Malta recebeu, pela segunda vez, o Festival Eurovisão Júnior! Dezassete países participaram, sendo que a inesperada Geórgia arrecadou o troféu, deixando para trás todas as favoritas. Depois de anos de perigo, o Festival Eurovisão Júnior mostrou que está mais vivo que nunca!

Pela primeira vez na história do concurso, o Festival Eurovisão Júnior teve lugar num domingo à tarde e sem a presença de um televoto. As audiências voltaram a descer (algo que não surpreendeu...) e muitos foram os eurofãs que contestaram os resultados: mas qual é o Festival Eurovisão que acaba sem contestação?.

Analisemos então o mais importante: os dezassete temas participantes na edição de 2016!

A Irlanda teve a difícil tarefa de abrir as hostilidades da edição. A canção era aquilo que todos já sabíamos, mas Zena Donnelly esteve impecável em palco, tornando uma atuação previsivelmente morta em três minutos bastante cativantes. A nível vocal foi uma das mais consistentes e tudo funcionou em palco: a interação com as câmaras foi um dos pontos fortes da atuação, enquanto que o figuro era o claro favorito ao Barbara Dex! Para mim, foi uma das surpresas do direto e não me surpreende o 10.º lugar alcançado!


Seguiu-se o José Cid do Festival Eurovisão Júnior: Arménia. O país do Cáucaso sabe bem como se joga na competição e apostou fortíssimo em tudo! A interpretação da dupla foi bastante bem conseguida (os instantes iniciais da atuação demonstram isso) e, mesmo com a ausência da máquina de evento, souberam apostar num dos ex-libris do Festival Eurovisão: a mudança de roupa em palco. Até ao final das votações estava confiante com a vitória da Arménia! Mas não há que temer, depois de dois segundos lugares consecutivos a vitória há de chegar (e nunca pensar que não há duas sem três). Uma das melhores propostas da edição!

A simplicidade é boa quando usada na quantidade certa, mas quando se abusa na quantidade resulta numa seca completa: eis o caso da Albânia. Admito que nunca fui fã do tema escolhido, se bem que a história retratada no videoclip interligada com a mensagem do tema até se tornava interessante, sendo que era algo do género que esperava em palco. Tal não aconteceu... a jovem cantou muito bem (é um facto e foi quase regra geral nesta edição), mas teve talvez a atuação mais apagada do programa. Merecia de facto uma produção muito melhor! O 13.º lugar não me surpreende, ficando até acima das minhas previsões.

Dez anos depois, a Rússia continua sem repetir a vitória das gémeas Tolmachevy. A proposta era fortíssima, mas um dos grandes erros da candidatura foi feita logo após a final nacional: a troca da interpretação a solo por uma interpretação de grupo deu borrada da grossa. A mensagem parecia não passar, algo que foi agravado pela atuação apresentada: ATENÇÃO que a considero bastante bem produzida e pensada, mas que infeliz e inexplicavelmente não resultou em palco. De resto não há muito que dizer, foi outra das melhor propostas do ano e mereceu, sem qualquer dúvida, o quarto lugar alcançado, tendo potencial para mais! 

Eis um brilhante caso em que a simplicidade é benéfica: sem recurso a grandes efeitos visuais e sem qualquer elemento cénico, Malta conseguiu fazer uma atuação bastante bem conseguida. O poder vocal de Christina Magrin esteve no seu melhor e conseguiu, durante três minutos, cativar todos os telespectadores: contudo, merecia um tema melhor, sem dúvida nenhuma. Conseguiu surpreender-me mas claramente não merecia o sexto lugar alcançado, não tanto pela atuação mas pelo tema levado. 


A Bulgária foi outro dos países que resolveu apostar na simplicidade (e também na fórmula dos últimos dois anos). A mensagem do tema passou facilmente, se bem que, tendo em conta o videoclip oficial, a atuação deixou um pouco a desejar... Contudo, a grande ressalva foi a cantora Lidia Ganeva: apesar de estar completamente consumida pelos nervos, a jovem conseguiu aguentar-se (apesar de alguns engasgos) e fazer uma interpretação bastante conseguida, mas longe do que já mostrou ser capaz. Em termos gerais o nono lugar não me surpreendeu, apesar de esperar um pouco menos. 

Seguiu-se uma das minhas favoritas, a ARJ Macedónia, mas vamos lá esclarecer algumas coisas: Martija Stanojković tem 12 anos e o Festival Eurovisão JÚNIOR é para crianças, correto? Passado isso, tenho a dizer que foi uma das desilusões da edição. A interpretação vocal esteve bastante aquém das expetativas, enquanto que a atuação, além de estar desajustada para um concurso infantil, focou-se num público de casa... que não existiu! Infelizmente, podia ter resultado muito melhor e o 12.º lugar refletiu-se nisso (apesar de achar que merecia um pouco melhor na classificação final)...


