São os maiores fornecedores de pontos em Grandes Finais um do outro, mas as relações entre a Rússia e a Ucrânia no Festival Eurovisão 2017 estão 'de cortar à faca'. Recorde a história comum dos dois países no concurso.

Em 13 participações comuns, os dois países nunca se evitaram na votação
A Rússia e a Ucrânia participam, em conjunto, no Festival Eurovisão desde 2003, tendo participado em todas as edições excepto em 2015, ano em que a Ucrânia não entrou no concurso. No entanto, apesar dos conflitos entre os dois países, a Rússia e a Ucrânia nunca se evitaram nas votações, partilhando mais de 200 votos entre as edições. De realçar que a pontuação mais baixa dada pela Rússia à Ucrânia foi 1 ponto em 2013, enquanto que a Ucrânia deu 4 pontos à Rússia em três ocasiões: 2005, 2013 e 2014.


Rússia e Ucrânia partilharam 257 pontos em 13 edições
Com 116 pontos dados em Grandes Finais e 141 se contabilizadas as semifinais, a Rússia é o país que mais pontos recebeu da Ucrânia na história do Festival Eurovisão. E o caso inverso também aconteceu: em Grandes Finais, a Ucrânia é o país que mais pontos recebeu da Rússia (93 pontos), enquanto que nas semifinais recebeu 116, sendo ultrapassada pela Arménia e pelo Azerbaijão. No total, em treze edições, os dois países partilharam 257 pontos, uma média de 19,76 pontos por edição.


A Ucrânia atribuiu 4 pontuações máximas à Rússia, mas apenas recebeu uma
Para a Ucrânia, a Rússia teria sido a vencedora de quatro edições do Festival Eurovisão: 2003, 2006, 2008 e 2016, sendo que, em Atenas, Dima Bilan foi o favorito dos ucranianos na semifinal e na Grande Final. No entanto, a Ucrânia apenas recebeu uma pontuação máxima dos russos: em 2004, Ruslana sagrou-se vencedora do concurso europeu com a votação máxima da Rússia. Contudo, a Rússia conquistou o segundo lugar nas preferências ucranianas em quatro ocasiões (04,07,10 e 12), enquanto que a Ucrânia recebeu dez pontos da Rússia em três edições (06, 11 e 16).


Em Estocolmo, os júris nacionais evitaram-se... mas o público colocou os dois países no topo
Com o regresso da Ucrânia à competição e com a escolha de '1944', o clima de tensão entre os dois países esteve bastante tenso, algo que se reflectiu nas votações dos jurados nacionais. Tanto o júri da Ucrânia como a Rússia colocaram o outro país na última posição, opinião que não foi seguida pelo televotos: o público russo atribuiu 10 pontos a Jamala, enquanto que Sergey Lazarev foi o candidato mais votado pelo televoto da Ucrânia.


Uma ucraniana representou a Rússia... em Moscovo
Apesar da Ucrânia se ter feito representar na Eurovisão por duas artistas nascidas em território  russo, mas que na altura pertencia à União Soviética (Tina Karol e Zlata Ognevich), a Rússia foi representada em Moscovo por uma cantora ucraniana que, meses antes, havia sido desclassificada na final nacional da Ucrânia: Anastasia Prikhodko. Integrante do lote de semifinalistas da competição ucraniana com «Za Tebe Znov», a cantora foi afastada pela NTU da competição (de realçar que os finalistas do concurso foram decididos pela emissora), tendo Anastasia avançado um processo judicial contra a estação, o que levou ao adiamento do concurso.



No entanto, dias antes, a cantora submeteu «Mamo» à final nacional russa, conquistando o direito de representar o país em Moscovo no Festival Eurovisão: na Grande Final, Anastasia ocupou a 11.ª posição com 91 pontos. Contudo, recentemente, a cantora revelou que não voltará a cantar na Rússia, devido ao conflito armado entre os dois países.


'Lasha Tumbai' ou 'Russia Goodbye'?
Verka Serduchka foi escolhida, em 2007, para representar a Ucrânia no Festival Eurovisão com 'Dancing Lasha Tumbai', canção interpretada em alemão, inglês, russo e ucraniano. Contudo, além do figurino da personagem, a vice-campeã do concurso causou polémica devido à letra: 'lasha tumbai' apresentava uma grande semelhança fonética com 'Russia Goodbye', uma suposta referência à Revolução Laranja na Ucrânia em 2004-2005. No entanto, Verka desmentiu, dizendo que a frase significava 'batido' ou 'chantily' em mongol, algo que foi posteriormente desmentido. Contudo, em Helsínquia, a Ucrânia ficou em 2.º lugar com 235 pontos, 8 deles oriundos da Rússia.


