Foi inaugurada ontem, em Sacavém, a Biblioteca Municipal Ary dos Santos, uma forma de perpetuar o nome de um dos autores mais geniais de Portugal.


Ao dar o nome de Ary dos Santos à nova biblioteca municipal, que assume assim a responsabilidade de preservar e divulgar a vasta obra poética do autor, a Câmara de Loures pretende homenagear o poeta e declamador português que permanece na memória de todos devido à atualidade dos poemas que escreveu e que continuam a ser interpretados por vozes maiores da música portuguesa. O poeta do povo, conforme é conhecido, mantém-se na memória de todos nós devido à sua poesia que foi interpretada não só por muitas figuras incontornáveis da música portuguesa mas também por muitos que continuam a declamar e a cantar os poemas de Ary dos Santos por estes manterem atualidade e por terem sido escritos, de uma forma ímpar, por Ary dos Santos.

A Biblioteca Municipal Ary dos Santos, inaugurada ontem, disponibiliza aos seus utilizadores um fundo documental de carácter enciclopédico, abrangendo todas as áreas do saber, composto por 12.800 títulos de documentação: livros, publicações em série, registos sonoros, registos audiovisuais, livros em braille e audiolivros. A Biblioteca possui dois fundos bibliográficos especiais: Fundo Herberto Goulart (espólio bibliográfico doado pela família) e Fundo Natália Miranda (livros de autoria e coautoria da escritora). Além do fundo documental em suporte físico, a Biblioteca disponibiliza ainda o acesso aos recursos informativos disponibilizados via Internet.

“A inauguração de uma nova Biblioteca é uma festa. Com este patrono é uma festa a dobrar”, afirmou outro dos autores geniais de Portugal, José Fanha.

Ary dos Santos, falecido há 32 anos, é autor, entre outros, de "Desfolhada Portuguesa", "Um Homem na Cidade", "Os putos", "Tourada", "Alfama" e "Lisboa menina e moça", letras de canções frequentemente recriadas pelos novos intérpretes. "Ele tinha as palavras do povo e a capacidade pronta de improvisar", disse numa entrevista o guitarrista José Fontes Rocha, falecido há cerca de 5 anos. Segundo o músico, "é este o segredo para as canções e os fados de Ary [dos Santos] continuarem a ser cantados até pelos amadores, e pela gente comum". "Mostra uma tal facilidade que uma palavra puxa a outra, e temos o poema de memória", rematou o músico.

José Carlos Pereira Ary dos Santos faleceu aos 46 anos, no dia 18 de Janeiro de 1984. Por quatro vezes venceu o Festival RTP da Canção com as canções "Desfolhada", por Simone de Oliveira, em 1969, "Menina do alto da serra", por Tonicha, em 1971, "Tourada", por Fernando Tordo, em 1973, e "Portugal no coração", pelo grupo Os Amigos, em 1977. Deste grupo, entre outros, faziam parte Ana Bola, Luísa Basto, Fernando Tordo, Paulo de Carvalho e Fernando Piçarra. O produtor musical QuimZé Lourenço, que recentemente realizou um espetáculo com base nas cantigas de Ary dos Santos, salientou à Lusa que o poeta "fez canções como nenhum outro, sem perder o lirismo e a sofisticação das palavras e conseguiu chegar às massas".

Hoje vários são os intérpretes que têm recriado as suas letras como, entre outros, Mariza, Camané, Pedro Moutinho e Mayra de Andrade. Em 2009, quando passavam 25 anos sobre a morte do poeta, Mafalda Arnauth, Susana Félix, Viviane e Luanda Cozetti recuperaram algumas das suas canções no projeto "Rua da Saudade", designação que evoca o lugar na encosta do Castelo de São Jorge, onde Ary dos Santos viveu.

EUROVISÃO 1969


EUROVISÃO 1971


EUROVISÃO 1973


EUROVISÃO 1977


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Fonte: MUNICIPIO LOURES, ESCPORTUGAL / Imagem: GOOGLE / Vídeo: YOUTUBE

3 comentário(s):

  1. Ary dos Santos foi unico na maneira como usava as palavras,umas vezes como pintor surrealista,outras vezes agressivamente dilacerante nas emoçoes fortes,outras vezes sarcastico,outras vezes vermelho rubro.Unico.Nestes videoclips destaco o carisma dos interpretes,que SENTIAM o que estavam a cantar.

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  2. Anónimo08:40

    Excelente noticia e decisão da Câmara de Loures (h)

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  3. Está visto que em Loures lê-se muito.E Ary "Menina que no caminho vais pisando formosura..." até leu Camões "Leonor pela verdura vai formosa, e não segura." A menina até podia chamar-se Leonor, quem sabe? Ary escreveu versos muito belos para canções que deviam estar registados num compêndio"

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