Até ao início das votações apostava cegamente que a Polónia iria figurar no topo da classificação final do concurso, tendo mesmo grandes chances de vencer! Tudo se desvaneceu depressa... A interpretação foi muito bem conseguida (já vimos muitos cantores profissionais a falharem quando tentaram fazer algo parecido) e a atuação, apesar de confinada aos LEDS do palco, resultou... quer dizer, pensava eu que havia resultado. Sinceramente não consigo perceber a votação... Classificação mais injusta da edição: merecia claramente os primeiros lugares da edição.


A Bielorrússia foi dos poucos países que se lembrou que a Eurovisão Júnior é realmente um concurso infantil... Alexander teve uma uma intepretação irrepressível durante toda a atuação,  que, sem qualquer dúvida, foi uma das mais bem conseguidas da edição. Merecia um lugar mais acima do que obteve, sendo que foi um dos países mais prejudicados pela abolição do televoto. 

A Ucrânia foi o 10.º país a subir ao palco. A proposta era boa e com grande potencial, mas não convenceu... O nervosismo de Sofia Rol era mais que evidente, sendo uma das causas para que o desempenho da cantora tenha ficado um tanto aquém do esperado. A encenação em palco também não ajudou, tendo ficado totalmente desajustada. Foi claramente a atuação mais esquecível da edição: ao final de 17 temas, ninguém se lembrava que a Ucrânia estava a concurso. Classificação merecida!



Depois do desaire do ano passado, eis que temos a Itália genuína novamente a concurso. A típica balada italiana voltou a ecoar no palco eurovisivo, defendida pela consistente e convincente voz de Fiamma. É impossível não gostar deste tema: bonito, leve, marcante e tão bem defendido. Partia como um dos meus favoritos, mas rapidamente ocupou o primeiro lugar das minhas preferências depois desta tão simples, mas tão marcante atuação! Bravo Itália

Eis chegado o momento da Sérvia! Bem... que foi isso Sérvia? Tudo, mas tudo tudo mesmo, foi terrivelmente mau! A cantora Dunja estava claramente fora dos seus melhores dias e o facto de ser uma autêntica baratinha tonta de um lado para o outro no palco não ajudou em nada! Sobre a atuação recuso-me a falar mais... foi uma das piores de sempre! Nem mesmo o refrão do tema (que quer queiramos ou não, fica na cabeça) conseguiu vingar durante a atuação! Último lugar mais que merecido (apesar de serem inexplicáveis os 14 pontos alcançados)! Já vimos muito melhor vindo da Sérvia!

Outra das classificações que não tem qualquer justificação! De regresso ao Festival Eurovisão Júnior, Israel trouxe uma das melhores canções da edição, mas inacreditavelmente ficou em... antepenúltimo! Tim esteve vocalmente muito melhor que Shir, mas apesar da atuação não ter sido das melhores nem das mais marcantes, o tema por si só mostrava o grande potencial da candidatura. Claramente, Israel não foi feito para participar nesta competição. Uma das classificações mais injustas da edição... Provavelmente não veremos o país na próxima edição do concurso.


Quando se arrisca com armas desajustadas, o resultado não é o esperado: a Austrália fez isso no ano passado e este ano soube apostar de forma mais contida e os resultados apareceram! We Are é um tema moderno, bem mais contido que My Girls, mas que em palco se mostrou bastante forte e marcante! A interpretação de Alexa esteve mais que exemplar e soube encher o palco apenas e só com a sua presença e a sua poderosa voz. Classificação dentro do esperado!

A candidatura da Holanda tinha tudo para fracassar, mas demonstrou que os prognósticos só se fazem depois do jogo. As vozes das três jovens resultaram na perfeição e em momento algum foram afetadas pela coreografia preparada, completamente virada para o público alvo do concurso: as crianças. O vestuário era do mais piroso que podia existir, mas foi uma grande aposta do país, e resultou muito melhor do que qualquer elemento cénico que poderia vir a ser utilizado. Claramente uma das surpresas em palco e uma das melhores actuações. 

De volta ao Festival Eurovisão Júnior, Chipre conseguiu fazer com que muitos eurofãs continuassem a preferir que o mesmo estivesse fora da competição para continuar com a imagem de Sophia Patsalides na cabeça. A interpretação vocal foi a mais fraca da noite e a atuação em palco deixou muito, mas mesmo muito, a desejar: foi uma imitação barata da atuação da Grécia no concurso adulto de 2011. Em termos gerais, a candidatura mostrou-se um verdadeiro fracasso e foi merecedora da classificação que teve: a pior de sempre do país.