Um dos últimos consensos entre os dois países foi a contestação a Conchita Wurst
A escolha e a posterior vitória de Conchita Wurst no Festival Eurovisão 2014 provocou uma onda de contestação em todo o mundo, em especial na Europa de Leste. A Rússia e a Ucrânia estiveram juntas na contestação, semanas antes da invasão da Crimeia, apelando à retirada da candidatura da Áustria (AQUI), sendo apoiados pela Bielorrússia e por outros países ex-soviéticos. No entanto, Conchita Wurst foi galardoada com 8 pontos ucranianos e 5 russos na Grande Final do concurso,


Tolmachevy Sisters foram as primeiras vítimas do aumento da tensão
Semanas depois da anexação russa da península da Crimeia, as gémeas Tolmachevy tornaram-se as primeiras vítimas eurovisivas do aumento da tensão entre os dois países. O envolvimento da Rússia na crise na Ucrânia e o aumento da legislação de leis contra os direitos da comunidade LGBT levaram a que o público eurovisivo apupasse a candidatura russa. Durante a semana eurovisiva, a tensão entre os dois países aumentou depois de ter sido disponibilizada uma fotografia, nas redes sociais, com as gémeas Tolmachevy e Mariya Yaremchuk, representante da Ucrânia.



Polina Gagarina fortemente apupada em Viena
Depois dos fortes apupos a Dima Bilan no Eurovision Greatest Hits (AQUI), a EBU/UER e a emissora austríaca ORF prepararam-se para situação semelhante em Viena, tendo introduzido tecnologia anti-apupos no certame. Contudo, a retirada da Ucrânia do concurso devido a dificuldades financeiras e o aumento das leis anti-LGTB na Rússia fizeram com que ocorressem grandes manifestações contra a participação russa no certame. Polina Gagarina foi apupada em diversas ocasiões, tendo sido filmada a chorar em diversos momentos na green room. No final, a Rússia conquistou 303 pontos, ficando a 62 pontos da segunda vitória eurovisiva.


A escolha de '1944' foi um dos pontos mais sensíveis da história dos dois países
Em fevereiro de 2016, a mais de três meses de vencer o Festival Eurovisão, a escolha da Ucrânia causou bastante polémica, especialmente na Rússia. '1944', canção interpretada por Jamala, recordava a deportação dos tártaros da Crimeia para a Ásia Central pelo regime soviético aquando da Segunda Guerra Mundial, ato que levou à morte de mais de 100 mil pessoas. Moscovo não gostou da escolha, alegando ser uma 'jogada política' tendo em conta os problemas entre ambos sobre a Crimeia, e ameaçou boicotar a edição, algo que não se veio a registar... Contudo, a polémica aumentou ainda mais aquando da vitória do país em Estocolmo.


Julia Samoylova é a primeira cantora a ser proibida de atuar no Festival Eurovisão
Depois de meses de especulações e ameaças, o esperado aconteceu... mas de uma forma inesperada: a Rússia escolheu Julia Samoylova para representar o país em Kiev. Contudo, dias depois, a Ucrânia alegou que a cantora atuou na Crimeia depois da anexação russa e sem autorização do governo ucraniano, tornando-se proibida de entrar em território do país durante 3 anos. A EBU/UER tentou resolver a situação com a possibilidade da cantora atuar via satélite, algo que foi recusado pelos dois países. Até ao momento, nenhuma decisão final foi tomada, mas é espectável que a Rússia venha a sair da competição. Porém, uma coisa é certa: a novela Rússia-Ucrânia está longe de terminar...

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Fonte: ESCPORTUGAL / Imagem: ESCPortugal / Vídeo: eurovision.tv

9 comentário(s):

  1. Anónimo20:25

    Muito bem, continuem a informar-nos como tão bem sabem fazer !

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  2. Devo dar os meus parabéns pelo trabalho feito neste artigo.
    Mas devo acrescentar que em 2015, em Viena, Conchita chegou a dar apoio moral à Polina e até a pedir ao público para dar uma salva de palmas.

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    1. Anónimo22:35

      Falou e falou bem meu irmão!

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  3. Rui Ramos20:46

    Excelente artigo. Obrigado escportugal

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  4. Rui Ramos20:46

    Excelente artigo. Obrigado escportugal

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  5. Anónimo22:18

    Obrigado escportugal, são muito queridos (h)

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  6. Julia Julieta22:34

    Excelente artigo. E quem o escreveu? O grande, o sábio, o excelente Nuno! Obrigada!

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    1. Ehhhhh tanto elogio ehehehhe :) Obrigado pela preferência e comentário :) :)

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  7. Anónimo23:05

    Ao final de contas e tudo politico porque se formos a ver ambas as populacoes nao se importam minimamentecom istr e ate trocam montes de pontos. Apenas os politicos fazem isto.. Secalhar ate se deixassemos os ucranianos votar se a Julia Samoylova ( nao sei escrever) podia ir ao ESC eles diziam sim. Apenas os politicos contribuem para a avivaçao da polemica entre ambos. E muitos dos que sao contra a Russia e vêm para aqui postar comentarios do tipo muito bem ucrania e etc.. Wue pensem bem... A ucrania e tao ou mais anti LGBT como a Russia veja se neste artigo..

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