Este domingo acontece a primeira semifinal da nova versão do Festival da Canção. O jornal Observador perguntou aos compositores quais os seus favoritos da história do evento e uma apresentação das canções deste ano.


O Festival da Canção está de regresso a partir deste domingo, dia 19. É a primeira de duas semifinais — a outra acontece dia 26 — antes da noite que vai escolher o enviado à Ucrânia, para a Eurovisão. O vencedor será decidido a 5 de março, no Coliseu dos Recreios, num novo formato de festival. Foram convidados 16 compositores, que escreveram uma canção e escolheram o respetivo intérprete. Estes são os primeiros a concorrer, com os favoritos da história do festival:

Rita Redshoes: “O que eu vi nos meus sonhos” (interpretação: Deolinda Kinzimba)
A canção favorita do Festival:
​”‘Conquistador’ dos Da Vinci. ​Apanhou-me numa fase de menina em que passava o dia a cantar com as minhas amigas e esta foi uma canção que me deixou memórias muito bonitas dessa altura.”

Melhor intérprete:
​”Simone de Oliveira, pela força e garra. A voz e a presença enchiam o palco. “​

A canção que escreveu para esta edição:
“​É uma canção com uma sonoridade e mensagem clássicas, sempre em crescendo, onde a melodia tem o papel principal. É sobretudo emotiva.


Pedro Saraiva (aka Siraiva): “Without You” (interpretação: Lisa Garden)
A canção favorita do Festival:
“A mesma de muitos, calculo. ‘Waterloo’, dos Abba, em 1974. Escolho esta porque é do tempo em que eu e os meus irmãos assistíamos ao Festival da Canção em frente à TV a preto e branco como se estivéssemos a ver a chegada a Lua do Apollo 11.”

Melhor intérprete:
“Talvez as duas divas dos ABBA.”

A canção que escreveu para esta edição:
“Tentei não fugir ao meu som, com a ajuda da Lisa Garden fizemos uma música com energia em Inglês.”

Samuel Úria: “Para Perto” (interpretação: Golden Slumbers)
A canção favorita do Festival:
“‘O Meu Coração Não Tem Cor’ é a minha preferida. Ganhou numa altura em que não podia ligar menos ao Festival da Canção e, ainda assim, captou-me a atenção. Tem muitos elementos musicais que já naquele tempo me pareciam datados mas que, no conjunto e em sequência, funcionam na perfeição. Além disso, a preparação para o refrão, e depois o próprio refrão (onde abundam instrumentos tradicionais portugueses), são brilhantes e contagiam.”

Melhor intérprete:
“Terei de dizer a Dina. Ela sabia que canção fazer para ganhar o Festival e fê-la. É de uma eficácia extraordinária, mas não esqueço também a coragem: um sucesso como o ‘Amor de Água Fresca’ tem daquelas popularidades insuperáveis e a Dina aceitou esse risco.”

A canção que escreveu para esta edição:
“Chama-se ‘Para Perto’, vai ser interpretada pelas Golden Slumbers e é, acima de tudo, uma canção muito simples. Quem planeou o Festival este ano apostou na individualidade, quis que o Festival celebrasse os compositores portugueses mais do que ter os compositores a vergarem-se a lugares comuns de festival. Neste sentido, pareceu-me que o contributo de simplicidade era o melhor e mais personalizado que tinha para oferecer.”


Héber Marques: “O Teu Melhor” (interpretação: Rui Drummond)
A canção favorita do Festival:
“Embora não tenha acompanhado de perto a história do Festival da Canção desde o início, acho que o ‘Playback’ do Carlos Paião foi algo que marcou o meu crescimento como compositor.” Este tema veio trazer uma grande lufada de ar ao modelo festivaleiro onde o humor por vezes faltava, e a capacidade de rirmos sobre o que se passa à nossa voltou a ter um papel central. Provou também que um (grande) compositor como era o Carlos Paião consegue fazer com que uma grande música pareça simples e que possa ser cantada com um sorriso nos lábios.”

Melhor intérprete:
“Não posso deixar de destacar a Rita Guerra como uma das maiores descobertas que o Festival trouxe para o público nacional. Sem a Rita, a canção romântica e a arte de bem cantar em português hoje seriam bem diferentes. É de facto uma grande cantora, para quem já tive o prazer de compor e de cantar em palco, foram sempre momentos muito especiais.”

A canção que escreveu para esta edição:
“O tema chama-se ‘O Teu Melhor’ e será cantada pelo Rui Drummond, que a canta como poucos o poderão fazer. Acho que este tema é, ao mesmo tempo, uma declaração de amor e um desafio a alguém para que possa também acreditar nesse mesmo amor. É uma música composta para quem sabe cantar e o Rui sabe, como irão (tão bem) perceber.”

