós se a jeito quando escreveu no Facebook que o objetivo principal do fc não é a Eurovisão . Estava a espera de não ser criticada?

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    1. Anónimo08:32

      "(...) e foi a eles que sugerimos uma música que nos pudesse representar na Eurovisão e que fossem eles a escolher as pessoas para cantar" (Daniel Deusdado). A RTP fala, fala, fala que até passa os pés pelas mãos. 'E esta, heim?'

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  2. Thoughts17:06

    A questão fundamental por detrás de toda esta discussão encontra-se no facto de tanto a RTP como a opinião publicada não terem ainda entendido (ou reconhecido publicamente) que o ESC há muito deixou de ser uma mostra de culturas e identidades. O objectivo simplesmente mudou.

    Quem está por detrás do ESC actual pensa nele como uma fábrica de hits (mainstream), que possam depois saltar para as rádios e tops do maior número possível de países. Uma edição do ESC terá para eles tanto mais sucesso quanto mais canções conseguirem alcançar lugares cimeiros nos tops de vendas e streamings. No ponto de vista destes, disso dependerá a força do ESC enquanto marca televisiva e comercial. E daí o envolvimento crescente das grandes editoras, o uso generalizado da língua inglesa e a standardização do género musical.

    Se isto foi o desenvolvimento correcto para a marca e para o concurso, isso sim é um debate que vale a pena encetar. Certo é que a questão identitária e cultural foi secundarizada (alguns países há décadas que ignoram essa componente). A RTP tem optado por ignorar esse facto, usando-o depois de forma errada (e distorcida) para justificar a falta de resultados. E também não educa público português sobre essa mudança.

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    1. Madalena22:35

      Penso que é por ter seguido esse caminho que o ESC perdeu completamente a credibilidade como produto de qualidade e por isso tantos músicos não querem estar associados a ele como pode ler-se neste artigo. A tal procura da canção "festivaleira", sendo que "festivaleira" não é visto como sendo grande coisa, faz com que este seja um produto mal visto pelos consagrados ao contrário de há muitos anos atrás, anos em que para os melhores compositores e interpretes era um orgulho estar, participar no Festival. Penso que a própria Eurovisão está, aos poucos, a encetar uma viragem, penso que a própria Eurovisão reconhece que a continuar por certos caminhos fica à beira de transformar-se em lixo televisivo mesmo que disfarçado por grandes palcos e muitos efeitos especiais. Por tudo isto acho muito importante o que a RTP fez este ano e também por tudo isto acho muito importante que tenha ganho uma canção "não festivaleira" de qualidade. A qualidade puxa qualidade, esta canção com a visibilidade que já teve e se ficar bem classificada, vai, penso eu, fazer com que certos compositores e interpretes deixem de recusar-se a estar no Festival o que só contribui para o aumento da qualidade e do interesse da maioria do público, que agora não quer saber do Festival para nada, é que sem público o Festival morre. Se este ano uma canção "não festivaleira" de qualidade, que ganhou em Portugal, ficar bem classificada na Eurovisão é a prova cabal de que a própria Eurovisão quer um rumo diferente. Vamos aguardar para ver, acho que este ano é muito importante "festivalmente" falando.

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    2. Madalena22:44

      Emenda: "há muitos anos" não é preciso o "atrás".

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  3. Anónimo17:16

    Concordo plenamente consigo! O único comentário que vi até agora com tudo o que de verdade se passa. Leiam este comentário acima, e vejam se percebem (quem ainda não percebeu).

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  4. Anónimo17:16

    Este foi o modelo perfeito de Festival? Como??? Quando é que percebem que o Festival devia ser aberto a todos como fazem os outros países nas suas seleções? Portugal curiosamente teve o seu melhor resultado deste século com um compositor croata. Porque não deixam os estrangeiros entrar?

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    1. Anónimo18:36

      Tanto a Zana como a Catarina Pereira podiam ter ganho fácil este ano...

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  5. Anónimo21:44

    O que imorta é que a RTP resgatou e atualizou a marca Festival da Canção... Investiu e procurou melhorar... Estratégia e trabalho trazem resultados... Não se notou muito nas audiências porque o espetador cansado também tem de ser resgatado... Mas é uma questão de continuarem o bom trabalho até o ESC, que o público reagirá... como já está a reagir... Espero que quem está à frente do projeto saiba interpretar os sinais e as boas ideias que estão a surgir em relação à estratégia de promoção e sobretudo em relação à apresentação em palco...
    É que a canção já é excelente mas ao mesmo tempo tem muita margem para melhorar, quer na interpretação, quer na apresentação em palco... Tem uma riqueza por explorar em palco para transmitir a todos a mensagem do poema e ser ainda mais emocionante e arrebatadora...

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    1. Madalena22:48

      Concordo inteiramente.

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  6. Anónimo12:52

    É reprovável esta RTP continuar a vestir a pele de "ovelha"... Para além das calinadas na Língua, utilizando "palavras caras" para enganar o povinho, mas troca o significado das mesmas (como em 'persona'!!!). Assim, dá vergonha Ser Português!!

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    1. Madalena23:17

      Já eu, tenho mesmo muita vergonha de portugueses que fazem comentários destes.

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