E o melhor da edição ficou para o final da gala! A Geórgia é uma das potências do Festival Júnior e mostrou que o concurso ganha-se em palco e não nas apostas nem nos prognósticos. Um dos melhores temas da edição aliado à voz forte de Mariam só podia resultar num grande resultado! Era um dos meus temas favoritos, mas nunca acreditei que conseguisse vencer a edição... Contudo, depois da atuação, era impossível pensar que o país ficava fora dos primeiros lugares. Volto a ressalvar o instrumental do tema: que maravilha deve ficar tocado por uma orquestra ao vivo (fica a dica!). Parabéns Geórgia!

Terminadas as atuações, eis a minha classificação final:

1.º Itália
2.º Polónia
3.º Geórgia
4.º Arménia
5.º Austrália
6.º Rússia
7.º Bielorrússia
8.º Israel
9.º ARJ Macedónia
10.º Holanda
11.º Malta
12.º Irlanda
13.º Ucrânia
14.º Bulgária
15.º Albânia
16.º Chipre
17.º Sérvia

Os grafismos da edição e o palco utilizado (simples, bastante simples, mas muito capaz) são dois dos pontos positivos da edição, sendo que o local escolhido também se revelou um sucesso: é preferível ver uma sala pequena completamente cheia, do que uma arena com grandes lacunas no público. O novo sistema de votação também resultou, repetindo os minutos de suspense que foram vividos antes da vitória de Jamala, sendo que apenas questiono a necessidade de introduzir um painel de especialistas: será mesmo necessário para o futuro?



Por outro lado, os apupos dos presentes aos países que não votavam em Malta foram o pior momento da edição, a par com as atuações em playback dos convidados especiais: até o ai-mi-lucas da Poli Genova ficou aquém das expectativas ao ser cantado em playback! Sobre os apresentadores não há muito a dizer: Ben Camille teria feito um melhor papel a solo e isto foi visível no decorrer de todo o concurso.

Tbilisi deverá ser a sede da próxima edição do Festival Eurovisão Júnior, algo inédito na história do país, sendo que o número de participantes deverá continuar uma incógnita até meados de outubro do próximo ano. Israel e Sérvia devem abandonar a competição, sendo esperado o regresso da Eslovénia e São Marino. Por outro lado, os rumores sobre a eventual estreia da Alemanha e o regresso de Espanha continuarão a existir! Mas não importa que falem bem ou mal: o importante é falarem!

O Festival Eurovisão Júnior está para durar! Até Tbilisi!

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Fonte: ESCPortugal / Imagem/Vídeo: junioreurovision,tv

7 comentário(s):

  1. Rui Ramos21:14

    Não sei se está mais vivo do que nunca: as audiencias foram miseraveis! Valerá a pena o investimento das televisões para tão poucos verem? A UER terá de fazer novas alterações para cativar televisoes a participarem

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  2. Anónimo21:21

    As audiências foram miseráveis, mas tenhamos em conta que apenas conhecemos de 5 países: Israel, Holanda, Bulgária e Itália fracassaram, mas a Polónia teve um resultado grandioso! Falta saber em países que vivem intensamente o JESC como Arménia, Geórgia, Rússia e Bielorrússia...

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  3. Ricardo Alves22:04

    Este programa foi o pior de sempre, e eu vi TODOS os juniores. Muito mau. O cenario, o palco, os planos de camara, a realização, os interval acts (playback??), mais uma vez canções de adulto cantadas por adolescentes. A unica exceção foi a Georgia que levou uma canção para este publico

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    1. Anónimo22:08

      Também vi todos e naõ consigo concordar contigo! O palco então era um dos melhores já vistos no JESC!

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  4. Anónimo22:50

    Não comentou os apresentadores...
    Eu acho que foram péssimos, então no televoto a apresentadora disse logo que faltavam dar 110 pontos e depois esteve a criar suspance quando quem estava atento tinha percebido o erro da apresentadora...

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  5. O jesc devia acabar

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  6. Anónimo14:12

    nao concordo em nada com a avaliaçao da australia, para mim foi das piores da noite, a musica nao era nada de especial e alexa nao tava nos seus melhores dias, aliás a atuaçao tambem foi pavorosa, ela fazia ali uns jestos bastante estranhos, nao percebi a ideia, so teve top5 por ser a AUSTRALIA, nada mais que isso.

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