Nuno Gonçalves: “Nova Glória” (interpretação: Kika Cardoso, Luís Peças e João Paulo Ferreira)
A canção favorita do Festival:
“‘No teu Poema’. Gosto muito da letra e da canção. Felizmente tem tido versões muito boas. Há uns anos apaixonei-me por um projeto e acabei por produzi um disco das Três Marias precisamente por uma versão desse tema. É notável. É o bom do festival, ter canções abrangentes em termos de público e, ao mesmo tempo, boas. Popular sem ser populista. Enquanto compositor, é essa a essência do Festiva da Canção. Não vale a pena reformular as ideias que funcionam: canções bem feitas, abrangentes, sem serem vulgares. Acho que este ano é um primeiro passo para que no futuro seja assim.”

Melhor intérprete:
“Carlos Paião. Tem a ver com a minha memória de infância. E talvez também a Dora, pelas mesmas razões. O primeiro mais pelo que foi como compositor. A segunda porque fiquei para sempre com a imagem dela.”

A canção que escreveu para esta edição:
“Quer ser uma canção positiva, com uma mensagem que tem alguma portugalidade, algum amor pela saudade, pela melancolia. Mas também com um lado do novo português, com um piscar de olho à Europa, de modernidade. Ir mais além ganhando balanço atrás. Tem um arranjo com um toque épico, é o que eu gosto de fazer, é um território em que me sinto à vontade. E com dois cantores de ópera que vão fazer a diferença. E a química da Kika com o Luís e o João tem de funcionar para lá do festival e desta canção.”


Márcia: “Agora” (interpretação: Márcia)
A canção favorita do Festival e o melhor intérprete:
“Madalena Iglésias, com ‘Sei quem ele é’. Gosto muito da letra e da interpretação.”

A canção que escreveu para esta edição:
“É uma canção que fiz em desabafo, com muita entrega e sem pensar muito. Fala da vontade de viver agora aquilo por que esperamos e de construir agora aquilo que será o futuro.”

Nuno Feist: “Poema a Dois” (interpretada por Fernando Daniel)
A canção favorita do Festival:
“Favoritas tenho muitas. Acompanho o festival desde sempre. A ‘Volare’, por exemplo. A ‘Gente di Mare’. Mais recentemente adorei a canção da Conchita. Das portuguesas gosto de tantas… já tive o prazer de orquestrar todas as vencedoras. A ‘Desfolhada’, o ‘Depois do Adeus’, ‘Um Grande Grande Amor’ ou a ‘Senhora do Mar’… não é fácil”

Melhor intérprete:
“Tenho de falar da grande Simone de Oliveira. Antes e depois de perder a voz, Simone é festival, é difícil ultrapassar isso.”

A canção que escreveu para esta edição:
“Fiz a canção para o Fernando, que tem 20 anos. O tema não foge da minha personalidade nem foge da dele, enquanto cantor. Ele está no início da carreira mas ganhou o The Voice com um formato que é o dele. Não o podia a pôr a cantar uma canção que não tivesse nada a ver com ele. E é uma canção que só pode ser portuguesa.”


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Fonte: Observador / Imagem: RTP

9 comentário(s):

  1. Anónimo15:11

    Que canção é "Sei quem ele é"? xD
    Todos os compositores, excepto o feist, só falam de músicas super antigas... MEDO.

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    1. Rui Fernandes16:02

      Nuno Gonçalves escolheu uma das minhas favoritas, No teu Poema’. E eu nunca falhei um Festival nem um ESC. A grande qualidade triunfa sempre, perdura. Aquilo que está na moda pode ganhar mas passa... Que alegria dá isso? Fabrica-se um produto efémero para consumo rápido e sem hipótese nenhuma, nós portugueses, de triunfar apostando nessa fórmula. Portanto só nos resta fazer algo de que nos orgulhemos.

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  2. Estou com tantas esperanças...não me desiludam...

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  3. Anónimo15:37

    Algumas das respostas bem fraquinhas, mostra bem que sabem muito pouco do que se trata.

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  4. Anónimo15:40

    Acho que de todos quem ainda me vai surpreender é o Feist! Tou 50/50 com as entrevistas e comentários de Nuno Feist e Nuno Gonçalves... Os Nunos ainda vão salvar isto!

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  5. Anónimo16:59

    Não sei o porquê da ausência de entrevistas do Salvador Sobral.Caladinho...Caladinho... Será que vai sair bomba?

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    1. Caro leitor, o salvador Sobral e a Luísa Sobral concederam entrevistas ao ESC Portugal, publicadas no mês passado.

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  6. Anónimo17:30

    Sou o anónimo 16:59 e não quis dizer que o ESC Portugal se esquece do Salvador Sobral, mas que o cantor é muito reservado e poderá surpreender no festival da canção.

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  7. Anónimo02:47

    Incrível como certos fãs teimam em esquecer que a Eurovisão começou nos anos 50 e não quando o certame saiu do armário por causa da Dana Internacional ...

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