Nuno Galopim é um dos consultores da RTP para o Festival da Canção 2017. Em entrevista com o ESCPORTUGAL, o também jornalista e escritor afirmou-se “muito satisfeito” porque “é a primeira vez, de que tenho memória, que sinto da parte da RTP uma cautela daquilo que significa fazer um Festival da Canção”.

Começou por traçar um futuro nas ciências, mas o jornalismo, a rádio e, sobretudo, a música e o cinema acabaram por falar mais alto. Fundou nos anos 90 a OGAE Portugal e, desde sempre, tem estado ligado à Eurovisão como fã. Em 2016, foi convidado, pela RTP, para ser comentador da transmissão do Festival a partir de Lisboa e também para ser um dos consultores externos para o Festival da Canção 2017.

Mas a vida profissional de Nuno Galopim vai muito para além disso: com 28 anos de carreira nos media, escreve atualmente no Expresso, Blitz, Time Out e Metropolis e é autor dos blogues Sound + Vision e Máquina de Escrever. Tem também estado ligado ao cinema como autor, consultor e programador. Juntando a este leque tão variado de ofícios, juntou no ano passado mais um: escritor de ficção. A estreia aconteceu com o romance que tem como base D. Manuel II, o último rei de Portugal.

Em entrevista com o ESCPORTUGAL, Nuno Galopim recordou ter havido um conjunto de reuniões, a primeira há cerca de 1 ano, para organizar o Festival da Canção (FC). “Começou aí o processo de reflexão sobre o que deveria ser o primeiro FC desta nova era”, sintetizou o consultor. “A RTP falou com diversos profissionais da área, na primeira esteve inclusive a OGAE”. Fruto de todo o trabalho de planeamento e concretização das ideias, Galopim confessa-se “muito satisfeito” porque “é a primeira vez, de que tenho memória, que sinto da parte da RTP uma cautela sobre aquilo que significa fazer um Festival da Canção”. No fundo, “o que queremos é voltar a integrar o FC nas rotinas dos músicos que estão a fazer o presente da canção popular”, dar-lhe essa “credibilidade”, sublinhou. “Os compositores e músicos devem ter consciência que este espaço é para si”, augurou. “O nosso objetivo é poder, para já, devolver o FC à atenção por parte de todos aqueles que fazem música neste país. Sabemos que muitos deles estavam alheados do FC. Não quero com isso dizer que esses são melhores ou piores do que outros; queremos que todos sem exceção possam estar atentos ao FC. Independentemente dos gostos, queremos que a comunidade artística veja o FC como um espaço que também pode ser seu. Se o FC entrar nas rotinas destes profissionais, já seria muito bom”.

Sobre os compositores convidados, Galopim afirmou que todos “foram a nossa escolha”, tendo estes sido convidados “entre outubro e novembro”, de acordo com “o calendário que definimos”.

Questionado sobre se a preocupação e a atenção primeira é o Festival da Canção ou o Festival Eurovisão (ESC), Nuno Galopim é perentório: “Estamos a trabalhar para o FC. O ESC será o corolário disto tudo. Não existe uma receita para o ESC; não há receita, fórmula, não há uma regra, nem uma tendência. No ESC já ganharam diversas canções, de vários estilos, e mesmo quando temos acesso às 40 canções, não conseguimos adivinhar quem vai ganhar. O que temos é de nos focar no FC, para voltar a ser um bom momento para a música portuguesa. Este é o primeiro ano de um processo de revitalização”, concluiu.


Esta e outras notícias também no nosso Facebook e Twitter. Visite já!
Fonte: NUNO GALOPIM, ESCPORTUGAL, / Imagem: DIÁRIO DE NOTÍCIAS

10 comentário(s):

  1. A ver vamos... Eu começo a ficar um pouco desiludido com as notícias que vão surgindo sobre os compositores. A última que li informava que o Noiserv (em quem eu tinha as minhas esperanças depositadas) vai enviar um tema em português, e não vai ser ele o interprete... Só isso já me deixou desmotivado... Enfim.

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Anónimo15:26

      Vamos esperar pelas canções... Na verdade só precisamos de uma canção realmente boa e que nos dignifique e nos leve à final do ESC. As notícias que têm saído não têm sido muito animadoras não, se calhar fruto de todo o secretismo que a própria RTP quer manter (o que discordo porque só faz com que as pessoas não se conectem com o FC antecipadamente), mas valem o que valem, e as canções sim é que importam!

      Eliminar
    2. Anónimo16:29

      "Na verdade só precisamos de uma canção realmente boa e que nos dignifique e nos leve à final do ESC."
      Isso é verdade. Acontece é que por vezes a escolha da canção vencedora acerta ao lado e acabamos por levar uma canção com menor potencial...

      Eliminar
    3. Anónimo16:58

      Concordo anónimo

      Eliminar
    4. Eu também concordo com o que disse, mas estava mesmo confiante de que o Noiserv iria participar com um tema em inglês e que seria ele o interprete... Não percebo o porquê do português, ainda para mais quando a maioria dos seus trabalhos são em língua inglesa... E ele era a pessoa mais indicada para interpretar o seu próprio tema.

      Eliminar
  2. Anónimo16:15

    Este tipo de discurso não é novidade e sinceramente acho que quando há mais despretensão, surgem coisas melhores. Ainda assim, espero que o FdC seja ótimo. E ele tem razão, para o ESC não existem receitas.

    ResponderEliminar
  3. Pedro Carvalho17:49

    Concordo com tudo o que foi dito aqui nesta entrevista, tenho pena que a RTP não tenha chegado a essa conclusão nos anos 90 quando o Festival começou a entrar no declínio.

    ResponderEliminar
  4. Anónimo17:53

    Eu vejo uma rtp a querer começar do "0". Ficou claro nesta entrevista que o objetivo não passa pelo sucesso imediato na eurovisão, antes por reformular o FC, atrair os nomes que realmente interessam (quem realmente mais vende em Portugal e faz música de certa forma "inovadora" e "diferente") e de outra forma nunca entrariam no concurso, dar-lhe visibilidade e verdadeira qualidade e só depois procurar o sucesso na eurovisão.

    Isso pode ser conseguido já (seria otimo!) ou pode levar tempo (importa é não abandonar o projeto e seguir a trajetoria de forma consistente).

    Apesar de bons artistas na composição, sinto que 99% não conhece a eurovisão e isso pode ser fatal. Não há receitas é verdade, mas há certos cânones que até as canções mais "diferentes" que pisaram a eurovisão seguem.... estrutura de composição, evitar registo linear/"monocórdico", melodias muito marcantes, etc

    Parece-me que alguns compositores vão pecar nisso.

    Também tenho o feeling que não vai ser este ano da canção em inglês....

    ResponderEliminar
  5. Anónimo22:07

    Segundo o produtor executivo do "Melodifestivalen" foram precisos mais de 5 anos depois da sua reformulação em 2002 para haver interesse por parte dos telespectadores, e para que o formato estivesse verdadeiramente consolidado... Por isso estas palavras de Nuno Galopim não me fazem confusão alguma.

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Anónimo23:41

      O problema é que a maioria não quer esperar esse tempo, quer já a todo o custo é contra mim falo xD Se está nova abordagem da Rtp correr minimamente bem, espero que não percam este andamento e posso fazer esse tal amoderecimento deste novo conceito. Uma coisa engraçada com estas últimas entrevistas, praticamente todos dizem ter sido convidados pelos "consultores" do FC, o que é bom porque com nomes fortes e com conhecimentos como "consultores" cada vez mais podemos ter nomes maiores no FC

      Eliminar

Temas em Destaque

 
Top